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terça-feira, 31 de maio de 2016

“Por todas elas"


Marcado para dia 01/06, as 18 hs, no Estádio, o evento chamado “Por todas elas”, acontecerá, também, em várias cidades do país. Em Maringá, a iniciativa foi tomada pela jornalista Aline Rizzato e está envolvendo várias entidades de defesa dos direitos das mulheres.  O evento surgiu a partir da denúncia de estupro coletivo ocorrido no Rio de Janeiro, no qual uma menina de 16 anos foi violentada por mais de 30 homens. Essa barbárie desencadeou comentários nas redes sociais e denúncias na polícia do Rio de Janeiro que começou a apurar os fatos e prender os bandidos.
O que chama atenção no episódio, além da triste realidade dos fatos é que, novamente, tenta-se culpar a vítima, tanto por parte da polícia como da sociedade. Que roupa ela estava usando? Onde ela estava? Já teve filho; frequentava baile funk...entre tantos outros comentários que tentam desqualificar a mulher, como se essas coisas importassem.
O estuprador estupra, independente da roupa, da postura ou o local onde está vítima. Nem é necessário relatar os inúmeros casos de estupros em crianças e até bebês, os quais, certamente, não incentivaram a violência cometida. Isso significa que a culpa jogada sobre a mulher não procede, mas sim mascara o domínio do corpo da mulher pelo homem e a aceitação da sociedade dessa situação.
Mesmo que uma mulher nua e aos beijos com um homem, quiser parar, tem todo o direito e deve ser respeitada por ele. Se esse homem “forçar a barra” é estupro e, isso, na maioria das vezes, não é visto dessa forma sob a alegação de que ela estava querendo. E como o vídeo que circula nas redes sociais sobre tomar chá, relacionando com o fazer sexo. Se a pessoa não quiser você não irá obriga-la a tomar chá, mesmo que ela tenha aceito uma xicara e tenha desistido depois. A regra deveria ser simples: não quer mais, para tudo.
Infelizmente, muitos relatos de mulheres aparecem mostrando relações abusivas, inclusive dentro de casamentos, nos quais as mulheres são estupradas, mas aceitam em nome do chamado “direitos do marido”.
Nas palestras e cursos ministrados a partir das atividades da ong Maria do Ingá – Direitos da Mulher, as mulheres se sentem a vontade para relatar a situação em que vivem, cuja vida amorosa começa com um romance e se transforma em violência.
As estatísticas, por sua vez, comprovam esse quadro ao colocar que a cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), do governo federal, estimaram, com base em dados de pesquisa feita em 2013, que 0,26% da população tenha sofrido algum tipo de violência sexual, porcentagem que equivale a 527 mil pessoas. Apenas 10% chegam ao conhecimento da polícia e há indícios de que esses números sejam bem maiores.
As mulheres sentem medo ao andar pelas ruas, ir em festas, no local de trabalho, na escola, pois sabem que podem encontrar um desses estupradores pela frente. Trata-se de um medo que os homens não sentem quando andam pelas ruas a noite, voltando do trabalho, da escola ou da balada.
Não podemos permitir que nossas mulheres e meninas estejam sujeitas a esse tipo de situação, sempre com medo e insegurança.
Devemos exigir mais rigor nas punições dos casos de estupro e que os estupradores não permaneçam livres, como na história da garota Aracelli, símbolo do Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Aracelli foi estuprada e morta, aos 8 anos de idade, em 1973, por dois homens que não foram presos por serem de família influente e ligadas a ditadura militar no período. Um deles foi homenageado em sessão da Câmara em Vitoria (ES) e ou outro, com nome de rua.
Não se pode permitir que cenas em que um homem da pré-história arrastava uma mulher para sua caverna se repita nos dias de hoje como se isso fosse algo natural e aceito pela sociedade. Nossas meninas estão se tornando conscientes de que tem direito ao seu próprio corpo e  as suas vidas e, não aceitam mais serem dominadas nem viver em relações abusivas.

Eventos como os “Todos por elas”, ao reunir mulheres e homens que lutam pela igualdade inaugura uma onda na qual, juntos, podemos eliminar o machismo de nossa sociedade, que causa tanta opressão e violência às nossas mulheres e meninas.

      Tania Fatima Calvi Tait, Professora Doutora, Coordenadora da ong Maria do Ingá-Direitos da Mulher, Pos-doutoranda em História (UEM), Integrante do Núcleo de Mulheres do Sinteemar, do Forum Maringaense de Mulheres e do Conselho da Mulher de Maringá.

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