Dados divulgados, recentemente, apontam que dos 594 parlamentares que compõem o Congresso Nacional, 273 são empresários e 160 são fazendeiros, totalizando 72% das cadeiras ocupadas por representantes desses setores. (https://lermais.com.br/congresso-dominado-empresarios-e-fazendeiros-ocupam-72-das-cadeiras-2/) Outro dado demonstra que, também, menos de 20% das cadeiras no Congresso são ocupadas por mulheres.
Essa
concentração de lideranças ligadas ao empresariado e fazendeiros, homens
brancos, conservadores e ricos, em sua maioria, torna-se um desafio para as
pautas necessárias para o conjunto da população, tais como as políticas públicas
de moradia, educação e saúde e condições de trabalho, combate à violência
contra a mulher, contra o racismo e contra homofobia e, também, na defesa do
meio ambiente. Muitas dessas políticas públicas deixam nítida a postura desse
grupo dos deputados na Câmara, notadamente com votos contra os interesses da
maioria da população. Não se trata, portanto, apenas de uma posição ideológica,
pois muitos destes deputados consideram que as políticas públicas, mesmo de
interesse nacional, vão contra seus interesses econômicos e financeiros
particulares.
Essa
situação da concentração de eleitos/as da classe empresarial é reproduzida,
também, nas câmaras municipais e assembleis legislativas estaduais. No
executivo (prefeituras, estados e governo federal), a situação não é diferente,
temos poucas prefeitas e governadoras e tivemos apenas uma mulher na
Presidência da República.
Além
de se candidatarem pra defender suas mordomias, classe social etc e viver às
custas do Estado que tanto atacam, os empresários e fazendeiros eleitos
defendem o sistema como está ou apresentam projetos pra penalizar a classe
trabalhadora, aqui incluídos a classe média assalariada e profissionais
liberais ou autônomos, os quais não se enxergam como trabalhadores/as. Um
exemplo é a redução de jornada de trabalho para 5x2 (cinco dias trabalhados
para dois dias de descanso), a qual gera polêmica com alegações equivocadas de
quebra econômica, incentivo à vagabundagem de trabalhadores se a nova escala de
trabalho for aprovada ou, ainda, absurdos como bolsa patrão para compensar a
suposta perda econômica.
Pela
legislação eleitoral, todos e todas, maiores de idade, podem se candidatar,
independente de sexo, religião, raça, etnia ou posição ideológica. (https://www.jusbrasil.com.br/artigos/quais-os-requisitos-necessarios-para-se-concorrer-a-uma-eleicao-no-brasil/1150140742) No entanto, pra fazer campanha,
mesmo existindo fundo eleitoral, a pessoa candidata precisa de tempo e
dinheiro. Exatamente nessa necessidade de tempo e dinheiro que as diferenças
começam na largada eleitoral, inclusive na chamada “pré-campanha” que na
prática, é campanha eleitoral.
Quando
alguém da classe trabalhadora se candidata, se não for demitido por ser de
outra posição ideológica diferente do patrão/patroa, não terá licença e só
poderá fazer campanha no período que sobra e nos finais de semana. Ao
contrário, o empresário ou empresária (ou fazendeiro ou financiados por eles) que
se candidata poderá fazer campanha quando e como quiser.
Então,
na corrida eleitoral, trabalhadores e trabalhadoras saem em desvantagem e com
muitos obstáculos à frente, desde a largada, pois além de buscar votos,
precisam cumprir suas obrigações no mundo do trabalho para sobreviver.
Destaca-se que as mulheres saem em mais
desvantagem do que os homens, pois lidam com a dupla jornada de trabalho e ao
incluir a política, se sobrecarregam ainda mais, além do preconceito e da
violência política que sofrem.
Esse
desequilíbrio de representação na política reforça distorções existentes na
sociedade para as ações de igualdade e se torna um desafio para a democracia
pois, ao mesmo tempo que as pessoas podem se candidatar e serem eleitas, a
maior parcela da população tem mais dificuldade e menos visibilidade para ser
eleita para um cargo legislativo ou executivo.
Isso
precisa mudar!
