Pela manhã, ao me deparar com notícia sobre o processo contra mais uma vereadora na Câmara de Maringá me acendeu uma luzinha. Na Câmara são 5 vereadoras e 18 vereadores. Uma delas foi cassada, uma está com processo para cassação e agora uma terceira está sendo indiciada. Não vou discutir a posição ideológica das três nem os possíveis erros que possam ter cometido. Também, sou a favor de que quem erra, precisa pagar, seja homem ou mulher. O que me chama a atenção é a diferença no tratamento quando a situação envolve os homens e as mulheres que atuam, também, na política. Nos corredores da política, nas ruas e nas redes digitais, as mulheres são massacradas enquanto os homens são tratados como “meninos levados que cometeram um errinho”.
A
luzinha que acendeu me fez pensar que as três vereadoras têm em comum, a
construção de suas trajetórias políticas sem terem familiares consolidados na
política ou padrinhos políticos poderosos. Ou seja, elas construíram seus
espaços na política e foram eleitas por suas trajetórias. Concordemos ou não
com as posições delas, reconhecemos o mérito de suas histórias.
Por
sua vez, a história maringaense conta com muitos casos de vereadores homens que
foram indiciados e foram absolvidos, inclusive por crimes de superfaturamento,
violência contra a mulher, violência contra animais, dentre outros.
A
luzinha acesa nos faz pensar que a violência política de gênero contra as
mulheres é uma realidade gritante na vida das mulheres eleitas e das mulheres
que atuam como lideranças em movimentos sociais. Xingamentos, ameaças de morte,
tentativas de difamar e desqualificar são corriqueiras, a despeito da lei
homologada em 2021 que trata a violência política de gênero como crime passível
de penas de reclusão.
Inclusive,
além de homens, muitas mulheres, também, foram mortas pelo incomodo que suas
posições políticas (notadamente de esquerda, direitos humanos e ambientais) causaram nos poderosos dos territórios que habitavam, tais
como Irmã Doroty (missionária e ambientalista), Margarida Alves (sindicalista
rural), Dorcelina Folador (Prefeita de Mundo Novo-MS), Marielle Franco
(Vereadora Rio de Janeiro), dentre outras.
Mas,
voltando para a Maringá de 2026, vale relembrar o Movimento Mais Mulheres no
Poder (MMNP) criado em 2020, tendo
a vereadora Ana Lucia como uma das idealizadoras, cujo objetivo era eleger
mulheres, pois a legislatura anterior era composta somente por homens. Quem
tiver interesse em conhecer o MMNP: (Tait, Tania. Elas querem o poder.
Iperfil, Maringá, 2022).
O
objetivo do movimento foi parcialmente atingido e 5 mulheres foram eleitas. O
desejo era 50% de mulheres eleitas correspondente ao número da população
feminina. Isso não ocorreu e, nem todas as eleitas, infelizmente, defendem os
direitos das mulheres, conforme o desejo do MMNP. Mesmo assim, o MMNP comemorou
a eleição de 5 mulheres.
Entretanto,
é preciso refletir dois pontos importantes: 1. Como as mulheres eleitas são
tratadas; 2. O fato das mulheres eleitas se unirem no discurso contra as
mulheres, inclusive sendo misóginas.
No
primeiro caso, vê-se de forma nítida, a celeridade nos processos contra as
mulheres somado aos inúmeros ataques e ameaças vindo de colegas, de adversários
políticos e público, em geral.
No
segundo caso, a meu ver, falta formação política e conhecimento da história
visto que as feministas tiveram um papel fundamental na ocupação dos espaços de
poder. Feministas que são, muitas vezes, xingadas, pelas próprias mulheres que
conseguiram ser eleitas, ou seja, ocupam o espaço de poder defendido pelas
feministas, mas atacam as que lutaram para a possibilidade de serem eleitas.
Contraditório, mas nem tanto, pois essas mulheres que se dizem antifeministas, vivem
numa sociedade machista e patriarcal e seguem as normas ditadas pelos homens.
Enfim,
muito assunto pra um texto apenas, mas o que vale refletir é a motivação
absurda para que as mulheres que atuam na política sejam xingadas, atacadas e
ameaçadas, tem seus processos em tramitação rápida e ficam isoladas politicamente,
mesmo diante de seus pares. A situação para as mulheres, portanto, é muito
distinta pela qual passam os homens vistos como meros “meninos levados”.
Obviamente
que o rigor da tramitação, as defesas e a conclusão dos processos devem ser da mesma forma, para todos e todas, independente de gênero,
posição ideológica ou qualquer outra motivação.
O
que não se admite mais é que a misoginia e o machismo influenciem as decisões e a forma
de tratamento dado às mulheres!

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