Toda vez que ouço falar em conservadorismo, pautado na política pela famosa frase: Deus, Pátria e Família, me recordo de alguns momentos na minha juventude: da novela Tieta do Agreste e de pais de amigos que proibiam as filhas de sair, pois eles tinham duas famílias e não queriam que elas descobrissem.
Na
novela Tieta do Agreste, existia a personagem Perpétua, interpretada, de
maneira impecável, pela atriz Joana
Fomm. Perpétua era a famosa cajazeira, conservadora, fofoqueira, cuidadora da
vida alheia, ratazana de Igreja, sempre de luto, frustrada e falsa cristã. Foi
ela quem denunciou a personagem principal, Tieta, sua irmã que fora expulsa de
casa pelo pai. No final, descobre-se que o grande segredo da Perpétua era
guardar numa caixa, embalsamado, o pênis do marido falecido. Uma ironia para
quem se vestia de preto, sempre de luto e apresentava como a guardiã da moral
na pequena cidade.
O
outro caso, do pai rigoroso que não permitia passeios das filhas porque o mundo
ia macular suas meninas, era na realidade, um homem que possuía outra família e
se escondia na imagem de bom pai e bom marido.
Não
vamos discutir se é certo ou errado, Perpétua guardar o pênis embalsamado do marido
ou o marido ser polígamo é problema deles e da lei (se for o caso), o que se
destaca é a hipocrisia da moral que tanto um como outro querem impor à
sociedade, como se ela e ele fossem santificados.
A
lição que guardei dessas duas histórias é que quando mais conservadora uma
pessoa grita ser, mais significa que alguma
coisa está errada e escondida.
Obviamente,
que isso nos leva a verificar a imagem do candidato à presidente da República (filho de ex-presidente preso) o qual que está em
segundo lugar nas pesquisas. Ele, novamente, usa a famosa “Deus, Pátria e
Família”, no entanto, além de seu desejo de colocar o Brasil como colônia dos
EUA e tantas outras falcatruas, a defesa da família caiu por terra. Notícias
recentes apresentaram imagens e textos do candidato traindo sua esposa com
prostitutas em orgias, o que, também, derruba a
família no tripé “Deus, Pátria e Família” apresentado como mote de campanha. Nenhuma
novidade para quem acompanha sua trajetória, o comportamento e a forma como a
família dele e ele tratam as mulheres.
Enfim, a máscara caiu. Errar todo mundo erra, mas se esconder atrás de uma falsa moralidade, de nada adianta, pois a verdade, um dia, prevalece. Perpétua que o diga.






