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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Lembranças de uma adolescente maringaense



Como toda adolescente, tenho as lembranças dos passeios pela cidade, do Parque do Ingá, da pista de patinação, dos passeios na Av. Herval, da sorveteria Espucreme, dos cinemas, das andanças de bicicleta, do treino de natação no Clube Olímpico, entre tantas. Talvez pelo privilégio de morar na área central da cidade, eu tenha algumas lembranças distintas de quem morava nos bairros mais afastados.

Mas, além das lembranças juvenis, eu tenho outras, as quais eu não compreendia muito bem na época, mas que me incomodavam. Destaco algumas: a frase “Brasil, ame-o ou deixei-o”; o desvio do assunto de um professor em sala de aula, as notícias estranhas do Jornal Nacional, meu pai contar que sumiram pessoas em Maringá e a interpretação das músicas nas aulas de português.

Maringá está situada no norte do Paraná, conta, atualmente, com mais de 400 mil habitantes e fez 78 anos. Entretanto, na minha infância e adolescência, a cidade era considerada pequena, jovem e praticamente todo mundo se conhecia. Ao olhar para o passado, parece incrível pensar que aqui existiam pessoas que discordavam do governo da ditadura militar (de 1964 a 1985) e atuavam contra ele. Mas, elas existiram e muitas pesquisas narram essa parte da história da cidade, inclusive com relação as mulheres que atuaram neste campo, as quais narro no livro “as mulheres na luta política” (Editora CRV, 2020).

Voltemos às lembranças da adolescência. Nitidamente, me vem à mente, as fitinhas com a frase “Brasil, ame-o ou deixe-o”, embalada pela música “Eu te amo meu Brasil”, composição de Dom, da dupla Dom & Ravel e lançada pela banda Os Incríveis, em  1970. A música foi criada como hino da Copa do Mundo, mas foi usada como propaganda pelo governo da ditadura militar.

A segunda lembrança, já no primeiro ano do ensino médio (na época, chamava científico), o professor pediu pra lermos a Constituição Federal Brasileira. Na leitura, encontrei a eleição pra governador e me chamou atenção. Na aula, perguntei pra ele por que os governadores não eram eleitos se estava na Constituição. Ele desconversou, ficou vermelho e não respondeu. Na época, eu não entendi que se ele comentasse, corria o risco de ser preso. O ano era 1976. Fui pesquisar por conta própria e encontrei que: “o governo  militar, instituído em 1964, proibiu o voto direto para presidente da República e representantes de outros cargos majoritários, como governador, prefeito e senador”.

Talvez percebendo meu interesse juvenil por política e como eu ficava brava assistindo o Jornal Nacional, chamando as notícias de mentirosas, meu pai contava que sumiram pessoas na região de Maringá, que eram contra o governo. Segundo ele, professores, jornalistas e sindicalistas simplesmente desapareciam e ninguém sabia deles. Na época, minha mãe me proibiu de assistir o jornal, pois segundo ela, eu ficava muito nervosa. Tenho a impressão que os dois combinavam o que fazer com a filha estudiosa e curiosa, “perguntadeira” demais.

As músicas sempre fizeram parte da minha vida, as festas da família sempre eram regadas à música, cantadas e ensinadas pela minha avó Marianna. Portanto, o interesse pela interpretação dos textos das músicas foi natural e me encantou ser apresentada ao Chico Buarque. Lembro a primeira vez que li: “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia”. Não era recado pra uma mulher, era pro governo da ditadura militar.

Então, foi assim, uma adolescente que usava óculos desde os cinco anos de idade, andava de bicicleta e nadava, gostava dos livros e das músicas, observou o mundo ao seu redor e, nas entrelinhas do cotidiano, entre as danças nas tardes de domingo nas casas de amigas, percebeu que alguma coisa não estava certa, pois havia um certo medo pairando no ar do mundo dos adultos.

Anos depois, com tristeza, ela conheceu a história e viu que sua impressão estava certa. O medo que pairava no ar fazia sentido.


 

 

 

 

 

 

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Catarina, Bruna, Jujuba, Magó... quantas mais...até quando?

 A cada crime cometido contra mulheres, sinto um aperto imenso no peito. Estou, junto a muitas mulheres e alguns homens, na luta pelo fim da violência contra a mulher desde que comecei, na juventude, minha militância pelos direitos das mulheres.

Vimos a aprovação da Constituição Brasileira que nos garante o direito de ir e vir, exaltamos a criação das Delegacias da Mulher nos anos 1980, nos animamos com a Lei Maria da Penha, homologada em 2006 (primeiro governo do Presidente Lula), divulgamos o disque 180, valorizamos o rigor da Lei do Feminicídio de 2014 e tantas outras leis de combate à violência contra a mulher.

Nos entristecemos com um governo de 2018 a 2022 (do presidente inelegível e agora, presidiário) que cortou, 90%, do orçamento de políticas públicas para o combate à violência contra a mulher e exaltou a função submissa da mulher. Submissão essa que se mostrou hipócrita, pois as mulheres do seu partido e aliados se empoderaram pra candidaturas eleitorais e pelo orçamento do fundo partidário destinado às candidaturas femininas.

Pensamos e atuamos no combate à violência doméstica, dentro dos relacionamentos e na violência que as mulheres sofrem pelo simples fato de serem mulheres.

Quando nos deparamos com feminicídio como os cometidos contra mulheres a exemplo de Catarina, refletimos sobre o papel da sociedade e do poder público na garantia dos direitos de ir e vir das mulheres, que ao ter medo do simples ato de andar sozinhas nas ruas à noite, demonstra, de forma nítida, que esse direito não existe para as mulheres.

O que Catarina, Bruna, Jujuba, Magó e tantas outras que encontram monstros em seu caminho tinham em comum? São mulheres que fizeram valer seu direito à liberdade, de escolhas, de ir e vir, de exercer seu trabalho.

Não conheci pessoalmente nenhuma das quatro que cito no título. Acompanhei de perto a dor da mãe e do pai da Magó, em Maringá. Eu os conhecia por trabalharmos juntos na UEM (Universidade Estadual de Maringá) e por ter sido aluna de sapateado da mãe, Daisa. Nos aproximamos na dor de uma mãe com uma perda que não tem nome nem reparação e que transformou sua dor em luta para que outras famílias não passem por este sofrimento.

Não conheço os caminhos pelos quais as  quatro mulheres andaram no dia de suas mortes, com exceção do trajeto feito por Catarina, na Praia do Matadeiro, em Florianópolis. Talvez por conhecer o trajeto e ter caminhado por lá, no meu tempo de doutorado UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), com amigas e amigos e com minhas filhas, fiquei imaginando Catarina caminhando tranquilamente, como devia fazer sempre. É um local lindo de ver, por onde se chega andando em uma ponte de pedestres, por cima de um rio.

Sei, pelas informações via imprensa, que Magó caminhava na trilha para uma cachoeira, Jujuba dormia em uma rede na hospedagem que estava, Bruna resolveu ir a pé pra casa e Catarina ia para uma aula de natação. Ações cotidianas que qualquer uma de nós faz, sem imaginar que esse trajeto ou esse sono possa ser interrompido por ataques, estupros ou mortes.

É com muita tristeza que penso no trajeto interrompido  e na vida ceifada das mulheres, pelo fato de serem mulheres.

Diante de tudo isso, este 25 de novembro que é o dia internacional pelo fim da violência contra a mulher, precisa ser comentado, tratado, divulgado, mas que o combate à violência  aconteça todos os dias do ano todo, para que mulheres e meninas tenham o direito de ir e vir e viver num mundo sem violência.

Por Catarina, Bruna, Jujuba, Magó e tantas outras!!!




 

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Clara Charf, presente!

 A notícia da morte de Clara Charf, hoje, aos 100 anos de idade, me trouxe à memória aquele dia em São Paulo, quando a conheci e troquei algumas palavras com ela.

A década era 1980, não sei precisar o ano. O evento era uma reunião nacional das mulheres do PT, com representantes de vários Estados, onde eu era uma das representantes do Paraná.

Na chegada, havia uma escada e todas foram entrando no local. Ao meu lado estava uma senhora que parecia ter um pouco mais de idade que as outras mulheres presentes. Observei que ela usava acessórios na cor lilás. Percebi, também, que andava devagar e ofereci meu braço pra ela subir as escadas. Ela aceitou e disse:

- você deve ser acostumada com pessoas de mais idade

- sim, tenho minhas avós. Respondi a ela.

- dá pra perceber. Você foi a única que me esperou e acompanhou, as demais subiram as escadas sem nem reparar quem vinha atrás.

Até então eu não havia me dado conta de quem ela era. Na apresentação de cada participante da reunião, fiquei de boca aberta, claro. Eu havia dado o braço pra acompanhar Clara Charf, a esposa de Carlos Marighela, dois ícones na luta contra a ditadura militar. Ele assassinado numa emboscada, ela exilada.

Na reunião, tarefas foram distribuídas entre nós. Na reunião seguinte, meses depois, a Clara havia sido a única, da sua equipe, que cumpriu a tarefa que lhe fora designada. A impressão que Clara me deixou nessas duas oportunidades foi de uma pessoa que com segurança e firmeza, cumpre suas atribuições de forma responsável e organizada. Provavelmente, características herdadas de sua militância no combate ao governo da ditadura militar.

Seu retorno ao Brasil, pós-exílio, não foi fácil, segundo ela, principalmente, pela dificuldade em obter emprego. Foi uma das fundadoras do PT e apoiadora do MST, foi candidata, recebeu homenagem no Governo da Presidente Dilma por sua trajetória na defesa dos direitos das mulheres e atuou sempre na defesa da democracia.

Certamente, Clara Charf entra para a história como um exemplo de resistência e luta pela democracia.

Clara, presente!!!

Foto: imagens da Internet


sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Os movimentos sociais e a Caravana Federativa do Governo Lula

Nos dias 30 e 31 de outubro, aconteceu a Caravana Federativa do Governo Federal no Paraná. Realizada em Foz do Iguaçu, tendo a Itaipu como anfitriã, a Caravana Federativa tem como objetivo aproximar o Governo Federal das prefeituras e da população, garantindo que os programas cheguem onde mais são necessários. No evento ocorreram debates, oficinas e estandes com a presença dos ministérios e órgãos federais para atender prefeitos, vereadores e lideranças do movimento social, facilitando o acesso a programas, convênios e políticas públicas.

A abertura do evento contou com a presença de ministros/as, deputados/as federais e estaduais, prefeitos/as, vereadores/as e representante do movimento social. A ministra Gleisi Hofmann falou da importância da aproximação do Governos Federal para que os municípios tenham acesso facilitado aos programas e salientou o compromisso do Governo Lula com o povo. Para o diretor brasileiro da Itaipu Binacional, Dr. Enio Verri, a iniciativa do Governo Federal cumpre uma missão relevante ao trazer os programas e ações para perto da população, tanto do setor público municipal com das entidades da sociedade civil. Representando a Alep (Assembleia Legislativa do Paraná), o deputado Arilson Chioratto ressaltou a parceria do Governo Federal com os municípios paranaenses. A representante do Ministério das Mulheres, Eutália Barbosa reforçou o pacto e ações pelo combate à violência contra a mulher enquanto o Ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, destacou o ressarcimento aos aposentados por parte do Governo Federal relativo aos descontos não autorizados. Consenso entre as autoridades e representantes da sociedade civil, exaltou-se a relevância da Caravana como forma de aproximar o Governos Federal e a população. 

Via o Fórum de Participação Social (FPS), do qual a entidade que atuo, Associação Maria do Ingá Direitos das Mulheres faz parte, tivemos a oportunidade de participar da plenária do FPS bem como das oficinas específicas na área de direitos das mulheres.

Entre autoridades de terno e gravata, movimentos indígena e negro com suas vestimentas, mulheres com suas bandeiras de luta, dentre tantos, a Caravana mostra um pouco a cara do Estado do Paraná, que ainda mantem altos índices de feminicídio, racismo e preconceito, os quais devem ser combatidos com a união de movimento social e setor público.

Como observadora, não pude deixar de registrar que na mesa de abertura, estavam presentes 30 homens e apenas 5 mulheres, nenhum negro, numa demonstração clara que ainda há muito o que fazer para a igualdade no Estado do Paraná. Ainda mais para nós mulheres,  que somos 52% da população, e estamos muito aquém da ocupação nos espaços de poder, como bem tratado na oficina do Ministério das Mulheres sobre Estratégias para ocupação dos espaços de poder.

No mais, a iniciativa do Governo Federal e organização do evento nos pareceram excelentes, sendo os contatos e as atividades promissoras com vistas a que as ações do Governo Federal cheguem pertinho de nós, nos nossos municípios.


Foto: Abertura da Caravana Federativa no Paraná. 30/10/2025. A autora.

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres na região Sul do Brasil

A 6ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) teve início em março de 2025 no Saara Ocidental, com encerramento em outubro de 2025, no Nepal. Com o lema “Seguiremos em marcha contra as guerras e o capital, por soberanias populares e bem viver”, a MMM realizou eventos em mais de 60 países. No Brasil, ocorreram eventos em várias cidades durante o período.

A Ação Internacional da MMM acontece a cada 5 anos e mostra a importância da união e da solidariedade entre as mulheres. Ao reunir mulheres diversas (do campo, da cidade, das águas, das florestas, negras, indígenas, quilombolas, brancas, jovens, idosas, lésbicas, bissexuais, trans, trabalhadoras, estudantes, sindicalistas, da agroecologia e da economia solidária), a MMM está presente em todos os segmentos na luta para mudar o mundo e a vida das mulheres para o bem viver, que implica na defesa dos bens comuns e de nossos corpos.

Na Região Sul do Brasil, nos dias 18 e 19 de outubro, em Florianópolis e Palhoça (Santa Catarina),  realizou-se o encerramento da 6ª. Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres. Representantes dos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul participaram do evento, o qual contou com a realização de caminhada, roda de conversa e debates.

No dia 18, pela manhã, as marchantes, como são chamadas, realizaram caminhada pelo centro de Florianópolis com palavras de ordem pelo fim das guerras, combate à violência contra a mulher, descriminalização do aborto, justiça climática, dentre outras.

No período da tarde, na cidade de Palhoça, houve roda de conversa na Ocupação Marighela, ressaltando o direito à moradia e uma visita à Associação de Reciclagem de Lixo, com destaque para a valorização da necessidade de reciclar e cuidar do meio ambiente.

No dia 19, as reuniões aconteceram no Aldeia Pira Rupa, com debates e propostas de ação na região sul para os 4 eixos de atuação da MMM: Defesa dos bens comuns, Paz e desmilitarização, Economia feminista e solidária, Autonomia sobre nossos corpos e sexualidade. Em cada eixo foram apresentadas propostas, as quais são encaminhadas para os territórios e comporão a realização das atividades da MMM para os próximos anos. No Brasil, especificamente, destacam-se ações pelos 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher, que se inicia no dia 20 de novembro (Dia da Consciência Negra) e vai até 10 de dezembro (Dia dos Direitos Humanos), passando pelo 25 de novembro (Dia Internacional de combate à violência contra a mulher) e 01 de dezembro (Dia Mundial de combate à AIDS)

Mais de 200 mulheres participaram da 6ª Ação da região Sul e confirmaram a palavra de ordem “ Seguiremos em marcha, até que todas sejamos livres!”

Fotos nos álbuns no Facebook (Tania Tait): 6a. Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres

(Tania Tait, 20/10/2025)



Representantes de Maringá: Marcia França, Patricia Lessa, Vera Nogueira e Tania Tait



quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Festival Medieval, Voucher para uniforme escolar, Aumento de 30% de IPTU... a quem serve a gestão municipal de Maringá?

Em seus 78 anos de idade, Maringá cresceu vertiginosamente se tornando polo de uma região com comércio, setor agrário e prestação de serviços pungentes. Paulatinamente, a vida na cidade encareceu para seus moradores trabalhadores, os quais se deslocam para morar nas cidades vizinhas, mesmo trabalhando em Maringá.

Dominada por uma elite empresarial com forte vinculo com família de políticos, a cidade parece gostar da imagem de “cidade rica” e, muitas vezes, esconde sua própria história forjada pelo trabalho de pessoas de vários locais que pra cá se dirigiram em busca de uma vida melhor.

Um exemplo, tem sido a construção de prédios na Vila Operária, a qual na propaganda das construtoras é tratada como “Zona 03” como se o nome “Operária” não pegasse bem para os edifícios de alto padrão. Vale lembrar que na organização dos bairros no começo da cidade, a Vila Operária (Zona 03) como o nome diz era destinada aos trabalhadores braçais enquanto a Zona 02 (até hoje não entendi porque ela não tem um nome) era para profissionais liberais e Centro (Zona 01) usada para o comércio, conforme narram vários livros e pesquisas que contam a trajetória da cidade e suas gestões municipais.

Mas, ao voltar para a atualidade, vê-se que esta nova gestão que completou 9 meses, dominada, novamente, pelo grupo da família de políticos, possui como marca o controle  da cidade, só que desta vez, tem trazido propostas inusitadas e polêmicas, pra não dizer outros adjetivos.  Destacam-se: um Festival Medieval, o voucher para uniforme escolar e o aumento de 30% do IPTU.

O Festival Medieval chamou muita atenção. Representantes da Prefeitura foram a Portugal (com dinheiro público) sob alegação de intercâmbio comercial com o país. Rapidamente, a turma trouxe o projeto de um Festival Medieval, fizeram o lançamento do evento com trajes típicos e imitaram uma festa da Idade Média. Onde e como arrumaram os trajes, tão rapidamente, é uma incógnita. Mas, isso é detalhe. O que importa é que um Festival Medieval não tem nada a ver com um local que foi transformado em cidade em 1947, portanto, sem tradição alguma no período da Idade Média. Fazer intercâmbio comercial é ótimo para todos os lados, no entanto, a forma como tudo foi conduzido chegou a beirar o ridículo.

O Voucher, por sua vez, mexeu com a estrutura escolar de forma abrupta, com a alegação de atender os comerciantes da região, ao invés de abrir processo licitatório. Dessa forma, a Prefeitura se livra do problema de aquisição dos uniformes e leva um trabalho a mais para os pais que terão de colocar em sua rotina diária já tão espremida, tempo para pesquisar e comprar uniforme. Certamente, com o tempo, o recurso gasto pela prefeitura será superfaturado ou mal dimensionado diante do mercado e não há garantia da qualidade apregoada.

E na última proposta, tem-se o aumento absurdo do IPTU com alta de 30% para 2026. Prefeito e vereadores aliados (as) aprovaram o projeto mesmo diante dos protestos dos maringaenses, em uma Câmara Municipal com presença massiva dos cargos comissionadas e tanto a Polícia Militar como a Guarda Municipal convocadas para intimidar a população. Vários cálculos mostraram que o aumento é abusivo, mas foi aprovado pelos vereadores, por 15 a 7.

Tudo isso leva à reflexão: para quem a gestão municipal trabalha e quais os interesses por trás das propostas apresentadas e aprovadas pelos vereadores? Talvez nunca se saiba, entretanto, essas propostas não foram apresentadas na campanha eleitoral, o que significa que eleitores e eleitoras foram enganados ao eleger candidatos (Prefeitos e Vereadores) que apresentam projetos e votam contra os interesses da população.


Foto: Sessão da Câmara Municipal de Maringá, de 02/10/2025. Acervo da autora.

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

V Conferência Nacional de Políticas para Mulheres: “Mais Democracia, Mais Igualdade, Mais Conquistas para Todas”.

Foto: Agência Brasil

                

Começou hoje, dia 29/09 e vai até 01/10, em Brasília, a V Conferência Nacional de Políticas para Mulheres, com o tema “Mais Democracia, Mais Igualdade, Mais Conquistas para Todas”.

Coordenado pelo Ministério das Mulheres (MMulheres) e pelo Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), a V Conferência reúne quase 4 mil participantes, escolhidas delegadas nas conferências municipais e estaduais.

As delegadas irão debater os temas: enfrentamento às desigualdades sociais, econômicas e raciais; combate à violência contra as mulheres; aumento das mulheres em espaços de poder e decisão; fortalecimento das políticas de cuidado e de autonomia econômica; saúde, educação e assistência social; o fim da escala 6x1 e direitos reprodutivos, entre outras propostas aprovadas nas conferências municipais e estaduais, realizadas desde o mês de abril.

O presidente Lula participou da abertura da Conferência e afirmou que  não existe democracia sem ouvir as mulheres, e ações contínuas são necessárias para que seus direitos não retrocedam. De acordo com o governo, a conferência marca a retomada da “principal instância de participação social voltada à promoção da igualdade de gênero no Brasil. A última edição do evento ocorreu em 2016, no governo da presidenta Dilma Rousseff. Ver  (https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2025-09/lula-abre-conferencia-e-sanciona-ampliacao-da-licenca-maternidade)

No evento, o Presidente Lula, também, assinou a lei que amplia a licença maternidade para 120 dias em caso de internação após o parto.

Após quase 10 anos sem a realização de uma Conferência de Políticas para Mulheres, a expectativa das 4 mil mulheres presentes é que os direitos das mulheres sejam amplamente respeitados. Como resultado final da V Conferência é prevista, a criação de um Plano Nacional de Políticas para Mulheres que contemple todas as propostas para que as mulheres tenham direito a uma vida sem violência de qualquer tipo e que o Plano seja uma ação permanente, de Estado, que independa do Governo que esteja no poder, para que não haja retrocessos nas políticas públicas para mulheres, como ocorreu nas duas últimas gestões presidenciais (de 2016 a 2022).

Tania Tait, 29/09/2025