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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

De Perpétua ao uso impróprio de "Deus, Pátria e Família"

Toda vez que ouço falar em conservadorismo, pautado na política pela famosa frase: Deus, Pátria e Família, me recordo de alguns momentos na minha juventude: da novela Tieta do Agreste e de pais de amigos que proibiam as filhas de sair, pois eles tinham duas famílias e não queriam que elas descobrissem.

Na novela Tieta do Agreste, existia a personagem Perpétua, interpretada, de maneira impecável,  pela atriz Joana Fomm. Perpétua era a famosa cajazeira, conservadora, fofoqueira, cuidadora da vida alheia, ratazana de Igreja, sempre de luto, frustrada e falsa cristã. Foi ela quem denunciou a personagem principal, Tieta, sua irmã que fora expulsa de casa pelo pai. No final, descobre-se que o grande segredo da Perpétua era guardar numa caixa, embalsamado, o pênis do marido falecido. Uma ironia para quem se vestia de preto, sempre de luto e apresentava como a guardiã da moral na pequena cidade.

O outro caso, do pai rigoroso que não permitia passeios das filhas porque o mundo ia macular suas meninas, era na realidade, um homem que possuía outra família e se escondia na imagem de bom pai e bom marido.

Não vamos discutir se é certo ou errado,  Perpétua guardar o pênis embalsamado do marido ou o marido ser polígamo é problema deles e da lei (se for o caso), o que se destaca é a hipocrisia da moral que tanto um como outro querem impor à sociedade, como se ela e ele fossem santificados.

A lição que guardei dessas duas histórias é que quando mais conservadora uma pessoa  grita ser, mais significa que alguma coisa está errada e escondida.

Obviamente, que isso nos leva a verificar a imagem do candidato à presidente da República (filho de ex-presidente preso) o qual que está em segundo lugar nas pesquisas. Ele, novamente, usa a famosa “Deus, Pátria e Família”, no entanto, além de seu desejo de colocar o Brasil como colônia dos EUA e tantas outras falcatruas, a defesa da família caiu por terra. Notícias recentes apresentaram imagens e textos do candidato traindo sua esposa com prostitutas em orgias, o que, também,  derruba a família no tripé “Deus, Pátria e Família” apresentado como mote de campanha. Nenhuma novidade para quem acompanha sua trajetória, o comportamento e a forma como a família dele e ele tratam as mulheres.

Enfim, a máscara caiu. Errar todo mundo erra, mas se esconder atrás de uma falsa moralidade, de nada adianta, pois a verdade, um dia, prevalece. Perpétua que o diga.


Foto da atriz Joana Fomm como Perpétua. Foto extraída da Internet.