Para compartilhar idéias!







terça-feira, 25 de novembro de 2025

Catarina, Bruna, Jujuba, Magó... quantas mais...até quando?

 A cada crime cometido contra mulheres, sinto um aperto imenso no peito. Estou, junto a muitas mulheres e alguns homens, na luta pelo fim da violência contra a mulher desde que comecei, na juventude, minha militância pelos direitos das mulheres.

Vimos a aprovação da Constituição Brasileira que nos garante o direito de ir e vir, exaltamos a criação das Delegacias da Mulher nos anos 1980, nos animamos com a Lei Maria da Penha, homologada em 2006 (primeiro governo do Presidente Lula), divulgamos o disque 180, valorizamos o rigor da Lei do Feminicídio de 2014 e tantas outras leis de combate à violência contra a mulher.

Nos entristecemos com um governo de 2018 a 2022 (do presidente inelegível e agora, presidiário) que cortou, 90%, do orçamento de políticas públicas para o combate à violência contra a mulher e exaltou a função submissa da mulher. Submissão essa que se mostrou hipócrita, pois as mulheres do seu partido e aliados se empoderaram pra candidaturas eleitorais e pelo orçamento do fundo partidário destinado às candidaturas femininas.

Pensamos e atuamos no combate à violência doméstica, dentro dos relacionamentos e na violência que as mulheres sofrem pelo simples fato de serem mulheres.

Quando nos deparamos com feminicídio como os cometidos contra mulheres a exemplo de Catarina, refletimos sobre o papel da sociedade e do poder público na garantia dos direitos de ir e vir das mulheres, que ao ter medo do simples ato de andar sozinhas nas ruas à noite, demonstra, de forma nítida, que esse direito não existe para as mulheres.

O que Catarina, Bruna, Jujuba, Magó e tantas outras que encontram monstros em seu caminho tinham em comum? São mulheres que fizeram valer seu direito à liberdade, de escolhas, de ir e vir, de exercer seu trabalho.

Não conheci pessoalmente nenhuma das quatro que cito no título. Acompanhei de perto a dor da mãe e do pai da Magó, em Maringá. Eu os conhecia por trabalharmos juntos na UEM (Universidade Estadual de Maringá) e por ter sido aluna de sapateado da mãe, Daisa. Nos aproximamos na dor de uma mãe com uma perda que não tem nome nem reparação e que transformou sua dor em luta para que outras famílias não passem por este sofrimento.

Não conheço os caminhos pelos quais as  quatro mulheres andaram no dia de suas mortes, com exceção do trajeto feito por Catarina, na Praia do Matadeiro, em Florianópolis. Talvez por conhecer o trajeto e ter caminhado por lá, no meu tempo de doutorado UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), com amigas e amigos e com minhas filhas, fiquei imaginando Catarina caminhando tranquilamente, como devia fazer sempre. É um local lindo de ver, por onde se chega andando em uma ponte de pedestres, por cima de um rio.

Sei, pelas informações via imprensa, que Magó caminhava na trilha para uma cachoeira, Jujuba dormia em uma rede na hospedagem que estava, Bruna resolveu ir a pé pra casa e Catarina ia para uma aula de natação. Ações cotidianas que qualquer uma de nós faz, sem imaginar que esse trajeto ou esse sono possa ser interrompido por ataques, estupros ou mortes.

É com muita tristeza que penso no trajeto interrompido  e na vida ceifada das mulheres, pelo fato de serem mulheres.

Diante de tudo isso, este 25 de novembro que é o dia internacional pelo fim da violência contra a mulher, precisa ser comentado, tratado, divulgado, mas que o combate à violência  aconteça todos os dias do ano todo, para que mulheres e meninas tenham o direito de ir e vir e viver num mundo sem violência.

Por Catarina, Bruna, Jujuba, Magó e tantas outras!!!




 

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Clara Charf, presente!

 A notícia da morte de Clara Charf, hoje, aos 100 anos de idade, me trouxe à memória aquele dia em São Paulo, quando a conheci e troquei algumas palavras com ela.

A década era 1980, não sei precisar o ano. O evento era uma reunião nacional das mulheres do PT, com representantes de vários Estados, onde eu era uma das representantes do Paraná.

Na chegada, havia uma escada e todas foram entrando no local. Ao meu lado estava uma senhora que parecia ter um pouco mais de idade que as outras mulheres presentes. Observei que ela usava acessórios na cor lilás. Percebi, também, que andava devagar e ofereci meu braço pra ela subir as escadas. Ela aceitou e disse:

- você deve ser acostumada com pessoas de mais idade

- sim, tenho minhas avós. Respondi a ela.

- dá pra perceber. Você foi a única que me esperou e acompanhou, as demais subiram as escadas sem nem reparar quem vinha atrás.

Até então eu não havia me dado conta de quem ela era. Na apresentação de cada participante da reunião, fiquei de boca aberta, claro. Eu havia dado o braço pra acompanhar Clara Charf, a esposa de Carlos Marighela, dois ícones na luta contra a ditadura militar. Ele assassinado numa emboscada, ela exilada.

Na reunião, tarefas foram distribuídas entre nós. Na reunião seguinte, meses depois, a Clara havia sido a única, da sua equipe, que cumpriu a tarefa que lhe fora designada. A impressão que Clara me deixou nessas duas oportunidades foi de uma pessoa que com segurança e firmeza, cumpre suas atribuições de forma responsável e organizada. Provavelmente, características herdadas de sua militância no combate ao governo da ditadura militar.

Seu retorno ao Brasil, pós-exílio, não foi fácil, segundo ela, principalmente, pela dificuldade em obter emprego. Foi uma das fundadoras do PT e apoiadora do MST, foi candidata, recebeu homenagem no Governo da Presidente Dilma por sua trajetória na defesa dos direitos das mulheres e atuou sempre na defesa da democracia.

Certamente, Clara Charf entra para a história como um exemplo de resistência e luta pela democracia.

Clara, presente!!!

Foto: imagens da Internet


sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Os movimentos sociais e a Caravana Federativa do Governo Lula

Nos dias 30 e 31 de outubro, aconteceu a Caravana Federativa do Governo Federal no Paraná. Realizada em Foz do Iguaçu, tendo a Itaipu como anfitriã, a Caravana Federativa tem como objetivo aproximar o Governo Federal das prefeituras e da população, garantindo que os programas cheguem onde mais são necessários. No evento ocorreram debates, oficinas e estandes com a presença dos ministérios e órgãos federais para atender prefeitos, vereadores e lideranças do movimento social, facilitando o acesso a programas, convênios e políticas públicas.

A abertura do evento contou com a presença de ministros/as, deputados/as federais e estaduais, prefeitos/as, vereadores/as e representante do movimento social. A ministra Gleisi Hofmann falou da importância da aproximação do Governos Federal para que os municípios tenham acesso facilitado aos programas e salientou o compromisso do Governo Lula com o povo. Para o diretor brasileiro da Itaipu Binacional, Dr. Enio Verri, a iniciativa do Governo Federal cumpre uma missão relevante ao trazer os programas e ações para perto da população, tanto do setor público municipal com das entidades da sociedade civil. Representando a Alep (Assembleia Legislativa do Paraná), o deputado Arilson Chioratto ressaltou a parceria do Governo Federal com os municípios paranaenses. A representante do Ministério das Mulheres, Eutália Barbosa reforçou o pacto e ações pelo combate à violência contra a mulher enquanto o Ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, destacou o ressarcimento aos aposentados por parte do Governo Federal relativo aos descontos não autorizados. Consenso entre as autoridades e representantes da sociedade civil, exaltou-se a relevância da Caravana como forma de aproximar o Governos Federal e a população. 

Via o Fórum de Participação Social (FPS), do qual a entidade que atuo, Associação Maria do Ingá Direitos das Mulheres faz parte, tivemos a oportunidade de participar da plenária do FPS bem como das oficinas específicas na área de direitos das mulheres.

Entre autoridades de terno e gravata, movimentos indígena e negro com suas vestimentas, mulheres com suas bandeiras de luta, dentre tantos, a Caravana mostra um pouco a cara do Estado do Paraná, que ainda mantem altos índices de feminicídio, racismo e preconceito, os quais devem ser combatidos com a união de movimento social e setor público.

Como observadora, não pude deixar de registrar que na mesa de abertura, estavam presentes 30 homens e apenas 5 mulheres, nenhum negro, numa demonstração clara que ainda há muito o que fazer para a igualdade no Estado do Paraná. Ainda mais para nós mulheres,  que somos 52% da população, e estamos muito aquém da ocupação nos espaços de poder, como bem tratado na oficina do Ministério das Mulheres sobre Estratégias para ocupação dos espaços de poder.

No mais, a iniciativa do Governo Federal e organização do evento nos pareceram excelentes, sendo os contatos e as atividades promissoras com vistas a que as ações do Governo Federal cheguem pertinho de nós, nos nossos municípios.


Foto: Abertura da Caravana Federativa no Paraná. 30/10/2025. A autora.

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres na região Sul do Brasil

A 6ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) teve início em março de 2025 no Saara Ocidental, com encerramento em outubro de 2025, no Nepal. Com o lema “Seguiremos em marcha contra as guerras e o capital, por soberanias populares e bem viver”, a MMM realizou eventos em mais de 60 países. No Brasil, ocorreram eventos em várias cidades durante o período.

A Ação Internacional da MMM acontece a cada 5 anos e mostra a importância da união e da solidariedade entre as mulheres. Ao reunir mulheres diversas (do campo, da cidade, das águas, das florestas, negras, indígenas, quilombolas, brancas, jovens, idosas, lésbicas, bissexuais, trans, trabalhadoras, estudantes, sindicalistas, da agroecologia e da economia solidária), a MMM está presente em todos os segmentos na luta para mudar o mundo e a vida das mulheres para o bem viver, que implica na defesa dos bens comuns e de nossos corpos.

Na Região Sul do Brasil, nos dias 18 e 19 de outubro, em Florianópolis e Palhoça (Santa Catarina),  realizou-se o encerramento da 6ª. Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres. Representantes dos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul participaram do evento, o qual contou com a realização de caminhada, roda de conversa e debates.

No dia 18, pela manhã, as marchantes, como são chamadas, realizaram caminhada pelo centro de Florianópolis com palavras de ordem pelo fim das guerras, combate à violência contra a mulher, descriminalização do aborto, justiça climática, dentre outras.

No período da tarde, na cidade de Palhoça, houve roda de conversa na Ocupação Marighela, ressaltando o direito à moradia e uma visita à Associação de Reciclagem de Lixo, com destaque para a valorização da necessidade de reciclar e cuidar do meio ambiente.

No dia 19, as reuniões aconteceram no Aldeia Pira Rupa, com debates e propostas de ação na região sul para os 4 eixos de atuação da MMM: Defesa dos bens comuns, Paz e desmilitarização, Economia feminista e solidária, Autonomia sobre nossos corpos e sexualidade. Em cada eixo foram apresentadas propostas, as quais são encaminhadas para os territórios e comporão a realização das atividades da MMM para os próximos anos. No Brasil, especificamente, destacam-se ações pelos 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher, que se inicia no dia 20 de novembro (Dia da Consciência Negra) e vai até 10 de dezembro (Dia dos Direitos Humanos), passando pelo 25 de novembro (Dia Internacional de combate à violência contra a mulher) e 01 de dezembro (Dia Mundial de combate à AIDS)

Mais de 200 mulheres participaram da 6ª Ação da região Sul e confirmaram a palavra de ordem “ Seguiremos em marcha, até que todas sejamos livres!”

Fotos nos álbuns no Facebook (Tania Tait): 6a. Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres

(Tania Tait, 20/10/2025)



Representantes de Maringá: Marcia França, Patricia Lessa, Vera Nogueira e Tania Tait



quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Festival Medieval, Voucher para uniforme escolar, Aumento de 30% de IPTU... a quem serve a gestão municipal de Maringá?

Em seus 78 anos de idade, Maringá cresceu vertiginosamente se tornando polo de uma região com comércio, setor agrário e prestação de serviços pungentes. Paulatinamente, a vida na cidade encareceu para seus moradores trabalhadores, os quais se deslocam para morar nas cidades vizinhas, mesmo trabalhando em Maringá.

Dominada por uma elite empresarial com forte vinculo com família de políticos, a cidade parece gostar da imagem de “cidade rica” e, muitas vezes, esconde sua própria história forjada pelo trabalho de pessoas de vários locais que pra cá se dirigiram em busca de uma vida melhor.

Um exemplo, tem sido a construção de prédios na Vila Operária, a qual na propaganda das construtoras é tratada como “Zona 03” como se o nome “Operária” não pegasse bem para os edifícios de alto padrão. Vale lembrar que na organização dos bairros no começo da cidade, a Vila Operária (Zona 03) como o nome diz era destinada aos trabalhadores braçais enquanto a Zona 02 (até hoje não entendi porque ela não tem um nome) era para profissionais liberais e Centro (Zona 01) usada para o comércio, conforme narram vários livros e pesquisas que contam a trajetória da cidade e suas gestões municipais.

Mas, ao voltar para a atualidade, vê-se que esta nova gestão que completou 9 meses, dominada, novamente, pelo grupo da família de políticos, possui como marca o controle  da cidade, só que desta vez, tem trazido propostas inusitadas e polêmicas, pra não dizer outros adjetivos.  Destacam-se: um Festival Medieval, o voucher para uniforme escolar e o aumento de 30% do IPTU.

O Festival Medieval chamou muita atenção. Representantes da Prefeitura foram a Portugal (com dinheiro público) sob alegação de intercâmbio comercial com o país. Rapidamente, a turma trouxe o projeto de um Festival Medieval, fizeram o lançamento do evento com trajes típicos e imitaram uma festa da Idade Média. Onde e como arrumaram os trajes, tão rapidamente, é uma incógnita. Mas, isso é detalhe. O que importa é que um Festival Medieval não tem nada a ver com um local que foi transformado em cidade em 1947, portanto, sem tradição alguma no período da Idade Média. Fazer intercâmbio comercial é ótimo para todos os lados, no entanto, a forma como tudo foi conduzido chegou a beirar o ridículo.

O Voucher, por sua vez, mexeu com a estrutura escolar de forma abrupta, com a alegação de atender os comerciantes da região, ao invés de abrir processo licitatório. Dessa forma, a Prefeitura se livra do problema de aquisição dos uniformes e leva um trabalho a mais para os pais que terão de colocar em sua rotina diária já tão espremida, tempo para pesquisar e comprar uniforme. Certamente, com o tempo, o recurso gasto pela prefeitura será superfaturado ou mal dimensionado diante do mercado e não há garantia da qualidade apregoada.

E na última proposta, tem-se o aumento absurdo do IPTU com alta de 30% para 2026. Prefeito e vereadores aliados (as) aprovaram o projeto mesmo diante dos protestos dos maringaenses, em uma Câmara Municipal com presença massiva dos cargos comissionadas e tanto a Polícia Militar como a Guarda Municipal convocadas para intimidar a população. Vários cálculos mostraram que o aumento é abusivo, mas foi aprovado pelos vereadores, por 15 a 7.

Tudo isso leva à reflexão: para quem a gestão municipal trabalha e quais os interesses por trás das propostas apresentadas e aprovadas pelos vereadores? Talvez nunca se saiba, entretanto, essas propostas não foram apresentadas na campanha eleitoral, o que significa que eleitores e eleitoras foram enganados ao eleger candidatos (Prefeitos e Vereadores) que apresentam projetos e votam contra os interesses da população.


Foto: Sessão da Câmara Municipal de Maringá, de 02/10/2025. Acervo da autora.

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

V Conferência Nacional de Políticas para Mulheres: “Mais Democracia, Mais Igualdade, Mais Conquistas para Todas”.

Foto: Agência Brasil

                

Começou hoje, dia 29/09 e vai até 01/10, em Brasília, a V Conferência Nacional de Políticas para Mulheres, com o tema “Mais Democracia, Mais Igualdade, Mais Conquistas para Todas”.

Coordenado pelo Ministério das Mulheres (MMulheres) e pelo Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), a V Conferência reúne quase 4 mil participantes, escolhidas delegadas nas conferências municipais e estaduais.

As delegadas irão debater os temas: enfrentamento às desigualdades sociais, econômicas e raciais; combate à violência contra as mulheres; aumento das mulheres em espaços de poder e decisão; fortalecimento das políticas de cuidado e de autonomia econômica; saúde, educação e assistência social; o fim da escala 6x1 e direitos reprodutivos, entre outras propostas aprovadas nas conferências municipais e estaduais, realizadas desde o mês de abril.

O presidente Lula participou da abertura da Conferência e afirmou que  não existe democracia sem ouvir as mulheres, e ações contínuas são necessárias para que seus direitos não retrocedam. De acordo com o governo, a conferência marca a retomada da “principal instância de participação social voltada à promoção da igualdade de gênero no Brasil. A última edição do evento ocorreu em 2016, no governo da presidenta Dilma Rousseff. Ver  (https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2025-09/lula-abre-conferencia-e-sanciona-ampliacao-da-licenca-maternidade)

No evento, o Presidente Lula, também, assinou a lei que amplia a licença maternidade para 120 dias em caso de internação após o parto.

Após quase 10 anos sem a realização de uma Conferência de Políticas para Mulheres, a expectativa das 4 mil mulheres presentes é que os direitos das mulheres sejam amplamente respeitados. Como resultado final da V Conferência é prevista, a criação de um Plano Nacional de Políticas para Mulheres que contemple todas as propostas para que as mulheres tenham direito a uma vida sem violência de qualquer tipo e que o Plano seja uma ação permanente, de Estado, que independa do Governo que esteja no poder, para que não haja retrocessos nas políticas públicas para mulheres, como ocorreu nas duas últimas gestões presidenciais (de 2016 a 2022).

Tania Tait, 29/09/2025

 

domingo, 10 de agosto de 2025

Jornalistas de Maringá participam da 1ª. Conferência Livre Mulheres na Linha de frente

As jornalistas de Maringá, Kristhianne Schornobay (diretora do Sindjor) e Tania Tait (voluntária na Ong Maria do Ingá Direitos da Mulher) participaram da Conferência Livre Mulheres na linha de frente – Jornalismo, Resistência e Políticas Públicas, realizada no formato on line, no dia 09/08 (sábado).  A conferência, proposta e organizada pela Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas por meio da sua Comissão de Mulheres, teve participação de jornalistas de todo o Brasil.

No evento houve a apresentação da Ministra das Mulheres, Marcia Lopes que abordou sobre a importância das conferências que estão acontecendo em todo o país com discussões de propostas e indicação de delegadas para a V Conferência Nacional de Políticas para Mulheres, na qual será elaborado o Plano Nacional de Políticas para Mulheres. Além das conferências realizadas pelos conselhos municipais e estaduais de direitos das mulheres, o Ministério incentivou e aprovou a realização das conferências livres para garantir a ampla participação das brasileiras na Conferência Nacional. 

Segundo a Ministra, são quase 10 anos sem a realização de uma conferência e sem o estabelecimento do Plano Nacional, o que impactou em retrocessos na área de direitos das mulheres, portanto, a presença feminina representativa de todos os setores e regiões impacta positivamente no estabelecimento de ações para garantia dos direitos das mulheres, por uma vida sem violência e igualdade de oportunidades, também nos espaços de poder. Para ela, a conferência das jornalistas é fundamental pois elas estão em todas as frentes e sofrem duplamente, na atuação profissional, por serem jornalistas e mulheres, cada vez mais atacadas, dentro de veículos de comunicação e nas ruas, sendo assediadas moral e sexualmente. Medidas precisam ser tomadas para que esses ataques cessem e os agressores sejam efetivamente punidos.

As jornalistas presentes à Conferência discutiram, também,  temas importantes para o país como a redemocratização e a regulação da redes digitais, o combate às fakenews, a ocupação nos espaços de poder pelas mulheres, dentre outros.

As propostas aprovadas na 1ª. Conferência bem como o nome das delegadas indicadas serão encaminhadas para o Conselho Nacional dos Direitos das Mulheres para garantir a participação destas na Conferência Nacional.

Para a jornalista Kristhianne Schornobay, a Fenaj deu um passo importante ao reunir, pela primeira vez, mulheres jornalistas de todo o país num momento em que o jornalismo se encontra em cheque na sociedade, com tanta desinformação e ataques. Tania Tait, por sua vez, considera que as jornalistas apresentaram discussões relevantes na garantia da atuação profissional, nos direitos das mulheres e no acesso e disseminação da informação de qualidade.


Kristhianne Schornobay

Tania Tait