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sexta-feira, 22 de junho de 2012

O silêncio da sociedade sobre a violência contra a mulher

Notícias assustadoras chegam pela imprensa a todo momento: meninas violentadas, mulheres espancadas e assassinadas. Dados da Secretaria Municipal da Mulher apontam um crescimento do número de atendimentos realizados nos casos de mulheres vítimas de violência. Para se ter um idéia da gravidade da situação, em 2005 foram realizados 96 atendimentos em casos de violência, em 2011 foram 1373 atendimentos. Do ano de 2007 prá 2011, os atendimentos sempre foram em torno de 1500, chegando a 1673 em 2007. Pelos dados fornecidos tem-se um total de 8198 atendimentos de 2005 a 2011. Dois fatores são discutidos a partir desses dados: o oferecimento do serviço que estimula a procura por parte da vítima e o aumento progressivo da violência contra a mulher. A violência está presente de maneira silenciosa nos lares e nas ruas, no entanto as mulheres com o oferecimento de serviço de apoio por parte do poder público se sentem mais fortalecidas para buscar ajuda. A própria existência em nível nacional da Secretaria de Políticas para Mulheres e os programas de apoio à mulheres vítimas de violência deveria contribuir para redução dos índices de violência. Sabemos que vivemos em uma cultura reconhecidamente machista na qual muitos homens se sentem donos do corpo e da alma da mulher. Isso leva a diversos comportamentos na sociedade desde o comportamento repressivo no âmbito privado, nos lares até comportamento de negligenciar e ignorar a violência no âmbito da sociedade. Mulheres negras, homossexuais, idosas e portadoras de necessidades especiais, cada qual com suas características e necessidades compõem o quadro de mulheres vitimadas cuja violência é traduzida em falta de atendimento adequado na rede de saúde, desrespeito, desatenção, privação de acesso ao trabalho, aos estudos e a liberdade , agressão física e sexual. A Lei Maria da Penha que em sua promulgação em 2006 deixou as mulheres com esperanças de que o quadro mudasse, trouxe novos impasses à sociedade que nào foram ainda resolvidos. Infelizmente, o despreparo de profissionais das áreas de saúde, polícia, judiciário, entre outros envolvidos com casos de violência contra a mulher continua latente, a despeito do reconhecimento da necessidade de varas judiciais especiais e de qualificação dos envolvidos no trato com a situação. Um outro elemento relevante ao se tratar a violência contra a mulher merece destaque: a sociedade de modo geral não enxerga o assassino de mulher como um criminoso, mas alguém que por descontrole emocional e paixão cometeu um crime. Ora, se cometeu um crime, existe lei para punir e a pessoa deve ser julgada por tal. E essa é uma luta que vem desde os anos 1960 quando as mulheres começaram a exigir pena máxima aos assassinos de mulheres tendo em vista que a impunidade contribui para gerar mais violência. Não podemos ignorar a violência contra a mulher e nem confina-la aos lares, pois a sociedade e o poder público tem toda a responsabilidade para garantir a vida e a cidadania das mulheres. Chega de violência contra nossas mulheres e meninas. Quem ama, não mata. Cuida! O texto é assinado por: Jacira Paranhos – Presidente do Conselho Municipal da Mulher de Maringá; Eva Coelho – Instituto de Mulheres Negras; Valquiria Francisco – Ong Maria do Ingá – Direitos da Mulher e Tania Tait – representante da UEM no Conselho da Mulher.

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