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segunda-feira, 25 de maio de 2026

50 anos do Departamento de Informática da UEM com festa

No dia 23/05, reuniram-se, num jantar, professores, professoras, funcionários e funcionárias,  estudantes e egressos que compartilharam os 50 anos do Departamento de Informática (DIN) da UEM.

Particularmente, me senti muito feliz com a comemoração e o reencontro com pessoas com as quais compartilhei minha carreira acadêmica e amizades. 

Agora na aposentadoria, recebemos homenagem na festa, com uma linda placa comemorativa pelos 50 anos do DIN. 

Parabéns à equipe organizadora, comandada pela Professora Josiane Pinheiro, com tanta maestria.

Parabéns à todos e à todas que construíram o DIN ao longo das 5 décadas.













Departamento de Informática da UEM completa 50 anos


Em 2026, o Departamento de Informática (DIN) da Universidade Estadual de Maringá celebra 50 anos de história — uma trajetória construída por pessoas que, ao longo das décadas, dedicaram seu talento, conhecimento e compromisso ao ensino, à pesquisa, à inovação e ao desenvolvimento da sociedade.

Essa trajetória consolidou o DIN como um polo de geração e disseminação de conhecimento na área de Tecnologia da Informação. O departamento foi criado em maio de 1976, conforme Resolução 001/76-REITORIA, como uma sub-unidade do Centro de Tecnologia, logo após a implantação do curso de Tecnólogo em Processamento de Dados (PD), que teve início em 1975. Na época o curso fazia parte de um programa nacional de formação de um profissional que pudesse contribuir para o crescimento de uma área que estava necessitando de mão-de-obra especializada.

Pioneiro na região reconhecida como agrícola, o curso de PD, logo chamou a atenção e o interesse dos estudantes, os quais formados se dirigiam para Curitiba ou São Paulo.

Com o crescimento das oportunidades na região, o DIN optou pela criação do curso de Ciência da Computação, um curso de bacharelado, mais abrangente do que o curso de tecnólogo, em período integral, implantado em 1988.

Em novembro de 1991, foi criado o PET-Informática que consolidou-se como uma das iniciativas mais importantes para a formação acadêmica e humana dos estudantes do DIN. Ao longo de sua trajetória, o PET tem promovido a integração entre ensino, pesquisa e extensão, estimulando a excelência acadêmica, o trabalho colaborativo, a inovação e o compromisso social. Mais do que um espaço de formação complementar, o PET-Informática tornou-se parte da própria história do departamento, contribuindo para a formação de profissionais e docentes que hoje atuam em diferentes áreas da Computação.

Em 1997, o DIN criou o curso de Bacharelado em Informática, no período noturno, em substituição ao curso de Tecnólogo em Processamento de Dados que foi paulatinamente extinto. Os cursos passaram por revisões curriculares em 2009, 2017 e 2023.

Além dos cursos de Ciência da Computação e de Informática, o DIN também é responsável pela ênfase de Software do curso de Engenharia de Produção, além de disciplinas na área de computação de vários outros cursos de graduação da UEM.

Também em 2002, com o objetivo de contribuir para a formação de recursos humanos e atuar na pesquisa em Informática, foi criado o Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação (PCC), com a oferta do mestrado. Por mais de uma década o DIN ainda ofertou turmas da Especialização em Desenvolvimento de Sistemas para Web e atualmente oferece disciplinas em alguns outros cursos de especialização.  

De 2004 a 2009 o DIN hospedou o curso de Engenharia de Produção até que o departamento se estruturasse.

Em 2009, o DIN passou a contar com um novo edifício, no bloco C-56, que reúne um total de mais de 3.400 metros quadrados de área construída.

Em 2021, foi aprovado o curso de Doutorado em Ciência da Computação, que ofertou a primeira turma em 2022.

Em 2026, o curso de Bacharelado em Informática se tornou Bacharelado em Engenharia de Software, alinhando o curso à demanda da sociedade e às diretrizes curriculares da Sociedade Brasileira de Computação.

Visando oportunizar aos alunos se preparem para atuar no meio corporativo, o Departamento apoiou a criação da Softcom, uma empresa júnior de softwares, suporte e capacitação em Ciência da Computação e Informática, supervisionada por um docente do DIN. Em 2025, por iniciativa dos alunos, surgiu uma nova empresa júnior, chamada Main, alinhada às demandas do mercado e em franca expansão.

Completando o leque de ferramentas institucionais oferecidas pelo DIN visando a contribuir na formação dos estudantes, está em vigor o Programa de Tecnologia da Informação e Comunicação (PROTIC), que tem como objetivo desenvolver e apoiar as iniciativas de pesquisa, ensino, extensão e inovação de servidores e acadêmicos dos cursos afetos ao Departamento.

No DIN, também, em sinergia com a Sociedade Brasileira de Computação por meio do Programa Meninas Digitais, em 2017 foi criado o projeto Conectadas, que visa incentivar a entrada e permanência das meninas na área de computação.

Em sintonia com o desenvolvimento regional, o DIN atuou e participou ativamente na criação do Arranjo Produtivo Local de Software, cuja iniciativa contribuiu para que a região se tornasse um polo de desenvolvimento de software.

Assim, o DIN cumpre sua finalidade de

  • formar cidadãos éticos, críticos e reflexivos nas áreas de computação e informática;

  • promover, de forma indissociável, o ensino, a pesquisa e a extensão nas áreas da computação e informática; e

  • prestar serviços à comunidade. 

Nesse período, o DIN formou milhares de profissionais — tecnólogos, bacharéis, especialistas, mestres e doutores — que hoje atuam de forma significativa na academia e na indústria de software, contribuindo para o avanço tecnológico em diferentes contextos e regiões.

Mais do que celebrar uma data, queremos celebrar as pessoas que fizeram e fazem parte dessa história. Nossos parabéns e agradecimentos a cada um e a cada uma que contribuiu e contribui para que o DIN seja uma referência importante na área de TI, nas atividades de ensino, pesquisa, extensão e inovação.

Texto: Profa. Tania Tait
Maio de 2026 - postado em https://www.uem.br/din

A Canafístula e o Cedro: o triste fim de uma história

Escrevi o texto A Canafístula e o Cedro em 2007, quando a prefeitura de Maringá, na primeira gestão Silvio Barros, derrubou a canafístula centenária, mesmo diante da reação popular, inclusive com jornalista se agarrando a árvore.

No texto, publicado no blog Factorama, eu descrevia a amizade entre as duas árvores, a preocupação da Canafístula com o Cedro que ficou mantido no lugar com desvio da avenida (Gestão José Cláudio) e depois, a preocupação do Cedro com a Canafístula. 

Agora, em 2026, quase 20 anos depois, na terceira gestão do mesmo prefeito, foi a vez do Cedro ser tombado, com alegação de estar condenado por cupins. 

 
Reportagem em: Blog do Rigon, de 23/05/2026
https://angelorigon.com.br/2026/05/23/cedro-removido/


No momento em que li a reportagem sobre o cedro, me veio à mente o diálogo que criei, em 2007, entre as duas árvores, mediadas pelos pássaros que iam e vinham com as notícias.
O que diriam os passáros hoje? Pra quem contariam as notícias? 

Segue o texto, conforme foi publicado, em 2007.

========================================================================A Canafístula e o Cedro

terça-feira, dezembro 18, 2007 5:06:00 PM Publicado no Factorama     Escrito por: Tania Tait


A Canafístula e o Cedro eram amigos há décadas. A comunicação entre eles era feita pelos mensageiros passarinhos. Os amigos viram a cidade crescer, avenidas serem criadas, asfalto chegando e prédios surgindo. Pessoas indo e vindo.
Aí no início dos anos 2000, o Cedro foi palco de uma discussão ampla na cidade. O motivo: ele estava bem no meio de uma avenida que seria continuada, pois começava lá do outro lado da cidade e agora chegava até ali. Ele teria que ser retirado do local.
A amiga Canafístula acompanhava as novidades pelas mensagens dos pássaros. E vinha gente de todo tipo defendendo o Cedro. A administração municipal da época resolveu levar a discussão para o Conselho do Meio Ambiente, o qual deu o parecer final: o Cedro fica.
Hoje, o Cedro está lá e os engenheiros criaram uma avenida com curva para que ele permanecesse no local. Respeitou-se o meio ambiente, respeitou-se a comunidade e respeitou-se o Cedro.
A Canafístula ficou feliz com o resultado e os dois amigos continuaram trocando impressões sobre o clima, o movimento da cidade, o aumento de pessoas e de carros.
Um dia, a Canafístula contou ao Cedro que estavam mexendo na avenida que ficava perto dela para rebaixar a linha férrea. O Cedro, meio cismado por causa da sua própria história, perguntou se não teria problema pra ela. A Canafístula então respondeu: imagina, se naquela época não conseguiram derrubar você, por que agora vão conseguir? E olha que tudo indica que sou mais velha que você, portanto, vão me respeitar mais ainda.
E se despediram tranqüilos, por meio dos pássaros. No entanto, os pássaros e o Cedro ficaram cismados com a nova obra. O Cedro, então, pediu aos pássaros que ficassem vigiando, pois não estava com uma boa sensação a respeito do assunto.
Muitos pássaros já haviam contado ao cedro sobre árvores derrubadas na cidade pela administração municipal atual com o objetivo de deixar fachadas de empresas mais visíveis e outros motivos estranhos. Também, os pássaros moradores ao redor da rodoviária velha haviam comentado sobre a forma como o patrimônio da cidade estava sendo tratado. Os pássaros contavam, ainda, como foi a inauguração de uma nova avenida no centro da cidade, sem sequer uma árvore plantada. Fato que gerou polêmica, manifestações e que, depois, a prefeitura resolveu que podia plantar árvores ali.
Resultado de tantas reflexões é que o Cedro não conseguiu parar de pensar na amiga Canafístula, sempre tão confiante nas pessoas. Claro, tinha motivos para essa confiança, pois ela sempre fora bem tratada.
Mas aí o pior aconteceu, resolveram cortar a Canafístula. Teve até uma mobilização do pessoal do meio ambiente e um jornalista que subiu na árvore e disse que não desceria até que chegasse uma ordem oficial para o corte. Os pássaros foram correndo sossegar o Cedro, que estava apavorado, com as notícias que chegavam. Tem gente protegendo a amiga Canafístula, fique tranqüilo, ela não vai ser cortada.
Mais tarde os pássaros voltaram, cabisbaixos, voando sem vontade e o Cedro logo entendeu que não teria mais notícias da amiga Canafístula. Ela e todos que a amavam foram enganados.
A administração municipal atual não agiu como a outra administração que integrou o Cedro à avenida. A administração atual não conversou com o Conselho de Meio Ambiente, não conversou com a população e não buscou uma alternativa para que a Canafístula continuasse ali integrada à obra. Enfim, derrubou-se uma árvore centenária como se fosse algo comum, no cotidiano de sua atuação. Desrespeitou-se o meio ambiente e a história de uma família pioneira.
E lá está o amigo Cedro no meio da Av. Gurucaia, entristecido pela perda da amiga e torcendo muito para que as outras árvores da cidade consigam sobreviver a essa administração municipal. Ele, o Cedro, sabe que sua amiga cumpriu bem seu papel na natureza e deixou uma marca de dignidade e respeito nas pessoas, nos pássaros e nas outras árvores que conviveram com ela.
A esperança do Cedro é que essa marca possa chegar até as pessoas que detêm o poder e que elas entendam que fazem parte da natureza e que todos os seus atos desencadeiam outros atos que ferem o mundo em que vivemos.

* Professora do Departamento de Informática da UEM, Coordenadora da Associação Maria do Ingá – Direitos da Mulher. Maringá, 12/12/2007.

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quarta-feira, 29 de abril de 2026

A necessária redução da jornada de trabalho

No começo da minha vida profissional, após formada pela UEM, na área de informática, trabalhei como programadora de computador e analista de sistemas em uma grande rede de supermercado (que não existe mais). O horário de trabalho era de 8 horas por dia e aos sábados. Entravamos às 8h e saímos às 18, com  1h de almoço e aos sábados, das 8 às 12. Havia compensação durante a semana para não trabalhar aos sábados o dia todo. Já no estágio, em Londrina, vivenciei a jornada de trabalho e o pouco tempo que as pessoas possuíam pra cuidar de suas casas, crianças etc. A mesma situação ocorria em uma grande cooperativa agrícola da região, na qual fui analista de sistemas e programadora.

A partir dessas experiências, me chamava muito a atenção o tempo que as pessoas passavam no trabalho em comparação com o tempo mínimo que passavam com suas famílias ou outras atividades. Havia o comentário de que era trabalho remunerado em regime de escravidão, pois as pessoas não tinham tempo pra elas, apenas para o trabalho. Quem não trabalhava aos sábados era por compensação em horas a mais  de segunda a sexta-feira.

Estamos falando de experiências particulares nos anos 1980 e, naquela época alguns países começavam a experimentar jornadas diárias menores do que as jornadas de 8h, com resultados considerados relevantes em termos de produtividade e contribuição de funcionários e funcionárias.

Acabar com a escala 6 x 1 (trabalhar seis dias e descansar um dia), obviamente, não abala o sistema capitalista, pois foi comprovado por algumas experiências que essa redução de jornada, tendo 5 dias trabalhados e dois dias de descanso (5x2) impacta positivamente na lucratividade das empresas e não afunda o país como alguns contrários afirmam.

Para as mulheres trabalhadoras, por sua vez, a redução da jornada contribui para uma melhora considerável de qualidade de vida, pois, em sua maioria, elas chegam, em seus finais de semana ou dia de descanso,  com a escala da faxina de suas casas, da lavagem de roupas etc, ou seja, transformam seu dia de descanso em mais um dia de trabalho, o que significa, na prática, uma escala de 7x0, sete dias trabalhados e nenhum dia de descanso.

Muitas mudanças, também,  ocorreram no mundo do trabalho desde a última  reforma trabalhista de 2017, que levou as pessoas a situações como pjtização, terceirização, uberização, trabalho informal, trabalho on line e tantas outras, nas quais as pessoas acreditam que são donas de seu próprio trabalho, não dependem da CLT, mas no entanto, seguem desprotegidas agora e no futuro e, continuam trabalhando sem tempo para si e suas famílias.

Por fim, acredito que seja importante e necessária a aprovação de uma jornada de trabalho menor para que as pessoas tenham mais tempo para viver com dignidade e possibilidade de estar mais dias com sua família ou realizar atividades de esporte, cultura ou lazer ou outras que as interessem.


Imagem extraída da Internet


segunda-feira, 20 de abril de 2026

A classe trabalhadora sai em desvantagem na corrida eleitoral

Dados divulgados, recentemente, apontam que dos 594 parlamentares que compõem o Congresso Nacional, 273 são empresários e 160 são fazendeiros, totalizando 72% das cadeiras ocupadas por representantes desses setores. (https://lermais.com.br/congresso-dominado-empresarios-e-fazendeiros-ocupam-72-das-cadeiras-2/) Outro dado demonstra que, também, menos de 20% das cadeiras no Congresso são ocupadas por  mulheres.

Essa concentração de lideranças ligadas ao empresariado e fazendeiros, homens brancos, conservadores e ricos, em sua maioria, torna-se um desafio para as pautas necessárias para o conjunto da população, tais como as políticas públicas de moradia, educação e saúde e condições de trabalho, combate à violência contra a mulher, contra o racismo e contra homofobia e, também, na defesa do meio ambiente. Muitas dessas políticas públicas deixam nítida a postura desse grupo dos deputados na Câmara, notadamente com votos contra os interesses da maioria da população. Não se trata, portanto, apenas de uma posição ideológica, pois muitos destes deputados consideram que as políticas públicas, mesmo de interesse nacional, vão contra seus interesses econômicos e financeiros particulares.

Essa situação da concentração de eleitos/as da classe empresarial é reproduzida, também, nas câmaras municipais e assembleis legislativas estaduais. No executivo (prefeituras, estados e governo federal), a situação não é diferente, temos poucas prefeitas e governadoras e tivemos apenas uma mulher na Presidência da República.

Além de se candidatarem pra defender suas mordomias, classe social etc e viver às custas do Estado que tanto atacam, os empresários e fazendeiros eleitos defendem o sistema como está ou apresentam projetos pra penalizar a classe trabalhadora, aqui incluídos a classe média assalariada e profissionais liberais ou autônomos, os quais não se enxergam como trabalhadores/as. Um exemplo é a redução de jornada de trabalho para 5x2 (cinco dias trabalhados para dois dias de descanso), a qual gera polêmica com alegações equivocadas de quebra econômica, incentivo à vagabundagem de trabalhadores se a nova escala de trabalho for aprovada ou, ainda, absurdos como bolsa patrão para compensar a suposta perda econômica.

Pela legislação eleitoral, todos e todas, maiores de idade, podem se candidatar, independente de sexo, religião, raça, etnia ou posição ideológica. (https://www.jusbrasil.com.br/artigos/quais-os-requisitos-necessarios-para-se-concorrer-a-uma-eleicao-no-brasil/1150140742) No entanto, pra fazer campanha, mesmo existindo fundo eleitoral, a pessoa candidata precisa de tempo e dinheiro. Exatamente nessa necessidade de tempo e dinheiro que as diferenças começam na largada eleitoral, inclusive na chamada “pré-campanha” que na prática, é campanha eleitoral.

Quando alguém da classe trabalhadora se candidata, se não for demitido por ser de outra posição ideológica diferente do patrão/patroa, não terá licença e só poderá fazer campanha no período que sobra e nos finais de semana. Ao contrário, o empresário ou empresária (ou fazendeiro ou financiados por eles) que se candidata poderá fazer campanha quando e como quiser.

Então, na corrida eleitoral, trabalhadores e trabalhadoras saem em desvantagem e com muitos obstáculos à frente, desde a largada, pois além de buscar votos, precisam cumprir suas obrigações no mundo do trabalho para sobreviver. Destaca-se que  as mulheres saem em mais desvantagem do que os homens, pois lidam com a dupla jornada de trabalho e ao incluir a política, se sobrecarregam ainda mais, além do preconceito e da violência política que sofrem.

Esse desequilíbrio de representação na política reforça distorções existentes na sociedade para as ações de igualdade e se torna um desafio para a democracia pois, ao mesmo tempo que as pessoas podem se candidatar e serem eleitas, a maior parcela da população tem mais dificuldade e menos visibilidade para ser eleita para um cargo legislativo ou executivo.

Isso precisa mudar!

Imagem extraída da Internet


terça-feira, 31 de março de 2026

O valor dos números e a arrogância numérica

Duas frases me chamaram a atenção recentemente. Não vou dizer o nome das pessoas e nem o contexto. O que interessa é o conteúdo e o valor dado por elas.

- façam mais de 100 mil votos como eu fiz e depois conversamos;

- quando a pessoa tiver mais de 50 mil seguidores como eu, darei atenção a ela.

Desde crianças, aprendemos sobre os números, quando começamos a usar os dedinhos pra contar 1, 2 3... ou até 10 pra brincar de esconde-esconde. Depois, para algumas crianças, os números se tornam um tormento ligados ao ensino da matemática. Quem não se lembra da famosa tabuada?

 E quando as crianças crescem são marcadas com números. Aliás, desde alguns anos, as crianças tem CPF desde que nascem. Aí vem o número da classificação no vestibular, se fizer, o salário, as notas e as contas pra pagar. Enfim, o número não é apenas o da casa que moramos ou do RG, ele está em tudo e pauta nossa existência.

Na sua definição básica, o “número é uma entidade matemática fundamental e abstrata, utilizado para caracterizar a contagem, a ordenação, medição ou identificação .  Os números possuem uma relação com elementos quaisquer, sejam reais ou não.” https://www.todamateria.com.br/numeros/

Entretanto, pela história, os números passaram a representar a riqueza ou a pobreza dos povos e das pessoas, o poder de alguns sobre outros e a classificar quem tem mais ou tem menos poder. Da contagem das pedras a contagem do lançamento de mísseis, tivemos muitas versões para a representação dos números.

E chegamos ao processo eleitoral e ao uso das redes digitais, os quais tem, em comum, a disseminação de informações, verdadeiras ou duvidosas, que alcança um número imenso de pessoas.

Dentro deste contexto, surge um novo valor dado ao número: o número de quantas pessoas são alcançadas ou alcançáveis, como se isso fosse sinônimo de uma espécie de riqueza ou capital.

E assim, tem-se o que pode ser chamado de “arrogância numérica” que faz com que tanto um político eleito como um influenciador digital se sintam empoderados e mais importantes do que as demais pessoas. Não é mais a arrogância do saldo bancário (que as vezes vem junto com a exposição política ou midiática), agora é a exposição que conta.

Claro que as pessoas que expõem suas ideias, tanto na vida política como no mundo virtual, ou em ambos, querem ser ouvidas, lidas, curtidas e divulgadas, afinal são espaços importantes para apresentar seus pensamentos e propostas.

O problema é quando essa ação e esse alcance se tornam moeda de valor em detrimento de outros valores. Ouvir quem não fez votos ou quem não usa as redes digitais, mas possui experiência e conhece bem sua própria área de trabalho ou atuação pode contribuir muito para novas soluções, novas ideias e novos movimentos.

Afinal, as pessoas podem não ter tantos votos ou nem seguidores, mas elas têm acesso à uma urna eletrônica, numa eleição democrática, na qual podem digitar os números de seus candidatos ou candidatas e, aí, está o símbolo do seu poder ao digitar o número no qual acredita.

Esse poder, numa democracia, tem mais valor numérico do que muitas pessoas possam imaginar, pois a pessoa vai definir os rumos que deseja para sua cidade, seu estado ou seu país.

Então, vamos dar atenção, também, para aquelas pessoas que não fizeram e nem farão 100 mil votos, não têm e nem terão 50 mil seguidores, pois esses números podem ser passageiros e não terem significado,  se não servirem para melhorar a vida das pessoas.


Imagem extraída da Internet


domingo, 22 de março de 2026

A faca e o boné

Em conversa com minha prima-irmã Rose, relembramos fatos que vivemos com nossos pais, Angelo e Anselmo Sidnei Tait. Irmãos grudados e amorosos que se casaram com duas irmãs, Laura (minha mãe) e Maria Calvi (minha madrinha de crisma) e geraram uma família única, a Calvi Tait. Crescemos juntos e, muitas vezes, pelos sobrenomes que herdamos, as pessoas pesavam que fossemos irmãos. O cuidado deles e delas para conosco sempre foi presente, desde a infância até a vida adulta.

Certamente, meu pai e tio Sid não combinaram, mas foram atores do mesmo cuidado quando eu cursava doutorado em Florianópolis. Talvez por ser a primeira da geração a “voar” pra outras paragens, talvez por me verem como menina, talvez por conhecerem as estradas por terem sido caminhoneiros ao desbravar as terras do norte do Paraná, o fato é que com 36 anos de idade e dirigindo sozinha nas estradas, os dois manifestavam suas preocupações e davam muitos conselhos para a motorista.

Aqui entram a faca e o boné.

A faca de churrasco foi um presente que dei para o meu pai, churrasqueiro da família e do melhor churrasco. Diferente da faca tradicional que ele usava, a que o presentei era uma faca estilizada, com cabo de couro etc. Quando eu comecei a viajar para o doutorado, ele chega pra mim com a faca:

- leva com você, coloca no porta luvas do carro. Vai que você precisa.

- pra que pai, nem sei usar uma faca

- ué, pode precisar pra cortar uma laranja, uma corda...

- tá bom, pai.

 

Entendi o que ele queria dizer, era, no fundo, pra me proteger. Assim, a faca de churrasco com sua bainha de couro morou por anos dentro do porta-luvas de cada carro que tive. Nunca foi usada, mas estava lá e de certa forma, isso o tranquilizava.

O boné foi indicação do tio Sid, num almoço de família.

- menina, perigoso dirigir na estrada sozinha até Florianópolis.

- fica tranquilo tio. Penso assim, vou de Maringá a Apucarana, Apucarana Ponta Grossa, Ponta Grossa Curitiba, Curitiba Joinville,  Joinville Camboriu e  Camboriu Florianópolis. Pronto Cheguei,

- tá bom, mas, pelo menos, põe um boné nessa cabeça pra esconder o cabelo e pensarem que é um homem.

 

Dei risada e falei pra ele  ficar tranquilo que eu era cuidadosa na estrada e não dava bobeira, só parava pra abastecer. Sempre andei com os cabelos presos devido ao  calor  e a cabeleira, mas não usei o boné, ia esquentar mais ainda. Quando tinha almoço de família e ele sabia que eu ia viajar, sei que ficava preocupado. Na chegada, eu telefonava pra ele, ainda não havia celular.

- Cheguei, tio Sid.

- Graças a Deus

Quando eu contava  esses episódios, algumas pessoas diziam que isso era machismo, pois eles não fariam a mesma coisa se eu fosse um homem.

Certamente, pela geração deles e pela sociedade que viviam, eram machistas como muitos e muitas de nós, que nos descontruímos todos os dias na busca de uma sociedade, na qual mulheres e homens sejam tratados da mesma forma em direitos e obrigações.

Mas, pra mim, que recebia todo esse carinho, eu via como muito amor por parte deles, tanto que os chamava de meus dois pais. Privilégio ter um pai e um segundo pai pra cuidar. Sempre ouvi os conselhos dos dois, que foram muitos. Alguns eu sorria, outros eu seguia.

No final das contas, não tive problemas na estrada e comemoramos a defesa do meu doutorado com um almoço em que eles estavam felizes pela conquista da “menina” e por ela parar de “pegar a estrada”.

Mal sabíamos que quatro anos depois, num intervalo de apenas seis meses, os dois iriam embora antes do combinado, acometidos por doenças.

Nossos amores.

 

segunda-feira, 9 de março de 2026

Dia Internacional da Mulher: Maringá reúne centenas de pessoas em Ato contra o feminicídio

                                                                                          

A gravidade da situação com os dados alarmantes de feminicídios levou a protestos pelo fim da violência contra a mulher por todo o Brasil, no dia 08 de março, tanto nas capitais como nas cidades polos de regiões.

Em Maringá, centenas de pessoas se reuniram na manhã de domingo, no Ato público “Todos por todas” convocado pelo Fórum Maringaense de Mulheres em apoio ao Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio. A concentração para o ato público foi realizada na Praça Rocha Pombo.

No convite divulgado pelo Fórum Maringaense de Mulheres foram reproduzidos os dados de feminicídios e agressões contra as mulheres: “. De acordo com o Planalto do Governo, em 2025, a Justiça brasileira julgou, em média, 42 casos de feminicídio por dia, totalizando 15.453 julgamentos, um aumento de 17% em relação ao ano anterior. No mesmo período, foram concedidas 621.202 medidas protetivas, o equivalente a 70 por hora, segundo o Conselho Nacional de Justiça. Já o Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, coordenado pelo Ministério das Mulheres, registrou, em média, 425 denúncias por dia em 2025.”

Além das manifestações das entidades do movimento de mulheres, representantes do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Maringá e grupos de mulheres de partidos políticos presentes no ato público em Maringá, três apresentações foram realizadas: o jogral de combate à violência contra a mulher, a roda de capoeira do grupo Salve as Marias e a batucada feminista da Marcha Mundial das Mulheres.

Sob a palavra de ordem Basta de Feminicídio, gritos de “Pela vida das mulheres e das meninas”, dentre outros, o público presente realizou caminhada pela feira livre da Avenida Mauá. Nas mãos, as manifestantes carregavam cruzes brancas, chamando a atenção e recebendo apoio das pessoas que circulavam pela feira.

Foto: Início da caminhada pelo Basta de Feminicídio.


As ações de apoio ao Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio englobaram, além do ato público, a série de vídeos “Todos por todas” com a chamada de  homens pelo fim da violência contra a mulher. Os vídeos foram postados, durante a semana, no instagram do FMM:@forummaringaensemulheres, no qual, também, poderão ser encontradas as fotos do Ato Público.

Ao final da caminhada, a presidente do FMM, Vera Nogueira, agradeceu a todas as pessoas que contribuíram para a realização das atividades e convida toda a comunidade a continuar atenta e fortalecer o combate ao feminicídio.

Novos eventos serão realizados durante o mês de março pelas entidades que compõem o Fórum Maringaense de Mulheres.

 

Foto: Hortensia Franco.

 (Tania Tait, 08/03/2025)

quinta-feira, 5 de março de 2026

O uso das cores na política

Em nossas vidas, as cores sempre possuíram um significado relevante, seja nas vestimentas, seja na identificação das emoções, alegrias ou tristezas. Além desse lado, as cores, também são utilizadas para identificar os movimentos sociais e políticos. Assim, tem-se as cores utilizadas pelo movimento negro, lgbtqia+, identificação de autismo, meio ambiente, mulheres, indígenas, partidos políticos,  dentre vários usos.

Aqui, vamos tratar sobre duas cores específicas: o vermelho e o lilás. A primeira, a cor vermelha, ligada aos partidos políticos e movimento sindical e, também,  presente em muitas bandeiras oficiais de países. A segunda, a cor lilás usada pelo movimento feminista e pelo movimento organizado de mulheres, em geral.

O simbolismo das duas cores se tornou tão forte que cada corrente ideológica busca apagar ou depreciar a cor do outro.

Vejamos o vermelho. Historicamente, associado a rupturas de governos monárquicos, como na França e nos EUA (cuja bandeira tem as cores vermelho, branco e azul), o vermelho passa, com o decorrer do tempo, a ser vinculado ao comunismo, ao socialismo e às lutas sindicais dos trabalhadores e trabalhadoras.

Em heráldica – a ciência que estuda os brasões – o vermelho simboliza resistência e coragem; o branco remete à pureza e à inocência; e o azul representa vigilância, perseverança e justiça. (https://www.todamateria.com.br/)

Além de terem representado, anteriormente, o vínculo entre o povo e a monarquia, na França, as mesmas cores passaram a representar o lema da Revolução Francesa: “liberdade, igualdade, fraternidade”, na derrubada da monarquia.

Uma outra interpretação indica que o azul representa o poder legislativo; o branco, o executivo; e o vermelho, o povo.

Enfim, as bandeiras dos EUA e da França continuam usando as mesmas cores, inclusive o vermelho. Simbolicamente, o vermelho representava o símbolo da igualdade e a luta contra as aristocracias inglesa e francesa, respectivamente.

Por fim, a cor vermelha foi adotada pelos partidos comunistas e socialistas, como símbolo de solidariedade, a união dos trabalhadores e a busca por um mundo melhor. E, na atualidade, a cor vermelha está presente, mundo afora, nas manifestações da classe trabalhadora e no movimento sindical, nas lutas por democracia, direitos políticos, dentre outros.

Com relação à cor lilás, após décadas ouvindo que o movimento feminista atrapalha a luta de classes, as feministas se desvincularam do vermelho, mesmo comungando das ideias dos partidos de esquerda. Dessa forma, várias feministas adotaram a cor lilás, como uma nova síntese entre as cores azul e rosa. 

Uma narrativa história coloca que o lilás foi utilizado pelas sufragistas inglesas, antes, em 1908, junto com outras duas cores, como símbolo de sua luta. Estas lutadoras pelo direito de voto escolheram o lilás, o verde e o branco. O lilás se inspirava na cor da nobreza inglesa, o branco simbolizava a pureza da luta feminina e o verde a esperança da vitória.

Na atualidade, o movimento feminista adota a cor lilás como símbolo de luta, resistência, contra o machismo, contra o patriarcado, por direitos iguais e pelo fim da violência contra a mulher. Algumas correntes ideológicas do movimento feminista, combinam o uso do  vermelho e lilás, pela associação da luta pelos direitos da classe trabalhadora e pela igualdade das mulheres. Quem não se lembra do constante ataque ao movimento feminista com a valorização da cor rosa para meninas, relacionado ao papel de recatada e do lar para as mulheres e da cor azul para meninos, notadamente divulgada por partidos de direita e de extrema-direta?

Na política em geral, essas duas cores são vistas de duas formas. A direita quer apaga-las e a esquerda e o movimento feminista continuam reforçando seu uso simbólico como luta pelos direitos.

No Brasil, essa simbologia aparece nas manifestações públicas, nos prédios públicos, nas roupas, nos folhetos, enfim, em todo material usado por cada corrente ideológica.  Partidos de extrema-direita tentaram até sequestrar a bandeira do Brasil, nas cores verde e amarela, mas a bandeira é de todo o povo brasileiro, então não tem mais colado esse sequestro.

Até agora, nenhum governo federal, seja de direita ou esquerda ou centro, após a abertura democrática, propôs mudar a bandeira do Brasil, mesmo o verde e amarelo tendo sido usado com banho de sangue no governo da ditadura militar ou incentivo ao ódio aos contrários, por governos recentes.

Nas cidades, o uso político das cores não é diferente. Especificamente em Maringá, no início dos anos 2000, vimos um governo democrático popular usar as cores da bandeira do município (vermelho, amarelo e branco) na pintura de escolas e outros prédios públicos. O governo seguinte, considerado como de direita ou centro, mudou todas as cores para o verde, depois outro prefeito mudou para azul. A pintura na Secretaria da Mulher de Maringá é um exemplo claro da mudança ideológica, com novas cores, à mercê de cada governante. Ela já foi pintada de lilás e roxo em governos anteriores, agora, está na cor rosa. Não é por acaso, é método de apagamento de uma cor, o lilás, que incomoda por ser vinculado ao movimento feminista.

Obviamente, muitos prefeitos usam, também, nos prédios públicos, as cores de seus partidos políticos, mesmo criticando o prefeito que usou as cores da bandeira do município por ter a cor vermelha.

Essa narrativa do uso das cores pode parecer bobagem, mas não é. Ao salientar ou apagar as cores, a mensagem chega até a população que passa a menosprezar uma cor em detrimento da outra e, perfeitamente, relacionar com determinadas ideologias.

Por fim, muitos esquecem que as cores tem significado e impactam nas decisões. Muitos esquecem que as cores carregam uma história, seja de qual ideologia for. Portanto, as cores são importantes sim!!!



                                           Fonte da iamgem: Internet

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Todos juntos por todas: O Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio



No dia 04 de fevereiro, foi lançado o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, com a união dos Três Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. A iniciativa partiu do Presidente Lula em face do aumento dos feminicídios no Brasil, onde foram assassinadas quatro mulheres por dia, no ano passado.

O Feminicídio, antes não qualificado e nem contabilizado nas estatísticas passa a fazer parte do cenário legal e de mobilização social no Brasil, a partir da lei 13.104, aprovada em 09 de março de 2015, a qual altera o Código Penal com a inclusão do crime de feminicídio, detalhando penas maiores quando a mulher está em situação de vulnerabilidade (meninas e idosas).

A partir desta alteração, o crime de feminicídio passa a ser qualificado como crime contra a mulher por razões da condição de sexo feminino. Também, a lei considera como razões de condição do sexo feminino: a violência doméstica e familiar e o menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

Entretanto, apenas a publicação da Lei do Feminicídio não inibiu esse crime bárbaro que acontece tanto dentro dos relacionamentos privados como na supressão do direito de ir e vir das mulheres. Homens que não aceitam o fim do relacionamento ou que querem se apropriar dos bens da mulher, estão entre os criminosos.

De acordo com o Planalto do Governo, em 2025, a Justiça brasileira julgou, em média, 42 casos de feminicídio por dia, totalizando 15.453 julgamentos, um aumento de 17% em relação ao ano anterior. No mesmo período, foram concedidas 621.202 medidas protetivas, o equivalente a 70 por hora, segundo o Conselho Nacional de Justiça. Já o Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, coordenado pelo Ministério das Mulheres, registrou, em média, 425 denúncias por dia em 2025.

Ao mesmo tempo que existe uma estrutura de combate à violência contra a mulher, protegendo-as, há um problema social grave que ainda persiste nos homens que ser consideram donos dos corpos e mentes das mulheres.

Sempre houve um silêncio na sociedade pautado no lema: “Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colar” ou dizeres preconceituosos culpabilizando a vítima da morte ou do ataque sofrido, com frases do tipo: “o que estava fazendo ali andando sozinha”, “que roupa estava usando”, “ela procurou”, dentre outras frases desqualificadoras para justificar o crime e o criminoso.

Assim, o senso comum finge esquecer que o estuprador estupra mulheres bebês com fraldas, idosas, filhas, irmãs, esposas, netas, sobrinhas, empregadas...não importa o local nem a roupa, nem a idade. E a sociedade, de modo geral, continua fingindo não ver quando uma mulher é agredida ou morta dentro do próprio relacionamento.

Campanhas recentes têm chamado a atenção dos homens para sua responsabilidade diante da violência contra a mulher, mas nem isso tem inibido os feminicídios.

Portanto, ao tomar a iniciativa de se comprometer com o combate ao feminicídio, o Presidente Lula desencadeia uma cobrança para toda a sociedade brasileira, ao integrar os três poderes e lançar em conjunto o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio.

O pacto tem como objetivos acelerar o cumprimento das medidas protetivas, fortalecer as redes de enfrentamento à violência em todo o território nacional, ampliar ações educativas e responsabilizar os agressores, combatendo a impunidade.

O acordo também prevê compromissos voltados à transformação da cultura institucional dos três Poderes, à promoção da igualdade de tratamento entre homens e mulheres, ao enfrentamento do machismo estrutural e à incorporação de respostas a novos desafios, como a violência digital contra mulheres.

Para garantir a efetividade das ações, o pacto institui uma estrutura formal de governança, com a criação do Comitê Interinstitucional de Gestão, coordenado pela Presidência da República. O colegiado reunirá representantes dos três Poderes, com participação permanente de Ministérios Públicos e Defensorias Públicas, assegurando acompanhamento contínuo, articulação federativa e transparência.
Pelo Executivo, integram o comitê Casa Civil, Secretaria de Relações Institucionais e os ministérios das Mulheres e da Justiça e Segurança Pública.

Desta forma, como medidas concretas, o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio estabelece:

·         Medidas protetivas mais rápidas e que funcionem de verdade
Menos tempo entre a denúncia e a proteção efetiva da mulher. A ideia é que decisões judiciais, polícia, assistência social e rede de acolhimento passem a agir de forma coordenada, sem “empurra-empurra”.

·         Estado inteiro olhando para o mesmo caso
Executivo, Legislativo e Judiciário e órgãos de controle compartilham informações e acompanham os casos de forma integrada, do pedido de ajuda até o desfecho, reduzindo falhas que hoje colocam mulheres em risco.

·         Mais prevenção antes da violência virar morte
Campanhas permanentes, educação para direitos, capacitação de agentes públicos e ações para mudar a cultura de violência — inclusive envolvendo homens como parte da solução.

·         Agressores responsabilizados com mais rapidez
Processos mais céleres, menos impunidade e respostas mais firmes a quem descumpre medidas protetivas ou comete violência.

·         Atenção especial a quem corre mais risco
Foco em mulheres negras, indígenas, quilombolas, periféricas, do campo, com deficiência, jovens, idosas e moradoras de áreas remotas ou em maior vulnerabilidade.

·         Resposta a novas formas de violência
Enfrentamento da violência digital, como perseguição, ameaças e exposição online, que muitas vezes antecedem agressões físicas.

·         Cobrança pública de resultados
Relatórios periódicos, metas e prestação de contas: o pacto não fica só no anúncio — ele cria obrigação de mostrar o que está funcionando e o que precisa mudar.

Espera-se que a união dos três poderes e as medidas anunciadas no Pacto Brasil contra o Feminicídio contribuam para eliminar a triste escalada dos feminicídios no país.

Que o exemplo do Presidente Lula de se juntar na defesa das mulheres em situação de violência seja seguido pelos brasileiros, com o fortalecimento, na prática, do lema “ TODOS JUNTOS POR TODAS”.

 

Fonte para dos dados sobre o Pacto Brasil contra o Feminicídio: https://www.gov.br/gestao/pt-br/assuntos/noticias/2026/fevereiro/tres-poderes-da-republica-se-unem-em-pacto-historico-para-enfrentamento-ao-feminicidio-no-brasil


                                                                                                                    Tania Tait (10/02/2026)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Encontro Nacional de Mulheres do PT fortalece a organização das petistas para 2026

Foto: Encerramento do 14. Encontro Nacional de Mulheres do PT, 01/02/2026

O 14. Encontro Nacional de Mulheres do PT aconteceu de 30 de janeiro  de 2026 a 01 de fevereiro de 2026 em Luziânia – Goiás e contou com mais de 700 representantes dos Estados Brasileiros. A delegação do Paraná contou com 18 delegadas representando todas as regiões do Estado. Dentre elas, a vereadora Miss Preta, Vice-presidente do PT Paraná, a Secretária Estadual de Mulheres do PT, Marilda Ribeiro e a Secretária Municipal de Mulheres do PT de Maringá, Márcia Bianchi.   

O slogan do 14. Encontro Nacional de Mulheres do PT ressaltou três ações relevantes pra todas: “Organizadas, resistimos; Unidas, transformamos o poder e vivas nos queremos”.  Ações que englobam a atuação das mulheres na política de modo geral, a atuação dentro da estrutura partidária, a participação nos espaços de poder,  no combate ao Feminicídio e à toda forma de violência contra a mulher.

 Assim, temas relevantes como a ocupação dos espaços de poder, ações pela paz e desarmamento, pela justiça climática, o cuidado com quem cuida, os direitos reprodutivos e sociais, o combate ao feminicídio e o combate à violência contra a mulher, formação política, estrutura partidária, comunicação, o fortalecimento do feminismo, entre outros foram tratados nos três dias do evento.

Uma das plenárias trouxe a pesquisa realizada em parceria entre o Sesc São Paulo e a Fundação Perseu Abramo“: Mulheres e gêneros nos espaços Público e Privado” e Eleições 2026: Sem mulheres, não há vitória” (https://fpabramo.org.br/pesquisas/pesquisa-noppe/mulheres-brasileiras-e-genero-nos-espacos-publico-e-privado-3a-edicao/) A pesquisa mostra a necessidade de enfrentar a violência de gênero e ampliar a participação das mulheres nos espaços de poder.

No encontro, também,  foram aprovadas propostas para aprimorar o acesso das mulheres nos espaços de decisão, as quais serão encaminhadas para o 8. Congresso do PT que será realizado de 23 a 26 de abril de 2026.  

Além das discussões sobre a participação das mulheres, as eleições 2026 e a reeleição do Presidente Lula, as representantes elegeram a Secretária Nacional de Mulheres do PT, Mazé Morais para a gestão 2026-2030.  bem como o coletivo nacional composto por 18 representantes. O Paraná passa a integrar o coletivo nacional com representação da maringaense Tania Tait, pela regional sul.

Na avaliação geral, houve consenso que o 14. Encontro foi um sucesso ao apresentar propostas concretas da atuação feminina bem como a certeza de que unidas, as mulheres são mais fortes! A reeleição do Presidente Lula esteve presente nas discussões, salientando as políticas públicas e sociais, a defesa da democracia e o fortalecimento da soberania do Brasil.


 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Lembranças de uma adolescente maringaense



Como toda adolescente, tenho as lembranças dos passeios pela cidade, do Parque do Ingá, da pista de patinação, dos passeios na Av. Herval, da sorveteria Espucreme, dos cinemas, das andanças de bicicleta, do treino de natação no Clube Olímpico, entre tantas. Talvez pelo privilégio de morar na área central da cidade, eu tenha algumas lembranças distintas de quem morava nos bairros mais afastados.

Mas, além das lembranças juvenis, eu tenho outras, as quais eu não compreendia muito bem na época, mas que me incomodavam. Destaco algumas: a frase “Brasil, ame-o ou deixei-o”; o desvio do assunto de um professor em sala de aula, as notícias estranhas do Jornal Nacional, meu pai contar que sumiram pessoas em Maringá e a interpretação das músicas nas aulas de português.

Maringá está situada no norte do Paraná, conta, atualmente, com mais de 400 mil habitantes e fez 78 anos. Entretanto, na minha infância e adolescência, a cidade era considerada pequena, jovem e praticamente todo mundo se conhecia. Ao olhar para o passado, parece incrível pensar que aqui existiam pessoas que discordavam do governo da ditadura militar (de 1964 a 1985) e atuavam contra ele. Mas, elas existiram e muitas pesquisas narram essa parte da história da cidade, inclusive com relação as mulheres que atuaram neste campo, as quais narro no livro “as mulheres na luta política” (Editora CRV, 2020).

Voltemos às lembranças da adolescência. Nitidamente, me vem à mente, as fitinhas com a frase “Brasil, ame-o ou deixe-o”, embalada pela música “Eu te amo meu Brasil”, composição de Dom, da dupla Dom & Ravel e lançada pela banda Os Incríveis, em  1970. A música foi criada como hino da Copa do Mundo, mas foi usada como propaganda pelo governo da ditadura militar.

A segunda lembrança, já no primeiro ano do ensino médio (na época, chamava científico), o professor pediu pra lermos a Constituição Federal Brasileira. Na leitura, encontrei a eleição pra governador e me chamou atenção. Na aula, perguntei pra ele por que os governadores não eram eleitos se estava na Constituição. Ele desconversou, ficou vermelho e não respondeu. Na época, eu não entendi que se ele comentasse, corria o risco de ser preso. O ano era 1976. Fui pesquisar por conta própria e encontrei que: “o governo  militar, instituído em 1964, proibiu o voto direto para presidente da República e representantes de outros cargos majoritários, como governador, prefeito e senador”.

Talvez percebendo meu interesse juvenil por política e como eu ficava brava assistindo o Jornal Nacional, chamando as notícias de mentirosas, meu pai contava que sumiram pessoas na região de Maringá, que eram contra o governo. Segundo ele, professores, jornalistas e sindicalistas simplesmente desapareciam e ninguém sabia deles. Na época, minha mãe me proibiu de assistir o jornal, pois segundo ela, eu ficava muito nervosa. Tenho a impressão que os dois combinavam o que fazer com a filha estudiosa e curiosa, “perguntadeira” demais.

As músicas sempre fizeram parte da minha vida, as festas da família sempre eram regadas à música, cantadas e ensinadas pela minha avó Marianna. Portanto, o interesse pela interpretação dos textos das músicas foi natural e me encantou ser apresentada ao Chico Buarque. Lembro a primeira vez que li: “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia”. Não era recado pra uma mulher, era pro governo da ditadura militar.

Então, foi assim, uma adolescente que usava óculos desde os cinco anos de idade, andava de bicicleta e nadava, gostava dos livros e das músicas, observou o mundo ao seu redor e, nas entrelinhas do cotidiano, entre as danças nas tardes de domingo nas casas de amigas, percebeu que alguma coisa não estava certa, pois havia um certo medo pairando no ar do mundo dos adultos.

Anos depois, com tristeza, ela conheceu a história e viu que sua impressão estava certa. O medo que pairava no ar fazia sentido.