Para compartilhar idéias!







terça-feira, 21 de setembro de 2021

Descontinuidade administrativa: quem paga somos nós!


Quando cursei doutorado, estudei sobre sistemas de informação no setor público e me deparei com o tema descontinuidade administrativa. A partir daí,  comecei a observar mais a situação.

As referências eram direcionadas aos administradores que assumem os governos e mudam as marcas, programas e projetos. Com o intuito de apagar a imagem do gestor anterior trocam a marca do setor nas obras, nos programas etc. Às vezes, chegam a cancelar os programas anteriores que davam certo trazendo melhorias para a população.

Essa troca toda gera gastos, pagos com nossos impostos, ou seja, nós quem pagamos por esse gasto desnecessário, mas que na política é extremamente comum.

Um exemplo emblemático dessa situação são as construções na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Mantida pelo governo do Estado, as obras paradas chamam a atenção de que passa pela UEM. Anos a fio, os esqueletos dos prédios continuam por lá, sem continuidade, sem explicação. Apenas estão lá, misturados a paisagem.

Quando, se por ventura, essas obras forem concluídas, muitas partes terão de ser refeitas, ocasionando assim mais gastos do que os previstos inicialmente.

Seja com financiamento da Caixa Econômica, do BNDES, ou qualquer outra, no final das contas, quem paga a conta é o povo.

As fotos são do campus da UEM. A construção seria a Casa do Estudante e está assim por muitos anos. Fotos tiradas em 18/09/2021

 

domingo, 19 de setembro de 2021

Pés de frango: uma afronta ao povo brasileiro


 Nem sei explicar o sentimento que deu quando vi essa exposição de pé de frango no mercado. Lembrei que antigamente o pé de frango era usado pra sopa. As pessoas nem compravam, muitas vezes ganhavam os pés de frango. Chega a ser ofensivo e cruel, uma mercado colocar esses pés a venda. Parece que estão rindo da cara do povo brasileiro que anos atrás podia escolher o que comer. Tem mais uma cena triste: pessoas pedindo esmola nas portas dos mercados, além dos semáforos.

Como pudemos regredir tanto?

Quer saber, nem quero ouvir falar em terceira via. Vou de Lula 2022. Sei como era e sei como está agora. 

 #Lula2022

@lulaoficial 

@maringacomlula

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

As Fake News na pandemia e a exclusão digital


 

O contexto social que marca a atualidade desde o início do ano 2020 é a crise sanitária, econômica e política provocada e aumentada pela pandemia da Covid-19. Trata-se de uma pandemia que assombrou o mundo e trouxe à vida das pessoas o medo da morte, os cuidados contra o contágio e a necessidade de vacina. Governos do mundo todo se alinharam no combate ao novo coronavírus com esforços para conter sua propagação.

Infelizmente, esse combate ao coronavírus não aconteceu da mesma forma em todos os países. O Brasil é visto como um exemplo mundial de negacionismo no combate a doença tendo como principal protagonista o próprio Presidente da República (O ESTADÃO, 2021). O negacionismo com a recusa em usar máscaras, promover a aglomeração, atrasar a compra das vacinas foram medidas tomadas pelo governo federal acompanhadas por uma rede de notícias falsas (as famosas Fake News) que causam desinformação, distorção dos fatos e levaram milhares de brasileiros e brasileiras à morte pela doença.

Para o Projeto Eleições sem fake (UFMG, 2021): “É razoável supor que uma campanha de desinformação maliciosa pode tentar maximizar o público alvo de uma história falsa compartilhando-a em grupos públicos existentes no Whatsapp”.

Além das demais plataformas de redes digitais sociais, a plataforma Whatsapp cria grupos e faz com que as mensagens cheguem individualmente para cada pessoa. O fato de chegar de forma privada e individual impede a investigação do alcance dessas notícias diferente do que acontece em redes como Facebook ou Instagram que estão visíveis, senão ao público geral, ao menos para o público do contato.

No contexto da pandemia, os exemplos apresentados no relatório da Pesquisa do Monitor do Debate Político no Meio Digital (Monitor Digital, 2021) são assustadores com relação à disseminação de notícias falsas que negam a doença ou sugerem não ser necessárias práticas de higiene.

Ao realizar uma análise dos exemplos apresentados pode-se trazer à tona os elementos tratados por Méo (2021) tais como a exclusão digital e os aspectos cognitivos e linguísticos.

No tocante à exclusão digital, agravada durante a pandemia (REDE BRASIL ATUAL, 2021) tem uma das formas de sua expressão que é o analfabetismo digital combinado no Brasil com o analfabetismo funcional (Todos pela educação, 2018) que faz com que as pessoas não compreendam um texto e executem apenas as operações básicas.

Dessa forma, um dos aspectos da exclusão digital, o aspecto linguístico indica que: “nos conteúdos mais precisos e abrangentes em inglês, quem não domina o idioma, fica sem saber. Em português somente escrito, quem não domina a leitura não compreende a mensagem” (MÉO, 2021).

As fake news articuladas por grupos que as usam, principalmente, de forma política (GLOBO, 2020), sabem como influenciar essas pessoas fazendo com que elas acreditem nas mentiras propagadas e, também, as disseminem como se fosse verdade. Se a pessoa está enquadrada na categoria analfabeto funcional, dificilmente, ela irá pesquisar para saber a veracidade do fato apresentado.

 

Para conhecer mais sobre o tema indico os textos abaixo que foram usados para compor um trabalho de uma disciplina do curso de jornalismo:

GLOBO. Inquérito das fake news: veja quem são os investigados e como funcionaria estrutura. Reportagem no O Fantástico. 14 min Exibição em 31 mai 2020

Disponível:

https://globoplay.globo.com/v/8593057/?fbclid=IwAR0ke_t9jZNT4TlJeEUuZ2Hf4ZMESE8wq52Sb4t7IxKqWSenZgWTMV_BPZ8

Data de acesso: 29/06/2021

MÉO, Izabel. Gestão das Mídias Digitais. Slides 2, Unidade 1. Material Didático. Maringá: Uninga, 2021.

Monitor Digital. Projeto Monitor digital no debate político.

https://www.facebook.com/monitordodebatepolitico/

Data de acesso: 30/06/2021

 

O ESTADÃO. Bolsonaro está na contramão do mundo no combate à Covid. 22/02/2021.

Disponível: https://www.estadao.com.br/infograficos/politica,bolsonaro-esta-na-contramao-do-mundo-no-combate-a-covid-19,1154756

Data de acesso: 29/06/2021

Rede Brasil Atual. Exclusão digital no Brasil se agravou durante a pandemia. 01/04/2021

Disponível:

https://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2021/04/exclusao-digital-no-brasil-se-agravou-durante-a-pandemia/

Data de acesso: 29/06/2021

 

Todos pela educação. 3 em cada 10 brasileiros não conseguem entender este texto. 12/11/2018.

Disponível: https://todospelaeducacao.org.br/noticias/inaf-3-em-cada-10-brasileiros-nao-conseguiriam-entender-este-texto/

Data de acesso: 01/07/2021

 

UFMG. Projeto Eleições sem fake. Departamento de Ciência da Computação. Universidade Federal de Minas Gerais UFMG). 2021

Disponível: http://www.eleicoes-sem-fake.dcc.ufmg.br/?sction=home#members

Data de acesso: 30/06/2021

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Apoio à criação do Conselho Municipal LGBTI+ de Maringá

 Perguntas que me intrigam desde que a Câmara adiou a votação do Conselho LGBTI+ em Maringá, pressionada por religiosos e conservadores:

 
Se LGBTQIA+ tem obrigações por que não não pode ter direitos?
Se LGBTQIA+ paga impostos, por que não pode ter um Conselho de Direitos?
Se LGBTQIA+ sustenta família, por que não pode ter um Conselho LGBTQIA+?
Se LGBTQIA+ são maltratados na área de saúde e sofrem preconceito em todo lugar, por que não pode ter um Conselho de Direitos?
Se LGBTQIA+ pode constituir família, casar e adotar crianças por que não pode ter um Conselho de Direitos?
Se o Brasil é o país que mais mata trans no mundo, por que não pode ter um Conselho de Direitos?
 

 

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Marcha Mundial das Mulheres: Participação na reunião do Conselho da Mulher

Participei da reunião do Conselho Municipal da Mulher de Maringá  para apresentar sobre a Marcha Mundial das Mulheres. Na foto, com a presidente do Conselho, Profa. Dra. Crishna Correa (UEM) com o meu livro doado ao Conselho.





Orgulho de ser mulher

Em uma aula sobre a história das mulheres, apresentei uma série de símbolos utilizados no movimento feminista. Dentre eles, o “orgulho de ser mulher”. Algumas alunas comentaram a frase dizendo que já sentiram vontade de ser homem pela facilidade da vida deles. A partir daí começamos a conversar e refletir sobre o porquê da frase símbolo “orgulho de ser mulher”.

Lembrei da primeira vez que ouvi uma mulher dizer que se pudesse voltar à vida, queria voltar como homem e não como mulher. Eu era adolescente e fiquei intrigada com a frase. Por que ela queria voltar como homem? Pensava nas mulheres maravilhosas ao meu redor, minhas avós, minha mãe, minhas tias, minhas professoras, todas firmes em seus trabalhos e afazeres, cada uma com suas especificidades e talentos.

Não estamos tratando aqui sobre os casos das mulheres que não se sentem pertencentes ao seu corpo como mulher, sendo de todo direito poderem escolher o que as torna felizes, como todas as pessoas. Estamos falando das mulheres que preferiam ser homens pela condição social e a visão de que os homens podem tudo e as mulheres nada podem.

Fiquei muitos anos sem pensar nisso, mesmo ouvindo outras mulheres ao longo da vida falarem que preferiam ser homens por considerarem a vida deles mais fácil.

Quando conheci a frase “orgulho de ser mulher”, a incorporei imediatamente compreendendo que a vida dos homens é supostamente mais fácil por vivermos numa sociedade machista que impede as mulheres de se desenvolverem de forma completa como desejarem, sendo ou estando onde elas quiserem, amando e vivendo da maneira que as tornem felizes.

Portanto, a própria expressão de que queria voltar como homem inibe a luta em defesa dos direitos das mulheres, pois causa a sensação de que a vida tem de ser assim mesmo, com dificuldades para mulheres. Dificuldades que vão desde a sobrecarga das atividades domésticas a cargo apenas da mulher, aos salários menores, a violência contra a mulher, ao assédio moral e sexual.

Algumas mulheres salientam como problemas, os elementos relativos ao corpo da mulher tais como menstruação, gravidez, amamentação ou menopausa, os quais com atenção integral à saúde da mulher, acolhimento e cuidados podem se transformar em experiências maravilhosas e únicas.

Graças ao movimento feminista que trouxe a defesa dos direitos das mulheres, a igualdade entre mulheres e homens e a luta pelo fim da violência contra as mulheres, podemos nos expressar com orgulho de ser mulher, em todas as suas expressões. Somos mulheres negras, indígenas, brancas, ciganas, lésbicas, trans, héteros, portadoras de deficiência, mulheres dos campos e das florestas, ribeirinhas, trabalhadoras, sindicalistas, entre tantas outras, enfim, somos diversas, plurais e maravilhosas.

Assim, ao invés de esperar uma possível ou não volta como “homem”, transformemos o que consideramos empecilhos para as mulheres em ações para a igualdade  de direitos.

Também não posso voltar atrás no tempo da minha adolescência e falar para aquela mulher o que penso hoje, mas posso falar para todas as mulheres que se orgulhar de ser mulher significa empoderamento e, com isso, passar a exigir a igualdade entre mulheres e homens, aqui e agora.

Eu? Se pudesse voltar? Gostaria de voltar como mulher! 


 

  

 

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Lei Maria da Penha completa 15 anos

Promulgada em 07 de agosto de 2006 pelo então presidente Lula, a Lei 11.340/2006, chamada Lei Maria da Penha é considerada uma das três melhores leis do mundo no combate à violência contra a mulher.

Dois grandes pilares da Lei Maria da Penha: retirar a violência contra a mulher do âmbito privado tornando-a responsabilidade pública e tipificar a violência mexeram com a estrutura do setor público em atendimento às novas demandas no combate à violência contra as mulheres e a proteção às mulheres em situação de violência.

Assim, ao longo dos seus 15 anos, foram criados e aperfeiçoados serviços de prevenção e atendimento às mulheres em situação de violência, criadas estruturas no sistema judiciário, incluídos protocolos de atendimento na polícia e no IML (Instituto Médico Legal) , entre tantas ações que possibilitam proteção e amparo às mulheres e mais punição aos agressores.

Na transformação da máxima “Antes quem batia em mulher era covarde. Agora é criminoso”, o uso da lei possibilitou que muitas mulheres fossem salvas, inclusive da possibilidade de sofrerem o desfecho fatal em suas vidas por meio do feminicídio.

Ao combater a frase conhecida “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”, a Lei Maria da Penha colocou em xeque a dominação do homem sobre o corpo e a alma da mulher, possibilitando a criação de novas e facilitadas formas de denúncia sobre agressões, inclusive por meio de denuncias anônimas.

Existem ainda muitos desafios com relação à aplicação da Lei Maria da Penha, no entanto, o saldo desse aniversário de 15 anos é bastante positivo ao se verificar como os serviços foram ampliados e melhorados, como  muitas mulheres se fortaleceram para sair da situação de violência e como a Lei foi apropriada pelas mulheres como uma conquista a ser mantida.

Além da redução de verbas para o combate à violência contra a mulher por parte do governo federal, a falta de delegacias da mulher, a falta de Patrulha Maria da Penha, entre outras ações importantes, um dos grandes desafios é a qualificação para o atendimento humanizado às mulheres, por parte da área de saúde, do judiciário e da polícia. Exemplos de parceiras entre a sociedade civil organizada, universidade e prefeituras municipais começam a surgir para aperfeiçoar o atendimento às mulheres em situação de violência.

Ainda, no Brasil, muitas mulheres são desestimuladas a realizar boletins de ocorrência sobre a violência sofrida, são mal atendidas em IMLs, tem demora na expedição de suas medidas protetivas, entre tantas situações que as colocam em situação de desproteção diante do agressor. Por isso, a qualificação de todas as pessoas envolvidas se torna importante no fortalecimento da defesa da vida das mulheres.

Aliado a esses desafios, tem-se a necessidade de monitoramento da situação da rede de prevenção e atendimento para que sejam, cada vez mais, aperfeiçoados os serviços no combate à violência contra a mulher.

Enfim, a Lei Maria da Penha exige a contrapartida de todos  os setores envolvidos e da sociedade que, cumpre um papel fundamental ao fazer valer a Lei e “meter a colher”, sempre que for necessário para salvar uma vida de agressões e da morte.



 


segunda-feira, 26 de julho de 2021

Marcha Mundial das Mulheres visita a Secretaria da Mulher de Maringá

Nessa segunda-feira, 26/07, as representantes da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) em Maringá, Margot Jung e Tania Tait se reuniram com a Secretária de Políticas Públicas para Mulheres (Semulher), Terezinha Pereira.
Na reunião, as integrantes da MMM trataram sobre a realização do evento “Agosto Lilás”, uma atividade que ocorre em todo o Brasil, tendo como principal eixo o combate pelo fim da violência contra a mulher e a marca da data de 06 de agosto da promulgação da Lei Maria da Penha.
Para Terezinha Pereira, o apoio de um movimento respeitado internacionalmente como a Marcha Mundial das Mulheres vem fortalecer a luta pelo fim da violência contra a mulher em Maringá. Terezinha aproveitou a reunião para convidar a entidade a participar da atividade do dia 31 de julho promovida pela Semulher. A atividade é relativa ao “Dia estadual de combate ao feminicídio” em 22 de julho.
Para Margot Jung, a parceria entre os movimentos organizados de mulheres e o setor público é uma das ações apoiadas pela MMM que estará presente no dia 31 de julho na atividade promovida pela Semulher.
Também foi reiterado o apoio da MMM a que seja uma mulher no comando da Delegacia da Mulher em atendimento à Lei Maria da Penha, reivindicação feita tanto pela Semulher como pelo Fórum Maringaense de Mulheres. Tania Tait considera que a legitimidade dessa luta faz com que a MMM a leve, também, para discussão em nível estadual e nacional.
Ao final da reunião, todas as participantes confirmaram a necessidade da parceria entre setor público e movimentos sociais para o estabelecimento de políticas públicas para mulheres, pelo fim da violência contra a mulher e pelo fim de toda forma de discriminação.


 

quinta-feira, 22 de julho de 2021

O Museu Esportivo de Maringá em nossas vidas

Participei do lançamento do Museu Esportivo de Maringá (MEM) em seu lançamento como museu itinerante na antiga e saudosa Casa de Bamba. Naquele dia vi muitos ex-atletas, senhores e senhoras de cabelos brancos se reencontrando, alguns jovens, compartilhando momentos passados e se confraternizando. Alguns eu conhecia, outros conheci naquele dia.

Sempre fui ligada ao esporte, na adolescência como atleta de natação e de ginástica desportiva. Na vida adulta, como atividade física apenas. Com o namoro e o casamento com o Luis Antonio, ex-jogador do Grêmio (e de outros times, inclusive no sub-20 da Seleção Brasileira) a proximidade ficou maior.

Participei da inauguração do Museu no espaço físico atual. De lá pra cá, Luis e eu sempre procuramos participar das atividades.

A existência do MEM nos trouxe lembranças e propostas. Um grupo de ex-atletas de GRD – Ginástica Rítmica Desportiva, no qual me incluo, estávamos organizando junto com a professora Glória Soares Nakashima, falecida ano passado, a história da GRD  em Maringá, a começar com homenagem a professora Sara Machado Genaro (falecida em 2011) que trouxe a modalidade, sendo a primeira técnica na cidade. O MEM estava programado para ser o guardião, também, dessa história. O falecimento da professora Glorinha adiou essa programação.

Estou, também, como o material e fotos do meu tio José Luiz Tait, ex-árbitro de futebol para levar ao  MEM assim que for possível diante das restrições pela pandemia.

A minha participação no Museu me levou, rapidamente, a conhecer a turma toda de ex-atletas, profissionais, amadores ou apenas amantes do esporte. Por esse envolvimento, quando estive como Presidente do Conselho da Mulher e da Ong Maria do Ingá tive a oportunidade de convidar o Museu Esportivo de Maringá para participar da III Pedalada/ Caminhada pelo fim da violência contra a mulher.

Fui, então, chamada para uma reunião pelo criador e presidente do Museu, o jornalista Antonio Roberto de Paula para apresentar o evento organizado pelo Conselho da Mulher e pelo Fórum Maringaense de Mulheres.

Num sábado de manhã fui na reunião. Eu era a única mulher presente naquele dia. Expliquei qual era o objetivo da Pedalada/Caminhada e que seria muito importante para a luta pelo fim da violência a participação do MEM. Alguns deles comentaram sobre situações de violência que viram ou tinham ouvido falar. Fechamos o acordo para participar.

Assim, em uma manhã de sábado de novembro de 2019, estávamos nós, mulheres e os amigos do MEM juntos, lado a lado, chamando a atenção da cidade pelo fim da violência contra a mulher.

Nesse ano de 2021, uma ação de solidariedade do MEM nos fez pensar em unir forças novamente e por meio da ONG Maria do Ingá, nos reunimos na arrecadação de produtos de higiene e limpeza, principalmente absorventes higiênicos para famílias carentes em parceria com os vicentinos da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe. Novamente, os amigos do MEM compreenderam a importância da nossa solicitação, agora a respeito do absorvente higiênico pela dificuldade das mulheres adquirirem o produto diante da pandemia.

O que nos reúne como sociedade civil, amigos do MEM e movimento de mulheres é a solidariedade diante do sofrimento ocasionado seja por atos de violência contra a mulher ou por efeitos de uma pandemia. O fato é que nos unimos e criamos laços que, esperamos, possam nos levar a outras caminhadas em comum no futuro.

Pessoalmente, de tudo que presenciei e acompanhei nesses anos, penso que, além de resgatar e guardar a história do esporte maringaense, o MEM uniu pessoas em um objetivo comum, trouxe suas histórias e resgatou vidas. Sim, resgatou vidas. Sinto isso quando vejo o olhar brilhando tanto pela alegria de quem conta as histórias quanto pela alegria dos que ouvem. O MEM trouxe muitos brilhos de volta à vida e ao olhar dos que se aproximam.

Parabéns De Paula e equipe por seu empenho e por essa linda ideia tornada realidade.





 

terça-feira, 20 de julho de 2021

Meus avós italianos e a geada de 1975

 O frio intenso desse ano de 2021 trouxe à memória coletiva dos mais velhos aquele fatídico 18 de julho de 1975, cuja geada foi apelidada de “geada negra” pois queimava todas as plantas. Por sua vez, a imprensa sempre traz notícias referente aquele dia de inverno e a tristeza, que não cobriu apenas os campos de um tom branco frio, mas significou o fim de um ciclo de um produto agrícola na economia brasileira, mudou o futuro de muitas famílias e ocasionou uma nova migração do homem do campo para as cidades. Aqui podem ser lembrados, principalmente os pequenos agricultores e os trabalhadores rurais, numa época em que pouco ou nada se falava em seguro da lavoura ou direitos trabalhistas.

Individualmente, cada um(a) de nós que presenciamos aquele dia, seja como criança, adolescente ou adulto, carrega em si, uma memória.

Eu também tenho a minha memória daquele dia, compartilhada com minhas primas Rose e Regina. Era férias e como sempre, estávamos na casa dos “avós do sítio” como os chamávamos.

O vô Angelo Calvi e a vó Angela Bulla Calvi passaram a vida toda no campo, se conheceram numa colônia italiana no interior de São Paulo, se casaram, tiveram filhos e vieram para Maringá, em 1946, junto com uma leva de italianos. Vieram da Itália bebezinhos, de Trezano Rosa que é o que está no documento deles. Desembarcaram no Brasil, direto de Milão para São Paulo, no colo de seus pais.

Tenho muitas lembranças deles. Sempre com o sotaque italiano forte, a macarronada generosa, o bife na chapa do fogão de lenha, o suco de vinho que a vó Angela fazia pra nós (he he..vinho, água e açúcar e uma meninada toda de bochecha vermelhinha); do pão caseiro, do “qui qui” pra dar milho pras galinhas da vó Angela e seu lenço na cabeça, de nós netos rolarmos na grama dentro dos sacos de café (escondidos, claro), da carroça de passeio e da carroça de trabalho; dos bordados que a vó ensinava, da linguiça calabresa que o vô Angelo fazia, do pomar, do jardim de muitas flores...

Mas, a lembrança mais forte que tenho do vô Angelo é do dia daquela famigerada geada. É como se fosse um quadro, gravado na minha mente desde os meus 14 anos.

Na noite anterior, estávamos no mesmo quarto, as três primas, rindo muito alto. De repente a casa toda começou a rir, meus avós começaram a rir, meus dois tios que moravam com meus avós também. Até que o vô Angelo deu a sua bronca italiana,  mandou todo mundo ficar quieto e dormir que tinham que acordar cedo. A casa era nova, não me lembro quando foi construída. Sei que tinham desmanchado a casa anterior que era maior. Lembro bem da anterior, da disposição dos cômodos, do espaço, da família reunida na mesa da sala de jantar.

De manhazinha eu acordei com um câibra horrível na perna direita. Fazia muito frio. Olhamos pela janela, achando linda a grama toda branca coberta de gelo. Mas, quando vimos meu avô, lá fora, em pé, segurando o chapéu de lado, balançando a cabeça e com seus olhos azuis completamente entristecidos, paramos de rir. Compreendemos que alguma coisa estava errada.

Pouco tempo depois, os Irmãos Calvi venderam o sítio que ficava na Estrada Guaiapó. Meu avô comprou casas em Maringá com a parte dele, mudou para a Vila Morangueira. Em 1978, nos convidou para morar ao lado dele, em uma das casas. Meus pais aceitaram e viemos. Tive dificuldades pois era acostumada com a facilidade de morar no centro da cidade, com tudo à disposição. Naquela época eu descobri que eu era “a neta dos italianos” pra turminha de jovens da igreja.

Sempre encontrava os meus avós indo no mercado ou panificadora bem cedinho quando eu ia para o Colégio Gastão Vidigal. Eles andavam em fila indiana, revezando qual deles ia na frente. Eu brincava com eles: pode andar um do lado do outro na calçada, aqui não é carreador estreito do sítio. Eles riam, davam tchau e Deus te abençoe pra aula.

Meu avô disse uma vez que se sentia preso na cidade. Uma pessoa que nasceu, cresceu, viveu sua vida toda no campo, certamente sente saudades. Mesmo Maringá não tendo todo o trânsito que tem agora, era uma cidade com ruas, carros e movimento no final dos anos 1970.

E num dia no começo de 1979, meu avô fechou seus lindos olhos azuis e descansou. Eu desejava ter sido adulta em 1975, poder ajuda-lo naquela tristeza toda. Guardo aquela imagem dele olhando tristemente a grama branca, sempre com o pensamento de que, certamente, ele teria vivido alguns anos mais se não fosse aquela geada avassaladora.

Até hoje, com meus 60 anos de idade, quando algum estrangeiro ou estrangeira me chama de “Tánia”...sorrio pensando nos meus avós italianos como se ouvisse a voz deles. 



 

 

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Aumenta número de feminicídios, lesão corporal e importunação sexual em 2020

O Anuário da Segurança Pública publicado nessa semana apresenta dados de 2019 e 2020 sobre o aumento da violência no Brasil, os quais são de grande relevância para conhecer e avaliar o quadro da violência no país, em cada estado da federação e nas capitais.

Ao fazer um recorte nos itens violência contra a mulheres e contra crianças e adolescentes, os dados informados no Anuário mostram que 60,2% das mulheres mortas tem filhos; 79,9% das que são esfaqueadas ou morrem por tiro, tem filhos; 74,3% das mulheres que sofreram espancamento ou tentativa de estrangulamento, tem filhos; 70,9 % das mulheres que sofrem ameaça; ou seja, na maioria dos casos de violência doméstica contra a mulher, as crianças estão presentes.

Dado conhecido de quem atua na área de políticas públicas para mulheres, reforça a necessidade de atendimento humanizado e qualificado, como por exemplo, a existência das Casas Abrigo que acolhem as mulheres em situação de violência e permitem com elas, a permanência de crianças e adolescente.

Apesar dos dados serem frios, não mostrar nem a dor nem o sofrimento pelos quais passam as mulheres e as crianças, os dados podem permitir que sejam estabelecidas políticas públicas de enfrentamento à violência doméstica, com aumento de orçamento público para a viabilização dessas políticas.

Com relação aos homicídios de mulheres, foram 3.913 homicídios de mulheres em 2020, dos quais, 1.350 são considerados feminicídios. O próprio Anuário destaca a subnotificação dos casos de feminicídio tanto no registro da ocorrência como na análise judicial. O fato concreto é que 81,5% das mulheres assassinadas são mortas por seus companheiros ou parentes, ou seja 9 em cada 10 mulheres assassinadas. A maior taxa de feminicídio ocorre na faixa etária entre 18 e 30 anos.

A maioria dos feminicídios são cometidos com uso de arma branca, no entanto, o aumento de 100% no registro de porte de armas de fogo, que elevou o Brasil a números crescentes, chegando a 1.279.491 registros em contraposição aos 637.972 de 2017, se torna preocupante na medida em que as armas estarão dentro de casa ao alcance dos agressores.

Os demais dados são, também, alarmantes: 54% dos feminicídios acontecem dentro de casa; 61,8% das mulheres assassinadas são negras e houve aumento da importunação sexual. Os estados do Paraná e do Piauí foram os que tiveram aumento no caso de ameaças.

Com relação ao estupro, 60,6% das vítimas são vulneráveis e menores de 13 anos de idades e 86,9% das vítimas são do sexo feminino.  Sobre o estuprador: 85,2 são conhecidos das vítimas e 96,3 são do sexo masculino.

Houve aumento significativo nas ligações para o 190 sobre violência doméstica no Brasil como um todo, passando de 596.721 em 2019 para 694.131 em 2020. Não se pode esquecer que no período da pandemia, houve aumentos nas ocorrências de agressões contra as mulheres e crianças. No Paraná foram 54.274 ligações para o 190 em 2019 e em 2020, foram 63.345. Os registros de lesão corporal também aumentaram no Paraná, sendo 18.038 em 2020.

Os dados servem para desmistificar a falta de consciência sobre a violência contra a mulher, principalmente ao ser mostrado, de forma transparente, que além da maioria das mulheres ser morta por companheiro (marido, namorado etc) ou ex-companheiro, esse crime se dá dentro de casa.

Existem duas formas de colaborar para minorar esses dados terríveis: geral e individual. No geral, pode ser cobrado dos governos e da justiça, políticas públicas e ações para combater a violência contra a mulher.

Individualmente, cada um e cada uma pode ficar alerta, chamar a atenção dos homens agressores, apoiar as mulheres em situação de violência, entre tantas ações do cotidiano.

 


 

domingo, 11 de julho de 2021

Feminismo não é “mimimi”

Antes de falar que feminismo é "mimimi", como acontece nas redes sociais e, em alguns veículos de comunicação, é importante conhecer a história da luta das mulheres por direitos. Ao conhecer a história e os problemas que as mulheres enfrentam em seu cotidiano, certamente, essa expressão deixará de ser usada.

O filme “As sufragistas” trata bem do primeiro período do feminismo marcado pela busca dos direitos civis, dentre eles, o voto feminino, no início do século XX. Mas, o filme vai além e mostra assédio sexual no local de trabalho, a falta de poder das mulheres nas questões de família, entre outros temas. Esse período é chamado de primeira onda do feminismo.

De modo bem resumido, tem- se que a segunda onda foi marcada pela luta pelo fim da violência contra as mulheres e punição aos agressores; a terceira onda trouxe a luta das mulheres negras, LBT, portadoras de deficiência, entre outras e a quarta onda, que segundo pesquisadores, é a atual, trouxe a luta pelo direito ao próprio corpo, direitos reprodutivos, contra a cultura do estupro, assédio sexual e moral, fortemente marcada pelo uso da tecnologia para divulgar suas ações e reivindicações.

O fato de se dividir o feminismo em ondas não significa que os direitos reivindicados em cada uma delas foram amplamente alcançados, mas retrata as lutas de cada época e como elas se relacionam com o período histórico.

No entanto, antes do início do século XX, houve mulheres na história como, por exemplo, a francesa Olympe de Gouge que com outras mulheres, escreveu a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, em 1791, no qual afirma que “A Mulher nasce livre e permanece igual ao homem em direitos. As distinções sociais só podem ser fundamentadas no interesse comum”.  Ao ser condenada à morte por traição pela república que ajudara a criar e a qual tecia críticas ferrenhas, Olympe teria dito: “Se a mulher tem o direito de subir ao cadafalso, ela deve ter igualmente o direito de subir à tribuna”.  

Assim, encontram-se vários exemplos de mulheres que atuaram na história, de forma isolada. O que marca o início do século XX como o começo do movimento feminista é, exatamente a organização das mulheres que, em conjunto, passam a reivindicar direitos, em todas as áreas como os direitos civis e políticos, direito econômicos, sociais e culturais e direitos coletivos.

Por isso, alguns historiadores consideram o movimento feminista como um movimento revolucionário que modificou as estruturas sociais sem fazer guerras.

Assim, estudar a história é importante para compreender o movimento feminista, no entanto, além de estudar, basta olhar ao redor e verificar o que as mulheres sofrem ainda, na terceira década do século XXI. As mulheres foram as mais prejudicadas com a pandemia por desemprego; aumentaram os feminicídios; aumentou a violência contra a mulher; ainda tentam desqualifica-las e prejudica-las nos locais de trabalho; sofrem assédio na política, nas escolas e nas ruas.

O feminismo formado por mulheres que defendem os direitos das mulheres deixa claro, em sua trajetória, que não é “mimim”, expressão usada para desmerecer o direito ou a dor de outras pessoas. Pelo contrário, o feminismo é um movimento sério que salva a vida das mulheres, garantindo o direito à uma vida digna e feliz.