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segunda-feira, 9 de março de 2026

Dia Internacional da Mulher: Maringá reúne centenas de pessoas em Ato contra o feminicídio

                                                                                          

A gravidade da situação com os dados alarmantes de feminicídios levou a protestos pelo fim da violência contra a mulher por todo o Brasil, no dia 08 de março, tanto nas capitais como nas cidades polos de regiões.

Em Maringá, centenas de pessoas se reuniram na manhã de domingo, no Ato público “Todos por todas” convocado pelo Fórum Maringaense de Mulheres em apoio ao Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio. A concentração para o ato público foi realizada na Praça Rocha Pombo.

No convite divulgado pelo Fórum Maringaense de Mulheres foram reproduzidos os dados de feminicídios e agressões contra as mulheres: “. De acordo com o Planalto do Governo, em 2025, a Justiça brasileira julgou, em média, 42 casos de feminicídio por dia, totalizando 15.453 julgamentos, um aumento de 17% em relação ao ano anterior. No mesmo período, foram concedidas 621.202 medidas protetivas, o equivalente a 70 por hora, segundo o Conselho Nacional de Justiça. Já o Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, coordenado pelo Ministério das Mulheres, registrou, em média, 425 denúncias por dia em 2025.”

Além das manifestações das entidades do movimento de mulheres, representantes do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Maringá e grupos de mulheres de partidos políticos presentes no ato público em Maringá, três apresentações foram realizadas: o jogral de combate à violência contra a mulher, a roda de capoeira do grupo Salve as Marias e a batucada feminista da Marcha Mundial das Mulheres.

Sob a palavra de ordem Basta de Feminicídio, gritos de “Pela vida das mulheres e das meninas”, dentre outros, o público presente realizou caminhada pela feira livre da Avenida Mauá. Nas mãos, as manifestantes carregavam cruzes brancas, chamando a atenção e recebendo apoio das pessoas que circulavam pela feira.

Foto: Início da caminhada pelo Basta de Feminicídio.


As ações de apoio ao Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio englobaram, além do ato público, a série de vídeos “Todos por todas” com a chamada de  homens pelo fim da violência contra a mulher. Os vídeos foram postados, durante a semana, no instagram do FMM:@forummaringaensemulheres, no qual, também, poderão ser encontradas as fotos do Ato Público.

Ao final da caminhada, a presidente do FMM, Vera Nogueira, agradeceu a todas as pessoas que contribuíram para a realização das atividades e convida toda a comunidade a continuar atenta e fortalecer o combate ao feminicídio.

Novos eventos serão realizados durante o mês de março pelas entidades que compõem o Fórum Maringaense de Mulheres.

 

Foto: Hortensia Franco.

 (Tania Tait, 08/03/2025)

quinta-feira, 5 de março de 2026

O uso das cores na política

Em nossas vidas, as cores sempre possuíram um significado relevante, seja nas vestimentas, seja na identificação das emoções, alegrias ou tristezas. Além desse lado, as cores, também são utilizadas para identificar os movimentos sociais e políticos. Assim, tem-se as cores utilizadas pelo movimento negro, lgbtqia+, identificação de autismo, meio ambiente, mulheres, indígenas, partidos políticos,  dentre vários usos.

Aqui, vamos tratar sobre duas cores específicas: o vermelho e o lilás. A primeira, a cor vermelha, ligada aos partidos políticos e movimento sindical e, também,  presente em muitas bandeiras oficiais de países. A segunda, a cor lilás usada pelo movimento feminista e pelo movimento organizado de mulheres, em geral.

O simbolismo das duas cores se tornou tão forte que cada corrente ideológica busca apagar ou depreciar a cor do outro.

Vejamos o vermelho. Historicamente, associado a rupturas de governos monárquicos, como na França e nos EUA (cuja bandeira tem as cores vermelho, branco e azul), o vermelho passa, com o decorrer do tempo, a ser vinculado ao comunismo, ao socialismo e às lutas sindicais dos trabalhadores e trabalhadoras.

Em heráldica – a ciência que estuda os brasões – o vermelho simboliza resistência e coragem; o branco remete à pureza e à inocência; e o azul representa vigilância, perseverança e justiça. (https://www.todamateria.com.br/)

Além de terem representado, anteriormente, o vínculo entre o povo e a monarquia, na França, as mesmas cores passaram a representar o lema da Revolução Francesa: “liberdade, igualdade, fraternidade”, na derrubada da monarquia.

Uma outra interpretação indica que o azul representa o poder legislativo; o branco, o executivo; e o vermelho, o povo.

Enfim, as bandeiras dos EUA e da França continuam usando as mesmas cores, inclusive o vermelho. Simbolicamente, o vermelho representava o símbolo da igualdade e a luta contra as aristocracias inglesa e francesa, respectivamente.

Por fim, a cor vermelha foi adotada pelos partidos comunistas e socialistas, como símbolo de solidariedade, a união dos trabalhadores e a busca por um mundo melhor. E, na atualidade, a cor vermelha está presente, mundo afora, nas manifestações da classe trabalhadora e no movimento sindical, nas lutas por democracia, direitos políticos, dentre outros.

Com relação à cor lilás, após décadas ouvindo que o movimento feminista atrapalha a luta de classes, as feministas se desvincularam do vermelho, mesmo comungando das ideias dos partidos de esquerda. Dessa forma, várias feministas adotaram a cor lilás, como uma nova síntese entre as cores azul e rosa. 

Uma narrativa história coloca que o lilás foi utilizado pelas sufragistas inglesas, antes, em 1908, junto com outras duas cores, como símbolo de sua luta. Estas lutadoras pelo direito de voto escolheram o lilás, o verde e o branco. O lilás se inspirava na cor da nobreza inglesa, o branco simbolizava a pureza da luta feminina e o verde a esperança da vitória.

Na atualidade, o movimento feminista adota a cor lilás como símbolo de luta, resistência, contra o machismo, contra o patriarcado, por direitos iguais e pelo fim da violência contra a mulher. Algumas correntes ideológicas do movimento feminista, combinam o uso do  vermelho e lilás, pela associação da luta pelos direitos da classe trabalhadora e pela igualdade das mulheres. Quem não se lembra do constante ataque ao movimento feminista com a valorização da cor rosa para meninas, relacionado ao papel de recatada e do lar para as mulheres e da cor azul para meninos, notadamente divulgada por partidos de direita e de extrema-direta?

Na política em geral, essas duas cores são vistas de duas formas. A direita quer apaga-las e a esquerda e o movimento feminista continuam reforçando seu uso simbólico como luta pelos direitos.

No Brasil, essa simbologia aparece nas manifestações públicas, nos prédios públicos, nas roupas, nos folhetos, enfim, em todo material usado por cada corrente ideológica.  Partidos de extrema-direita tentaram até sequestrar a bandeira do Brasil, nas cores verde e amarela, mas a bandeira é de todo o povo brasileiro, então não tem mais colado esse sequestro.

Até agora, nenhum governo federal, seja de direita ou esquerda ou centro, após a abertura democrática, propôs mudar a bandeira do Brasil, mesmo o verde e amarelo tendo sido usado com banho de sangue no governo da ditadura militar ou incentivo ao ódio aos contrários, por governos recentes.

Nas cidades, o uso político das cores não é diferente. Especificamente em Maringá, no início dos anos 2000, vimos um governo democrático popular usar as cores da bandeira do município (vermelho, amarelo e branco) na pintura de escolas e outros prédios públicos. O governo seguinte, considerado como de direita ou centro, mudou todas as cores para o verde, depois outro prefeito mudou para azul. A pintura na Secretaria da Mulher de Maringá é um exemplo claro da mudança ideológica, com novas cores, à mercê de cada governante. Ela já foi pintada de lilás e roxo em governos anteriores, agora, está na cor rosa. Não é por acaso, é método de apagamento de uma cor, o lilás, que incomoda por ser vinculado ao movimento feminista.

Obviamente, muitos prefeitos usam, também, nos prédios públicos, as cores de seus partidos políticos, mesmo criticando o prefeito que usou as cores da bandeira do município por ter a cor vermelha.

Essa narrativa do uso das cores pode parecer bobagem, mas não é. Ao salientar ou apagar as cores, a mensagem chega até a população que passa a menosprezar uma cor em detrimento da outra e, perfeitamente, relacionar com determinadas ideologias.

Por fim, muitos esquecem que as cores tem significado e impactam nas decisões. Muitos esquecem que as cores carregam uma história, seja de qual ideologia for. Portanto, as cores são importantes sim!!!



                                           Fonte da iamgem: Internet

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Todos juntos por todas: O Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio



No dia 04 de fevereiro, foi lançado o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, com a união dos Três Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. A iniciativa partiu do Presidente Lula em face do aumento dos feminicídios no Brasil, onde foram assassinadas quatro mulheres por dia, no ano passado.

O Feminicídio, antes não qualificado e nem contabilizado nas estatísticas passa a fazer parte do cenário legal e de mobilização social no Brasil, a partir da lei 13.104, aprovada em 09 de março de 2015, a qual altera o Código Penal com a inclusão do crime de feminicídio, detalhando penas maiores quando a mulher está em situação de vulnerabilidade (meninas e idosas).

A partir desta alteração, o crime de feminicídio passa a ser qualificado como crime contra a mulher por razões da condição de sexo feminino. Também, a lei considera como razões de condição do sexo feminino: a violência doméstica e familiar e o menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

Entretanto, apenas a publicação da Lei do Feminicídio não inibiu esse crime bárbaro que acontece tanto dentro dos relacionamentos privados como na supressão do direito de ir e vir das mulheres. Homens que não aceitam o fim do relacionamento ou que querem se apropriar dos bens da mulher, estão entre os criminosos.

De acordo com o Planalto do Governo, em 2025, a Justiça brasileira julgou, em média, 42 casos de feminicídio por dia, totalizando 15.453 julgamentos, um aumento de 17% em relação ao ano anterior. No mesmo período, foram concedidas 621.202 medidas protetivas, o equivalente a 70 por hora, segundo o Conselho Nacional de Justiça. Já o Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, coordenado pelo Ministério das Mulheres, registrou, em média, 425 denúncias por dia em 2025.

Ao mesmo tempo que existe uma estrutura de combate à violência contra a mulher, protegendo-as, há um problema social grave que ainda persiste nos homens que ser consideram donos dos corpos e mentes das mulheres.

Sempre houve um silêncio na sociedade pautado no lema: “Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colar” ou dizeres preconceituosos culpabilizando a vítima da morte ou do ataque sofrido, com frases do tipo: “o que estava fazendo ali andando sozinha”, “que roupa estava usando”, “ela procurou”, dentre outras frases desqualificadoras para justificar o crime e o criminoso.

Assim, o senso comum finge esquecer que o estuprador estupra mulheres bebês com fraldas, idosas, filhas, irmãs, esposas, netas, sobrinhas, empregadas...não importa o local nem a roupa, nem a idade. E a sociedade, de modo geral, continua fingindo não ver quando uma mulher é agredida ou morta dentro do próprio relacionamento.

Campanhas recentes têm chamado a atenção dos homens para sua responsabilidade diante da violência contra a mulher, mas nem isso tem inibido os feminicídios.

Portanto, ao tomar a iniciativa de se comprometer com o combate ao feminicídio, o Presidente Lula desencadeia uma cobrança para toda a sociedade brasileira, ao integrar os três poderes e lançar em conjunto o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio.

O pacto tem como objetivos acelerar o cumprimento das medidas protetivas, fortalecer as redes de enfrentamento à violência em todo o território nacional, ampliar ações educativas e responsabilizar os agressores, combatendo a impunidade.

O acordo também prevê compromissos voltados à transformação da cultura institucional dos três Poderes, à promoção da igualdade de tratamento entre homens e mulheres, ao enfrentamento do machismo estrutural e à incorporação de respostas a novos desafios, como a violência digital contra mulheres.

Para garantir a efetividade das ações, o pacto institui uma estrutura formal de governança, com a criação do Comitê Interinstitucional de Gestão, coordenado pela Presidência da República. O colegiado reunirá representantes dos três Poderes, com participação permanente de Ministérios Públicos e Defensorias Públicas, assegurando acompanhamento contínuo, articulação federativa e transparência.
Pelo Executivo, integram o comitê Casa Civil, Secretaria de Relações Institucionais e os ministérios das Mulheres e da Justiça e Segurança Pública.

Desta forma, como medidas concretas, o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio estabelece:

·         Medidas protetivas mais rápidas e que funcionem de verdade
Menos tempo entre a denúncia e a proteção efetiva da mulher. A ideia é que decisões judiciais, polícia, assistência social e rede de acolhimento passem a agir de forma coordenada, sem “empurra-empurra”.

·         Estado inteiro olhando para o mesmo caso
Executivo, Legislativo e Judiciário e órgãos de controle compartilham informações e acompanham os casos de forma integrada, do pedido de ajuda até o desfecho, reduzindo falhas que hoje colocam mulheres em risco.

·         Mais prevenção antes da violência virar morte
Campanhas permanentes, educação para direitos, capacitação de agentes públicos e ações para mudar a cultura de violência — inclusive envolvendo homens como parte da solução.

·         Agressores responsabilizados com mais rapidez
Processos mais céleres, menos impunidade e respostas mais firmes a quem descumpre medidas protetivas ou comete violência.

·         Atenção especial a quem corre mais risco
Foco em mulheres negras, indígenas, quilombolas, periféricas, do campo, com deficiência, jovens, idosas e moradoras de áreas remotas ou em maior vulnerabilidade.

·         Resposta a novas formas de violência
Enfrentamento da violência digital, como perseguição, ameaças e exposição online, que muitas vezes antecedem agressões físicas.

·         Cobrança pública de resultados
Relatórios periódicos, metas e prestação de contas: o pacto não fica só no anúncio — ele cria obrigação de mostrar o que está funcionando e o que precisa mudar.

Espera-se que a união dos três poderes e as medidas anunciadas no Pacto Brasil contra o Feminicídio contribuam para eliminar a triste escalada dos feminicídios no país.

Que o exemplo do Presidente Lula de se juntar na defesa das mulheres em situação de violência seja seguido pelos brasileiros, com o fortalecimento, na prática, do lema “ TODOS JUNTOS POR TODAS”.

 

Fonte para dos dados sobre o Pacto Brasil contra o Feminicídio: https://www.gov.br/gestao/pt-br/assuntos/noticias/2026/fevereiro/tres-poderes-da-republica-se-unem-em-pacto-historico-para-enfrentamento-ao-feminicidio-no-brasil


                                                                                                                    Tania Tait (10/02/2026)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Encontro Nacional de Mulheres do PT fortalece a organização das petistas para 2026

Foto: Encerramento do 14. Encontro Nacional de Mulheres do PT, 01/02/2026

O 14. Encontro Nacional de Mulheres do PT aconteceu de 30 de janeiro  de 2026 a 01 de fevereiro de 2026 em Luziânia – Goiás e contou com mais de 700 representantes dos Estados Brasileiros. A delegação do Paraná contou com 18 delegadas representando todas as regiões do Estado. Dentre elas, a vereadora Miss Preta, Vice-presidente do PT Paraná, a Secretária Estadual de Mulheres do PT, Marilda Ribeiro e a Secretária Municipal de Mulheres do PT de Maringá, Márcia Bianchi.   

O slogan do 14. Encontro Nacional de Mulheres do PT ressaltou três ações relevantes pra todas: “Organizadas, resistimos; Unidas, transformamos o poder e vivas nos queremos”.  Ações que englobam a atuação das mulheres na política de modo geral, a atuação dentro da estrutura partidária, a participação nos espaços de poder,  no combate ao Feminicídio e à toda forma de violência contra a mulher.

 Assim, temas relevantes como a ocupação dos espaços de poder, ações pela paz e desarmamento, pela justiça climática, o cuidado com quem cuida, os direitos reprodutivos e sociais, o combate ao feminicídio e o combate à violência contra a mulher, formação política, estrutura partidária, comunicação, o fortalecimento do feminismo, entre outros foram tratados nos três dias do evento.

Uma das plenárias trouxe a pesquisa realizada em parceria entre o Sesc São Paulo e a Fundação Perseu Abramo“: Mulheres e gêneros nos espaços Público e Privado” e Eleições 2026: Sem mulheres, não há vitória” (https://fpabramo.org.br/pesquisas/pesquisa-noppe/mulheres-brasileiras-e-genero-nos-espacos-publico-e-privado-3a-edicao/) A pesquisa mostra a necessidade de enfrentar a violência de gênero e ampliar a participação das mulheres nos espaços de poder.

No encontro, também,  foram aprovadas propostas para aprimorar o acesso das mulheres nos espaços de decisão, as quais serão encaminhadas para o 8. Congresso do PT que será realizado de 23 a 26 de abril de 2026.  

Além das discussões sobre a participação das mulheres, as eleições 2026 e a reeleição do Presidente Lula, as representantes elegeram a Secretária Nacional de Mulheres do PT, Mazé Morais para a gestão 2026-2030.  bem como o coletivo nacional composto por 18 representantes. O Paraná passa a integrar o coletivo nacional com representação da maringaense Tania Tait, pela regional sul.

Na avaliação geral, houve consenso que o 14. Encontro foi um sucesso ao apresentar propostas concretas da atuação feminina bem como a certeza de que unidas, as mulheres são mais fortes! A reeleição do Presidente Lula esteve presente nas discussões, salientando as políticas públicas e sociais, a defesa da democracia e o fortalecimento da soberania do Brasil.


 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Lembranças de uma adolescente maringaense



Como toda adolescente, tenho as lembranças dos passeios pela cidade, do Parque do Ingá, da pista de patinação, dos passeios na Av. Herval, da sorveteria Espucreme, dos cinemas, das andanças de bicicleta, do treino de natação no Clube Olímpico, entre tantas. Talvez pelo privilégio de morar na área central da cidade, eu tenha algumas lembranças distintas de quem morava nos bairros mais afastados.

Mas, além das lembranças juvenis, eu tenho outras, as quais eu não compreendia muito bem na época, mas que me incomodavam. Destaco algumas: a frase “Brasil, ame-o ou deixei-o”; o desvio do assunto de um professor em sala de aula, as notícias estranhas do Jornal Nacional, meu pai contar que sumiram pessoas em Maringá e a interpretação das músicas nas aulas de português.

Maringá está situada no norte do Paraná, conta, atualmente, com mais de 400 mil habitantes e fez 78 anos. Entretanto, na minha infância e adolescência, a cidade era considerada pequena, jovem e praticamente todo mundo se conhecia. Ao olhar para o passado, parece incrível pensar que aqui existiam pessoas que discordavam do governo da ditadura militar (de 1964 a 1985) e atuavam contra ele. Mas, elas existiram e muitas pesquisas narram essa parte da história da cidade, inclusive com relação as mulheres que atuaram neste campo, as quais narro no livro “as mulheres na luta política” (Editora CRV, 2020).

Voltemos às lembranças da adolescência. Nitidamente, me vem à mente, as fitinhas com a frase “Brasil, ame-o ou deixe-o”, embalada pela música “Eu te amo meu Brasil”, composição de Dom, da dupla Dom & Ravel e lançada pela banda Os Incríveis, em  1970. A música foi criada como hino da Copa do Mundo, mas foi usada como propaganda pelo governo da ditadura militar.

A segunda lembrança, já no primeiro ano do ensino médio (na época, chamava científico), o professor pediu pra lermos a Constituição Federal Brasileira. Na leitura, encontrei a eleição pra governador e me chamou atenção. Na aula, perguntei pra ele por que os governadores não eram eleitos se estava na Constituição. Ele desconversou, ficou vermelho e não respondeu. Na época, eu não entendi que se ele comentasse, corria o risco de ser preso. O ano era 1976. Fui pesquisar por conta própria e encontrei que: “o governo  militar, instituído em 1964, proibiu o voto direto para presidente da República e representantes de outros cargos majoritários, como governador, prefeito e senador”.

Talvez percebendo meu interesse juvenil por política e como eu ficava brava assistindo o Jornal Nacional, chamando as notícias de mentirosas, meu pai contava que sumiram pessoas na região de Maringá, que eram contra o governo. Segundo ele, professores, jornalistas e sindicalistas simplesmente desapareciam e ninguém sabia deles. Na época, minha mãe me proibiu de assistir o jornal, pois segundo ela, eu ficava muito nervosa. Tenho a impressão que os dois combinavam o que fazer com a filha estudiosa e curiosa, “perguntadeira” demais.

As músicas sempre fizeram parte da minha vida, as festas da família sempre eram regadas à música, cantadas e ensinadas pela minha avó Marianna. Portanto, o interesse pela interpretação dos textos das músicas foi natural e me encantou ser apresentada ao Chico Buarque. Lembro a primeira vez que li: “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia”. Não era recado pra uma mulher, era pro governo da ditadura militar.

Então, foi assim, uma adolescente que usava óculos desde os cinco anos de idade, andava de bicicleta e nadava, gostava dos livros e das músicas, observou o mundo ao seu redor e, nas entrelinhas do cotidiano, entre as danças nas tardes de domingo nas casas de amigas, percebeu que alguma coisa não estava certa, pois havia um certo medo pairando no ar do mundo dos adultos.

Anos depois, com tristeza, ela conheceu a história e viu que sua impressão estava certa. O medo que pairava no ar fazia sentido.


 

 

 

 

 

 

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Catarina, Bruna, Jujuba, Magó... quantas mais...até quando?

 A cada crime cometido contra mulheres, sinto um aperto imenso no peito. Estou, junto a muitas mulheres e alguns homens, na luta pelo fim da violência contra a mulher desde que comecei, na juventude, minha militância pelos direitos das mulheres.

Vimos a aprovação da Constituição Brasileira que nos garante o direito de ir e vir, exaltamos a criação das Delegacias da Mulher nos anos 1980, nos animamos com a Lei Maria da Penha, homologada em 2006 (primeiro governo do Presidente Lula), divulgamos o disque 180, valorizamos o rigor da Lei do Feminicídio de 2014 e tantas outras leis de combate à violência contra a mulher.

Nos entristecemos com um governo de 2018 a 2022 (do presidente inelegível e agora, presidiário) que cortou, 90%, do orçamento de políticas públicas para o combate à violência contra a mulher e exaltou a função submissa da mulher. Submissão essa que se mostrou hipócrita, pois as mulheres do seu partido e aliados se empoderaram pra candidaturas eleitorais e pelo orçamento do fundo partidário destinado às candidaturas femininas.

Pensamos e atuamos no combate à violência doméstica, dentro dos relacionamentos e na violência que as mulheres sofrem pelo simples fato de serem mulheres.

Quando nos deparamos com feminicídio como os cometidos contra mulheres a exemplo de Catarina, refletimos sobre o papel da sociedade e do poder público na garantia dos direitos de ir e vir das mulheres, que ao ter medo do simples ato de andar sozinhas nas ruas à noite, demonstra, de forma nítida, que esse direito não existe para as mulheres.

O que Catarina, Bruna, Jujuba, Magó e tantas outras que encontram monstros em seu caminho tinham em comum? São mulheres que fizeram valer seu direito à liberdade, de escolhas, de ir e vir, de exercer seu trabalho.

Não conheci pessoalmente nenhuma das quatro que cito no título. Acompanhei de perto a dor da mãe e do pai da Magó, em Maringá. Eu os conhecia por trabalharmos juntos na UEM (Universidade Estadual de Maringá) e por ter sido aluna de sapateado da mãe, Daisa. Nos aproximamos na dor de uma mãe com uma perda que não tem nome nem reparação e que transformou sua dor em luta para que outras famílias não passem por este sofrimento.

Não conheço os caminhos pelos quais as  quatro mulheres andaram no dia de suas mortes, com exceção do trajeto feito por Catarina, na Praia do Matadeiro, em Florianópolis. Talvez por conhecer o trajeto e ter caminhado por lá, no meu tempo de doutorado UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), com amigas e amigos e com minhas filhas, fiquei imaginando Catarina caminhando tranquilamente, como devia fazer sempre. É um local lindo de ver, por onde se chega andando em uma ponte de pedestres, por cima de um rio.

Sei, pelas informações via imprensa, que Magó caminhava na trilha para uma cachoeira, Jujuba dormia em uma rede na hospedagem que estava, Bruna resolveu ir a pé pra casa e Catarina ia para uma aula de natação. Ações cotidianas que qualquer uma de nós faz, sem imaginar que esse trajeto ou esse sono possa ser interrompido por ataques, estupros ou mortes.

É com muita tristeza que penso no trajeto interrompido  e na vida ceifada das mulheres, pelo fato de serem mulheres.

Diante de tudo isso, este 25 de novembro que é o dia internacional pelo fim da violência contra a mulher, precisa ser comentado, tratado, divulgado, mas que o combate à violência  aconteça todos os dias do ano todo, para que mulheres e meninas tenham o direito de ir e vir e viver num mundo sem violência.

Por Catarina, Bruna, Jujuba, Magó e tantas outras!!!




 

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Clara Charf, presente!

 A notícia da morte de Clara Charf, hoje, aos 100 anos de idade, me trouxe à memória aquele dia em São Paulo, quando a conheci e troquei algumas palavras com ela.

A década era 1980, não sei precisar o ano. O evento era uma reunião nacional das mulheres do PT, com representantes de vários Estados, onde eu era uma das representantes do Paraná.

Na chegada, havia uma escada e todas foram entrando no local. Ao meu lado estava uma senhora que parecia ter um pouco mais de idade que as outras mulheres presentes. Observei que ela usava acessórios na cor lilás. Percebi, também, que andava devagar e ofereci meu braço pra ela subir as escadas. Ela aceitou e disse:

- você deve ser acostumada com pessoas de mais idade

- sim, tenho minhas avós. Respondi a ela.

- dá pra perceber. Você foi a única que me esperou e acompanhou, as demais subiram as escadas sem nem reparar quem vinha atrás.

Até então eu não havia me dado conta de quem ela era. Na apresentação de cada participante da reunião, fiquei de boca aberta, claro. Eu havia dado o braço pra acompanhar Clara Charf, a esposa de Carlos Marighela, dois ícones na luta contra a ditadura militar. Ele assassinado numa emboscada, ela exilada.

Na reunião, tarefas foram distribuídas entre nós. Na reunião seguinte, meses depois, a Clara havia sido a única, da sua equipe, que cumpriu a tarefa que lhe fora designada. A impressão que Clara me deixou nessas duas oportunidades foi de uma pessoa que com segurança e firmeza, cumpre suas atribuições de forma responsável e organizada. Provavelmente, características herdadas de sua militância no combate ao governo da ditadura militar.

Seu retorno ao Brasil, pós-exílio, não foi fácil, segundo ela, principalmente, pela dificuldade em obter emprego. Foi uma das fundadoras do PT e apoiadora do MST, foi candidata, recebeu homenagem no Governo da Presidente Dilma por sua trajetória na defesa dos direitos das mulheres e atuou sempre na defesa da democracia.

Certamente, Clara Charf entra para a história como um exemplo de resistência e luta pela democracia.

Clara, presente!!!

Foto: imagens da Internet


sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Os movimentos sociais e a Caravana Federativa do Governo Lula

Nos dias 30 e 31 de outubro, aconteceu a Caravana Federativa do Governo Federal no Paraná. Realizada em Foz do Iguaçu, tendo a Itaipu como anfitriã, a Caravana Federativa tem como objetivo aproximar o Governo Federal das prefeituras e da população, garantindo que os programas cheguem onde mais são necessários. No evento ocorreram debates, oficinas e estandes com a presença dos ministérios e órgãos federais para atender prefeitos, vereadores e lideranças do movimento social, facilitando o acesso a programas, convênios e políticas públicas.

A abertura do evento contou com a presença de ministros/as, deputados/as federais e estaduais, prefeitos/as, vereadores/as e representante do movimento social. A ministra Gleisi Hofmann falou da importância da aproximação do Governos Federal para que os municípios tenham acesso facilitado aos programas e salientou o compromisso do Governo Lula com o povo. Para o diretor brasileiro da Itaipu Binacional, Dr. Enio Verri, a iniciativa do Governo Federal cumpre uma missão relevante ao trazer os programas e ações para perto da população, tanto do setor público municipal com das entidades da sociedade civil. Representando a Alep (Assembleia Legislativa do Paraná), o deputado Arilson Chioratto ressaltou a parceria do Governo Federal com os municípios paranaenses. A representante do Ministério das Mulheres, Eutália Barbosa reforçou o pacto e ações pelo combate à violência contra a mulher enquanto o Ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, destacou o ressarcimento aos aposentados por parte do Governo Federal relativo aos descontos não autorizados. Consenso entre as autoridades e representantes da sociedade civil, exaltou-se a relevância da Caravana como forma de aproximar o Governos Federal e a população. 

Via o Fórum de Participação Social (FPS), do qual a entidade que atuo, Associação Maria do Ingá Direitos das Mulheres faz parte, tivemos a oportunidade de participar da plenária do FPS bem como das oficinas específicas na área de direitos das mulheres.

Entre autoridades de terno e gravata, movimentos indígena e negro com suas vestimentas, mulheres com suas bandeiras de luta, dentre tantos, a Caravana mostra um pouco a cara do Estado do Paraná, que ainda mantem altos índices de feminicídio, racismo e preconceito, os quais devem ser combatidos com a união de movimento social e setor público.

Como observadora, não pude deixar de registrar que na mesa de abertura, estavam presentes 30 homens e apenas 5 mulheres, nenhum negro, numa demonstração clara que ainda há muito o que fazer para a igualdade no Estado do Paraná. Ainda mais para nós mulheres,  que somos 52% da população, e estamos muito aquém da ocupação nos espaços de poder, como bem tratado na oficina do Ministério das Mulheres sobre Estratégias para ocupação dos espaços de poder.

No mais, a iniciativa do Governo Federal e organização do evento nos pareceram excelentes, sendo os contatos e as atividades promissoras com vistas a que as ações do Governo Federal cheguem pertinho de nós, nos nossos municípios.


Foto: Abertura da Caravana Federativa no Paraná. 30/10/2025. A autora.

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres na região Sul do Brasil

A 6ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) teve início em março de 2025 no Saara Ocidental, com encerramento em outubro de 2025, no Nepal. Com o lema “Seguiremos em marcha contra as guerras e o capital, por soberanias populares e bem viver”, a MMM realizou eventos em mais de 60 países. No Brasil, ocorreram eventos em várias cidades durante o período.

A Ação Internacional da MMM acontece a cada 5 anos e mostra a importância da união e da solidariedade entre as mulheres. Ao reunir mulheres diversas (do campo, da cidade, das águas, das florestas, negras, indígenas, quilombolas, brancas, jovens, idosas, lésbicas, bissexuais, trans, trabalhadoras, estudantes, sindicalistas, da agroecologia e da economia solidária), a MMM está presente em todos os segmentos na luta para mudar o mundo e a vida das mulheres para o bem viver, que implica na defesa dos bens comuns e de nossos corpos.

Na Região Sul do Brasil, nos dias 18 e 19 de outubro, em Florianópolis e Palhoça (Santa Catarina),  realizou-se o encerramento da 6ª. Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres. Representantes dos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul participaram do evento, o qual contou com a realização de caminhada, roda de conversa e debates.

No dia 18, pela manhã, as marchantes, como são chamadas, realizaram caminhada pelo centro de Florianópolis com palavras de ordem pelo fim das guerras, combate à violência contra a mulher, descriminalização do aborto, justiça climática, dentre outras.

No período da tarde, na cidade de Palhoça, houve roda de conversa na Ocupação Marighela, ressaltando o direito à moradia e uma visita à Associação de Reciclagem de Lixo, com destaque para a valorização da necessidade de reciclar e cuidar do meio ambiente.

No dia 19, as reuniões aconteceram no Aldeia Pira Rupa, com debates e propostas de ação na região sul para os 4 eixos de atuação da MMM: Defesa dos bens comuns, Paz e desmilitarização, Economia feminista e solidária, Autonomia sobre nossos corpos e sexualidade. Em cada eixo foram apresentadas propostas, as quais são encaminhadas para os territórios e comporão a realização das atividades da MMM para os próximos anos. No Brasil, especificamente, destacam-se ações pelos 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher, que se inicia no dia 20 de novembro (Dia da Consciência Negra) e vai até 10 de dezembro (Dia dos Direitos Humanos), passando pelo 25 de novembro (Dia Internacional de combate à violência contra a mulher) e 01 de dezembro (Dia Mundial de combate à AIDS)

Mais de 200 mulheres participaram da 6ª Ação da região Sul e confirmaram a palavra de ordem “ Seguiremos em marcha, até que todas sejamos livres!”

Fotos nos álbuns no Facebook (Tania Tait): 6a. Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres

(Tania Tait, 20/10/2025)



Representantes de Maringá: Marcia França, Patricia Lessa, Vera Nogueira e Tania Tait



quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Festival Medieval, Voucher para uniforme escolar, Aumento de 30% de IPTU... a quem serve a gestão municipal de Maringá?

Em seus 78 anos de idade, Maringá cresceu vertiginosamente se tornando polo de uma região com comércio, setor agrário e prestação de serviços pungentes. Paulatinamente, a vida na cidade encareceu para seus moradores trabalhadores, os quais se deslocam para morar nas cidades vizinhas, mesmo trabalhando em Maringá.

Dominada por uma elite empresarial com forte vinculo com família de políticos, a cidade parece gostar da imagem de “cidade rica” e, muitas vezes, esconde sua própria história forjada pelo trabalho de pessoas de vários locais que pra cá se dirigiram em busca de uma vida melhor.

Um exemplo, tem sido a construção de prédios na Vila Operária, a qual na propaganda das construtoras é tratada como “Zona 03” como se o nome “Operária” não pegasse bem para os edifícios de alto padrão. Vale lembrar que na organização dos bairros no começo da cidade, a Vila Operária (Zona 03) como o nome diz era destinada aos trabalhadores braçais enquanto a Zona 02 (até hoje não entendi porque ela não tem um nome) era para profissionais liberais e Centro (Zona 01) usada para o comércio, conforme narram vários livros e pesquisas que contam a trajetória da cidade e suas gestões municipais.

Mas, ao voltar para a atualidade, vê-se que esta nova gestão que completou 9 meses, dominada, novamente, pelo grupo da família de políticos, possui como marca o controle  da cidade, só que desta vez, tem trazido propostas inusitadas e polêmicas, pra não dizer outros adjetivos.  Destacam-se: um Festival Medieval, o voucher para uniforme escolar e o aumento de 30% do IPTU.

O Festival Medieval chamou muita atenção. Representantes da Prefeitura foram a Portugal (com dinheiro público) sob alegação de intercâmbio comercial com o país. Rapidamente, a turma trouxe o projeto de um Festival Medieval, fizeram o lançamento do evento com trajes típicos e imitaram uma festa da Idade Média. Onde e como arrumaram os trajes, tão rapidamente, é uma incógnita. Mas, isso é detalhe. O que importa é que um Festival Medieval não tem nada a ver com um local que foi transformado em cidade em 1947, portanto, sem tradição alguma no período da Idade Média. Fazer intercâmbio comercial é ótimo para todos os lados, no entanto, a forma como tudo foi conduzido chegou a beirar o ridículo.

O Voucher, por sua vez, mexeu com a estrutura escolar de forma abrupta, com a alegação de atender os comerciantes da região, ao invés de abrir processo licitatório. Dessa forma, a Prefeitura se livra do problema de aquisição dos uniformes e leva um trabalho a mais para os pais que terão de colocar em sua rotina diária já tão espremida, tempo para pesquisar e comprar uniforme. Certamente, com o tempo, o recurso gasto pela prefeitura será superfaturado ou mal dimensionado diante do mercado e não há garantia da qualidade apregoada.

E na última proposta, tem-se o aumento absurdo do IPTU com alta de 30% para 2026. Prefeito e vereadores aliados (as) aprovaram o projeto mesmo diante dos protestos dos maringaenses, em uma Câmara Municipal com presença massiva dos cargos comissionadas e tanto a Polícia Militar como a Guarda Municipal convocadas para intimidar a população. Vários cálculos mostraram que o aumento é abusivo, mas foi aprovado pelos vereadores, por 15 a 7.

Tudo isso leva à reflexão: para quem a gestão municipal trabalha e quais os interesses por trás das propostas apresentadas e aprovadas pelos vereadores? Talvez nunca se saiba, entretanto, essas propostas não foram apresentadas na campanha eleitoral, o que significa que eleitores e eleitoras foram enganados ao eleger candidatos (Prefeitos e Vereadores) que apresentam projetos e votam contra os interesses da população.


Foto: Sessão da Câmara Municipal de Maringá, de 02/10/2025. Acervo da autora.

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

V Conferência Nacional de Políticas para Mulheres: “Mais Democracia, Mais Igualdade, Mais Conquistas para Todas”.

Foto: Agência Brasil

                

Começou hoje, dia 29/09 e vai até 01/10, em Brasília, a V Conferência Nacional de Políticas para Mulheres, com o tema “Mais Democracia, Mais Igualdade, Mais Conquistas para Todas”.

Coordenado pelo Ministério das Mulheres (MMulheres) e pelo Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), a V Conferência reúne quase 4 mil participantes, escolhidas delegadas nas conferências municipais e estaduais.

As delegadas irão debater os temas: enfrentamento às desigualdades sociais, econômicas e raciais; combate à violência contra as mulheres; aumento das mulheres em espaços de poder e decisão; fortalecimento das políticas de cuidado e de autonomia econômica; saúde, educação e assistência social; o fim da escala 6x1 e direitos reprodutivos, entre outras propostas aprovadas nas conferências municipais e estaduais, realizadas desde o mês de abril.

O presidente Lula participou da abertura da Conferência e afirmou que  não existe democracia sem ouvir as mulheres, e ações contínuas são necessárias para que seus direitos não retrocedam. De acordo com o governo, a conferência marca a retomada da “principal instância de participação social voltada à promoção da igualdade de gênero no Brasil. A última edição do evento ocorreu em 2016, no governo da presidenta Dilma Rousseff. Ver  (https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2025-09/lula-abre-conferencia-e-sanciona-ampliacao-da-licenca-maternidade)

No evento, o Presidente Lula, também, assinou a lei que amplia a licença maternidade para 120 dias em caso de internação após o parto.

Após quase 10 anos sem a realização de uma Conferência de Políticas para Mulheres, a expectativa das 4 mil mulheres presentes é que os direitos das mulheres sejam amplamente respeitados. Como resultado final da V Conferência é prevista, a criação de um Plano Nacional de Políticas para Mulheres que contemple todas as propostas para que as mulheres tenham direito a uma vida sem violência de qualquer tipo e que o Plano seja uma ação permanente, de Estado, que independa do Governo que esteja no poder, para que não haja retrocessos nas políticas públicas para mulheres, como ocorreu nas duas últimas gestões presidenciais (de 2016 a 2022).

Tania Tait, 29/09/2025

 

domingo, 10 de agosto de 2025

Jornalistas de Maringá participam da 1ª. Conferência Livre Mulheres na Linha de frente

As jornalistas de Maringá, Kristhianne Schornobay (diretora do Sindjor) e Tania Tait (voluntária na Ong Maria do Ingá Direitos da Mulher) participaram da Conferência Livre Mulheres na linha de frente – Jornalismo, Resistência e Políticas Públicas, realizada no formato on line, no dia 09/08 (sábado).  A conferência, proposta e organizada pela Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas por meio da sua Comissão de Mulheres, teve participação de jornalistas de todo o Brasil.

No evento houve a apresentação da Ministra das Mulheres, Marcia Lopes que abordou sobre a importância das conferências que estão acontecendo em todo o país com discussões de propostas e indicação de delegadas para a V Conferência Nacional de Políticas para Mulheres, na qual será elaborado o Plano Nacional de Políticas para Mulheres. Além das conferências realizadas pelos conselhos municipais e estaduais de direitos das mulheres, o Ministério incentivou e aprovou a realização das conferências livres para garantir a ampla participação das brasileiras na Conferência Nacional. 

Segundo a Ministra, são quase 10 anos sem a realização de uma conferência e sem o estabelecimento do Plano Nacional, o que impactou em retrocessos na área de direitos das mulheres, portanto, a presença feminina representativa de todos os setores e regiões impacta positivamente no estabelecimento de ações para garantia dos direitos das mulheres, por uma vida sem violência e igualdade de oportunidades, também nos espaços de poder. Para ela, a conferência das jornalistas é fundamental pois elas estão em todas as frentes e sofrem duplamente, na atuação profissional, por serem jornalistas e mulheres, cada vez mais atacadas, dentro de veículos de comunicação e nas ruas, sendo assediadas moral e sexualmente. Medidas precisam ser tomadas para que esses ataques cessem e os agressores sejam efetivamente punidos.

As jornalistas presentes à Conferência discutiram, também,  temas importantes para o país como a redemocratização e a regulação da redes digitais, o combate às fakenews, a ocupação nos espaços de poder pelas mulheres, dentre outros.

As propostas aprovadas na 1ª. Conferência bem como o nome das delegadas indicadas serão encaminhadas para o Conselho Nacional dos Direitos das Mulheres para garantir a participação destas na Conferência Nacional.

Para a jornalista Kristhianne Schornobay, a Fenaj deu um passo importante ao reunir, pela primeira vez, mulheres jornalistas de todo o país num momento em que o jornalismo se encontra em cheque na sociedade, com tanta desinformação e ataques. Tania Tait, por sua vez, considera que as jornalistas apresentaram discussões relevantes na garantia da atuação profissional, nos direitos das mulheres e no acesso e disseminação da informação de qualidade.


Kristhianne Schornobay

Tania Tait




 

sábado, 9 de agosto de 2025

A dor da violência

 Escrevi esse poema depois de ter realizado uma apresentação sobre a Lei Maria da Penha, numa reunião com mulheres em situação de violência. Ao ouvir as histórias das mulheres, suas dores e a infinidade de tratamentos e remédios que a elas são receitados, me ocorreu que, muitas delas, em um contexto sem violência, não precisariam de tanta medicação nem da necessidade de acompanhamento para a vida toda.

O evento aconteceu num setor de atendimento num município de pequeno porte do Paraná.


A dor da violência

 A dor  da violência

Guardada dentro da mente

Fica tão forte que

Rasga o peito

Acelera o coração

Embrulha o estomago

Faz sair água dos olhos

Adoece a alma

                                                (Tania Tait, junho/2025) 




 

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

19 anos da Lei Maria da Penha

Assistindo a reportagem sobre os 19 anos da Lei Maria da Penha, me emocionei. Com atuação, de décadas,  na área de direitos das mulheres como voluntária, na Associação Maria do Ingá Direitos da Mulher, no Fórum Maringaense de Mulheres e no Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres de Maringá me vêm à mente os inúmeros casos de violência que chegaram até nós. Mulheres que tiveram a oportunidade e o acolhimento necessários para resgatar suas vidas, livres da violência, a partir da promulgação da Lei Maria da Penha, em 07/08/2006, pelo Presidente Lula.

No entanto, nem sempre tivemos leis e rede de acolhimento e sabemos que ainda existem muitas cidades nas quais as mulheres não tem a proteção necessária para casos de violência.

Quando começamos a atuação na Ong Maria do Ingá, como chamamos a Associação Maria do Ingá Direitos da Mulher, lá no início dos anos 2000, portanto, antes da promulgação da Lei Maria da Penha, nos deparávamos com situações para as quais não tínhamos como proteger adequadamente as mulheres e punir, pela legislação, os agressores. Agressores que, na maioria dos casos, são maridos, ex-maridos ou companheiros, ou seja, aqueles com as quais a mulher compartilha a vida.

Um desses momentos, aconteceu em uma escola estadual pública quando ministramos palestra sobre violência contra a mulher. Uma senhora nos abordou, ao final da palestra, no particular, e contou sua história. Sempre que posso, relato este fato, pois ele mostra a importância da Lei Maria da Penha. Ela contou que tinha duas filhas, apanhava do marido e não sabia mais o que fazer. Ela não havia estudado e nem trabalhado fora de casa e nos disse que sabia se ia apanhar ou não quando ele chegava em casa, pela forma como ele abrisse o trinco do portão de entrada.

Recordo que saímos de lá, muito entristecidas, pois o que tínhamos para aquela mulher era a Delegacia da Mulher para a qual ela deveria se dirigir. Para quem não lembra ou não sabia, a própria mulher levava a intimação para o marido agressor e a punição dada pelos juízes era o pagamento de uma cesta básica por parte do marido. Na prática, a mulher apanhava novamente e a cesta básica era tirada do orçamento da família. Não havia acolhimento psicológico, jurídico e nem de assistência social para a vítima, ou seja, a mulher ficava desprotegida e à mercê de novas violências.

Quando a Lei Maria da Penha foi promulgada, nosso coração se encheu de esperança. Além de colocar a violência contra a mulher como responsabilidade do poder público e não mais restrita ao ambiente doméstica, a Lei trouxe a tipificação dos tipos de violência. Não é mais a violência física e visível, também a violência psicológica ou emocional, a sexual, a moral e a patrimonial entraram no radar da justiça e são passíveis de punição aos agressores.

A Lei é extremamente importante para proteção às mulheres e punição aos agressores. Sabemos que falta estrutura nas delegacias e locais de atendimento, Brasil afora, e que agressores e assassinos burlam as medidas, no entanto, dados mostram que a Lei salvou a maioria das mulheres vítimas de violência, ao longo das décadas.

Além das medidas protetivas, temos Patrulha Maria da Penha, Mulher Segura, disque 180, 190, rede de atendimento, entretanto,  precisamos, também, conscientização para que as mulheres busquem ajuda, sempre.

Vamos fazer vale a Lei Maria da Penha!!!. Viver sem violência é direito de toda mulher!!!






quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Mais uma afronta ao povo brasileiro, agora na mesa do Congresso Nacional

 Ontem, a data de 05 de agosto de 2025, será marcada como o dia da invasão de deputados de direita e de extrema-direita que legislam em causa própria e dão as costas para o povo brasileiro.

No retorno das sessões do legislativo, com pautas importantes para o povo brasileiro como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000,00, dentre outras pautas, o que se viu foi uma cambada de deputados invadirem a mesa diretora da Câmara dos Deputados e ameaçar obstruir todas as votações.

Com esparadrapos nas bocas e alguns, mais afoitos, com esparadrapos nos olhos e nas orelhas, eles querem que: haja anistia para os golpistas que atacaram a democracia e depredaram o patrimônio público em 08/01/2023; o impeachment do Ministro do STF Alexandre de Moraes, apoio ao presidente do EUA, Trump, pelo tarifaço imposto ao Brasil e o fim do foro privilegiado.

Impressionante a falta de patriotismo desses deputados que viviam ser dizer “patriotas” exaltarem um presidente de outro país que está atuando para deliberadamente ferrar o povo brasileiro (fazendeiros, empresários e classe trabalhadora) num golpe só. E aí, esses deputados apoiam? Tem algo muito errado nessa história. 

Quem usa redes digitais viu que a manobra dos referidos deputados virou indignação e piada. Memes exaltando que eles poderiam ficar com esparadrapo nas bocas para sempre concorreram com as cenas da invasão.

Publicações mostrando os valores pagos aos deputados com dinheiro público tomou conta das redes, como a seguir:

Salário: 46.366,19

Verba de gabinete: 125.478,70

Cota parlamentar: 44.952,85

Auxílio moradia: 4.253,00

 

São R$ 221.050,74 por mês que pagamos para CADA UM que se recusa a trabalhar para livrar a cara do cumpridor da Prisão Domiciliar.

 

Fonte: Internet

Além disso, foram feitas comparações com  que aconteceria com trabalhadores e trabalhadoras se fizessem o mesmo que os deputados fizeram e, também, houve questionamento sobre a atuação da polícia legislativa, a qual certamente, tiraria os trabalhadores à força do plenário, como já foi feito em várias assembleias legislativas e câmaras municipais, pelo país afora. Aliás, se fossem trabalhadores, estariam demitidos por justa causa.

Por fim, a imagem da invasão com os esparadrapos é mais uma aberração patrocinada por aqueles que deveriam estar cuidando do povo brasileiro, com apresentação de projetos para melhorar nossas vidas e deveriam estar fiscalizando as ações do executivo, como consta nas atribuições dos deputados e deputadas. Ao invés disso, eles estão apoiando o golpe contra a democracia, numa manobra para dar continuidade a tentativa de golpe de 08/01

Muitos analistas políticos e jornalistas passaram o dia comentando sobre a situação, entretanto, essa aberração extrapolou o cinismo, os memes e o ridículo, pois implica, pura e simplesmente, em traição da Pátria e atentado à democracia e, para isso,  deve haver algum tipo de punição séria e consistente.

Que a justiça seja feita!