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segunda-feira, 20 de abril de 2026

A classe trabalhadora sai em desvantagem na corrida eleitoral

Dados divulgados, recentemente, apontam que dos 594 parlamentares que compõem o Congresso Nacional, 273 são empresários e 160 são fazendeiros, totalizando 72% das cadeiras ocupadas por representantes desses setores. (https://lermais.com.br/congresso-dominado-empresarios-e-fazendeiros-ocupam-72-das-cadeiras-2/) Outro dado demonstra que, também, menos de 20% das cadeiras no Congresso são ocupadas por  mulheres.

Essa concentração de lideranças ligadas ao empresariado e fazendeiros, homens brancos, conservadores e ricos, em sua maioria, torna-se um desafio para as pautas necessárias para o conjunto da população, tais como as políticas públicas de moradia, educação e saúde e condições de trabalho, combate à violência contra a mulher, contra o racismo e contra homofobia e, também, na defesa do meio ambiente. Muitas dessas políticas públicas deixam nítida a postura desse grupo dos deputados na Câmara, notadamente com votos contra os interesses da maioria da população. Não se trata, portanto, apenas de uma posição ideológica, pois muitos destes deputados consideram que as políticas públicas, mesmo de interesse nacional, vão contra seus interesses econômicos e financeiros particulares.

Essa situação da concentração de eleitos/as da classe empresarial é reproduzida, também, nas câmaras municipais e assembleis legislativas estaduais. No executivo (prefeituras, estados e governo federal), a situação não é diferente, temos poucas prefeitas e governadoras e tivemos apenas uma mulher na Presidência da República.

Além de se candidatarem pra defender suas mordomias, classe social etc e viver às custas do Estado que tanto atacam, os empresários e fazendeiros eleitos defendem o sistema como está ou apresentam projetos pra penalizar a classe trabalhadora, aqui incluídos a classe média assalariada e profissionais liberais ou autônomos, os quais não se enxergam como trabalhadores/as. Um exemplo é a redução de jornada de trabalho para 5x2 (cinco dias trabalhados para dois dias de descanso), a qual gera polêmica com alegações equivocadas de quebra econômica, incentivo à vagabundagem de trabalhadores se a nova escala de trabalho for aprovada ou, ainda, absurdos como bolsa patrão para compensar a suposta perda econômica.

Pela legislação eleitoral, todos e todas, maiores de idade, podem se candidatar, independente de sexo, religião, raça, etnia ou posição ideológica. (https://www.jusbrasil.com.br/artigos/quais-os-requisitos-necessarios-para-se-concorrer-a-uma-eleicao-no-brasil/1150140742) No entanto, pra fazer campanha, mesmo existindo fundo eleitoral, a pessoa candidata precisa de tempo e dinheiro. Exatamente nessa necessidade de tempo e dinheiro que as diferenças começam na largada eleitoral, inclusive na chamada “pré-campanha” que na prática, é campanha eleitoral.

Quando alguém da classe trabalhadora se candidata, se não for demitido por ser de outra posição ideológica diferente do patrão/patroa, não terá licença e só poderá fazer campanha no período que sobra e nos finais de semana. Ao contrário, o empresário ou empresária (ou fazendeiro ou financiados por eles) que se candidata poderá fazer campanha quando e como quiser.

Então, na corrida eleitoral, trabalhadores e trabalhadoras saem em desvantagem e com muitos obstáculos à frente, desde a largada, pois além de buscar votos, precisam cumprir suas obrigações no mundo do trabalho para sobreviver. Destaca-se que  as mulheres saem em mais desvantagem do que os homens, pois lidam com a dupla jornada de trabalho e ao incluir a política, se sobrecarregam ainda mais, além do preconceito e da violência política que sofrem.

Esse desequilíbrio de representação na política reforça distorções existentes na sociedade para as ações de igualdade e se torna um desafio para a democracia pois, ao mesmo tempo que as pessoas podem se candidatar e serem eleitas, a maior parcela da população tem mais dificuldade e menos visibilidade para ser eleita para um cargo legislativo ou executivo.

Isso precisa mudar!

Imagem extraída da Internet


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