Para compartilhar idéias!







segunda-feira, 25 de maio de 2026

50 anos do Departamento de Informática da UEM com festa

No dia 23/05, reuniram-se, num jantar, professores, professoras, funcionários e funcionárias,  estudantes e egressos que compartilharam os 50 anos do Departamento de Informática (DIN) da UEM.

Particularmente, me senti muito feliz com a comemoração e o reencontro com pessoas com as quais compartilhei minha carreira acadêmica e amizades. 

Agora na aposentadoria, recebemos homenagem na festa, com uma linda placa comemorativa pelos 50 anos do DIN. 

Parabéns à equipe organizadora, comandada pela Professora Josiane Pinheiro, com tanta maestria.

Parabéns à todos e à todas que construíram o DIN ao longo das 5 décadas.













Departamento de Informática da UEM completa 50 anos


Em 2026, o Departamento de Informática (DIN) da Universidade Estadual de Maringá celebra 50 anos de história — uma trajetória construída por pessoas que, ao longo das décadas, dedicaram seu talento, conhecimento e compromisso ao ensino, à pesquisa, à inovação e ao desenvolvimento da sociedade.

Essa trajetória consolidou o DIN como um polo de geração e disseminação de conhecimento na área de Tecnologia da Informação. O departamento foi criado em maio de 1976, conforme Resolução 001/76-REITORIA, como uma sub-unidade do Centro de Tecnologia, logo após a implantação do curso de Tecnólogo em Processamento de Dados (PD), que teve início em 1975. Na época o curso fazia parte de um programa nacional de formação de um profissional que pudesse contribuir para o crescimento de uma área que estava necessitando de mão-de-obra especializada.

Pioneiro na região reconhecida como agrícola, o curso de PD, logo chamou a atenção e o interesse dos estudantes, os quais formados se dirigiam para Curitiba ou São Paulo.

Com o crescimento das oportunidades na região, o DIN optou pela criação do curso de Ciência da Computação, um curso de bacharelado, mais abrangente do que o curso de tecnólogo, em período integral, implantado em 1988.

Em novembro de 1991, foi criado o PET-Informática que consolidou-se como uma das iniciativas mais importantes para a formação acadêmica e humana dos estudantes do DIN. Ao longo de sua trajetória, o PET tem promovido a integração entre ensino, pesquisa e extensão, estimulando a excelência acadêmica, o trabalho colaborativo, a inovação e o compromisso social. Mais do que um espaço de formação complementar, o PET-Informática tornou-se parte da própria história do departamento, contribuindo para a formação de profissionais e docentes que hoje atuam em diferentes áreas da Computação.

Em 1997, o DIN criou o curso de Bacharelado em Informática, no período noturno, em substituição ao curso de Tecnólogo em Processamento de Dados que foi paulatinamente extinto. Os cursos passaram por revisões curriculares em 2009, 2017 e 2023.

Além dos cursos de Ciência da Computação e de Informática, o DIN também é responsável pela ênfase de Software do curso de Engenharia de Produção, além de disciplinas na área de computação de vários outros cursos de graduação da UEM.

Também em 2002, com o objetivo de contribuir para a formação de recursos humanos e atuar na pesquisa em Informática, foi criado o Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação (PCC), com a oferta do mestrado. Por mais de uma década o DIN ainda ofertou turmas da Especialização em Desenvolvimento de Sistemas para Web e atualmente oferece disciplinas em alguns outros cursos de especialização.  

De 2004 a 2009 o DIN hospedou o curso de Engenharia de Produção até que o departamento se estruturasse.

Em 2009, o DIN passou a contar com um novo edifício, no bloco C-56, que reúne um total de mais de 3.400 metros quadrados de área construída.

Em 2021, foi aprovado o curso de Doutorado em Ciência da Computação, que ofertou a primeira turma em 2022.

Em 2026, o curso de Bacharelado em Informática se tornou Bacharelado em Engenharia de Software, alinhando o curso à demanda da sociedade e às diretrizes curriculares da Sociedade Brasileira de Computação.

Visando oportunizar aos alunos se preparem para atuar no meio corporativo, o Departamento apoiou a criação da Softcom, uma empresa júnior de softwares, suporte e capacitação em Ciência da Computação e Informática, supervisionada por um docente do DIN. Em 2025, por iniciativa dos alunos, surgiu uma nova empresa júnior, chamada Main, alinhada às demandas do mercado e em franca expansão.

Completando o leque de ferramentas institucionais oferecidas pelo DIN visando a contribuir na formação dos estudantes, está em vigor o Programa de Tecnologia da Informação e Comunicação (PROTIC), que tem como objetivo desenvolver e apoiar as iniciativas de pesquisa, ensino, extensão e inovação de servidores e acadêmicos dos cursos afetos ao Departamento.

No DIN, também, em sinergia com a Sociedade Brasileira de Computação por meio do Programa Meninas Digitais, em 2017 foi criado o projeto Conectadas, que visa incentivar a entrada e permanência das meninas na área de computação.

Em sintonia com o desenvolvimento regional, o DIN atuou e participou ativamente na criação do Arranjo Produtivo Local de Software, cuja iniciativa contribuiu para que a região se tornasse um polo de desenvolvimento de software.

Assim, o DIN cumpre sua finalidade de

  • formar cidadãos éticos, críticos e reflexivos nas áreas de computação e informática;

  • promover, de forma indissociável, o ensino, a pesquisa e a extensão nas áreas da computação e informática; e

  • prestar serviços à comunidade. 

Nesse período, o DIN formou milhares de profissionais — tecnólogos, bacharéis, especialistas, mestres e doutores — que hoje atuam de forma significativa na academia e na indústria de software, contribuindo para o avanço tecnológico em diferentes contextos e regiões.

Mais do que celebrar uma data, queremos celebrar as pessoas que fizeram e fazem parte dessa história. Nossos parabéns e agradecimentos a cada um e a cada uma que contribuiu e contribui para que o DIN seja uma referência importante na área de TI, nas atividades de ensino, pesquisa, extensão e inovação.

Texto: Profa. Tania Tait
Maio de 2026 - postado em https://www.uem.br/din

A Canafístula e o Cedro: o triste fim de uma história

Escrevi o texto A Canafístula e o Cedro em 2007, quando a prefeitura de Maringá, na primeira gestão Silvio Barros, derrubou a canafístula centenária, mesmo diante da reação popular, inclusive com jornalista se agarrando a árvore.

No texto, publicado no blog Factorama, eu descrevia a amizade entre as duas árvores, a preocupação da Canafístula com o Cedro que ficou mantido no lugar com desvio da avenida (Gestão José Cláudio) e depois, a preocupação do Cedro com a Canafístula. 

Agora, em 2026, quase 20 anos depois, na terceira gestão do mesmo prefeito, foi a vez do Cedro ser tombado, com alegação de estar condenado por cupins. 

 
Reportagem em: Blog do Rigon, de 23/05/2026
https://angelorigon.com.br/2026/05/23/cedro-removido/


No momento em que li a reportagem sobre o cedro, me veio à mente o diálogo que criei, em 2007, entre as duas árvores, mediadas pelos pássaros que iam e vinham com as notícias.
O que diriam os passáros hoje? Pra quem contariam as notícias? 

Segue o texto, conforme foi publicado, em 2007.

========================================================================A Canafístula e o Cedro

terça-feira, dezembro 18, 2007 5:06:00 PM Publicado no Factorama     Escrito por: Tania Tait


A Canafístula e o Cedro eram amigos há décadas. A comunicação entre eles era feita pelos mensageiros passarinhos. Os amigos viram a cidade crescer, avenidas serem criadas, asfalto chegando e prédios surgindo. Pessoas indo e vindo.
Aí no início dos anos 2000, o Cedro foi palco de uma discussão ampla na cidade. O motivo: ele estava bem no meio de uma avenida que seria continuada, pois começava lá do outro lado da cidade e agora chegava até ali. Ele teria que ser retirado do local.
A amiga Canafístula acompanhava as novidades pelas mensagens dos pássaros. E vinha gente de todo tipo defendendo o Cedro. A administração municipal da época resolveu levar a discussão para o Conselho do Meio Ambiente, o qual deu o parecer final: o Cedro fica.
Hoje, o Cedro está lá e os engenheiros criaram uma avenida com curva para que ele permanecesse no local. Respeitou-se o meio ambiente, respeitou-se a comunidade e respeitou-se o Cedro.
A Canafístula ficou feliz com o resultado e os dois amigos continuaram trocando impressões sobre o clima, o movimento da cidade, o aumento de pessoas e de carros.
Um dia, a Canafístula contou ao Cedro que estavam mexendo na avenida que ficava perto dela para rebaixar a linha férrea. O Cedro, meio cismado por causa da sua própria história, perguntou se não teria problema pra ela. A Canafístula então respondeu: imagina, se naquela época não conseguiram derrubar você, por que agora vão conseguir? E olha que tudo indica que sou mais velha que você, portanto, vão me respeitar mais ainda.
E se despediram tranqüilos, por meio dos pássaros. No entanto, os pássaros e o Cedro ficaram cismados com a nova obra. O Cedro, então, pediu aos pássaros que ficassem vigiando, pois não estava com uma boa sensação a respeito do assunto.
Muitos pássaros já haviam contado ao cedro sobre árvores derrubadas na cidade pela administração municipal atual com o objetivo de deixar fachadas de empresas mais visíveis e outros motivos estranhos. Também, os pássaros moradores ao redor da rodoviária velha haviam comentado sobre a forma como o patrimônio da cidade estava sendo tratado. Os pássaros contavam, ainda, como foi a inauguração de uma nova avenida no centro da cidade, sem sequer uma árvore plantada. Fato que gerou polêmica, manifestações e que, depois, a prefeitura resolveu que podia plantar árvores ali.
Resultado de tantas reflexões é que o Cedro não conseguiu parar de pensar na amiga Canafístula, sempre tão confiante nas pessoas. Claro, tinha motivos para essa confiança, pois ela sempre fora bem tratada.
Mas aí o pior aconteceu, resolveram cortar a Canafístula. Teve até uma mobilização do pessoal do meio ambiente e um jornalista que subiu na árvore e disse que não desceria até que chegasse uma ordem oficial para o corte. Os pássaros foram correndo sossegar o Cedro, que estava apavorado, com as notícias que chegavam. Tem gente protegendo a amiga Canafístula, fique tranqüilo, ela não vai ser cortada.
Mais tarde os pássaros voltaram, cabisbaixos, voando sem vontade e o Cedro logo entendeu que não teria mais notícias da amiga Canafístula. Ela e todos que a amavam foram enganados.
A administração municipal atual não agiu como a outra administração que integrou o Cedro à avenida. A administração atual não conversou com o Conselho de Meio Ambiente, não conversou com a população e não buscou uma alternativa para que a Canafístula continuasse ali integrada à obra. Enfim, derrubou-se uma árvore centenária como se fosse algo comum, no cotidiano de sua atuação. Desrespeitou-se o meio ambiente e a história de uma família pioneira.
E lá está o amigo Cedro no meio da Av. Gurucaia, entristecido pela perda da amiga e torcendo muito para que as outras árvores da cidade consigam sobreviver a essa administração municipal. Ele, o Cedro, sabe que sua amiga cumpriu bem seu papel na natureza e deixou uma marca de dignidade e respeito nas pessoas, nos pássaros e nas outras árvores que conviveram com ela.
A esperança do Cedro é que essa marca possa chegar até as pessoas que detêm o poder e que elas entendam que fazem parte da natureza e que todos os seus atos desencadeiam outros atos que ferem o mundo em que vivemos.

* Professora do Departamento de Informática da UEM, Coordenadora da Associação Maria do Ingá – Direitos da Mulher. Maringá, 12/12/2007.

==========================================================================