Em nossas vidas, as cores sempre possuíram um significado relevante, seja nas vestimentas, seja na identificação das emoções, alegrias ou tristezas. Além desse lado, as cores, também são utilizadas para identificar os movimentos sociais e políticos. Assim, tem-se as cores utilizadas pelo movimento negro, lgbtqia+, identificação de autismo, meio ambiente, mulheres, indígenas, partidos políticos, dentre vários usos.
Aqui,
vamos tratar sobre duas cores específicas: o vermelho e o lilás. A primeira, a
cor vermelha, ligada aos partidos políticos e movimento sindical e, também, presente em muitas bandeiras oficiais de
países. A segunda, a cor lilás usada pelo movimento feminista e pelo movimento
organizado de mulheres, em geral.
O
simbolismo das duas cores se tornou tão forte que cada corrente ideológica
busca apagar ou depreciar a cor do outro.
Vejamos
o vermelho. Historicamente, associado a rupturas de governos monárquicos, como
na França e nos EUA (cuja bandeira tem as cores vermelho, branco e azul), o
vermelho passa, com o decorrer do tempo, a ser vinculado ao comunismo, ao
socialismo e às lutas sindicais dos trabalhadores e trabalhadoras.
Em
heráldica – a ciência que estuda os brasões – o vermelho simboliza resistência
e coragem; o branco remete à pureza e à inocência; e o azul representa
vigilância, perseverança e justiça. (https://www.todamateria.com.br/)
Além
de terem representado, anteriormente, o vínculo entre o povo e a monarquia, na
França, as mesmas cores passaram a representar o lema da Revolução Francesa: “liberdade,
igualdade, fraternidade”, na derrubada da monarquia.
Uma
outra interpretação indica que o azul representa o poder legislativo; o branco,
o executivo; e o vermelho, o povo.
Enfim,
as bandeiras dos EUA e da França continuam usando as mesmas cores, inclusive o
vermelho. Simbolicamente, o vermelho representava o símbolo da igualdade e a
luta contra as aristocracias inglesa e francesa, respectivamente.
Por
fim, a cor vermelha foi adotada pelos partidos comunistas e socialistas, como
símbolo de solidariedade, a união dos trabalhadores e a busca por um mundo
melhor. E, na atualidade, a cor vermelha está presente, mundo afora, nas
manifestações da classe trabalhadora e no movimento sindical, nas lutas por
democracia, direitos políticos, dentre outros.
Com
relação à cor lilás, após décadas ouvindo que o movimento feminista atrapalha a
luta de classes, as feministas se desvincularem do vermelho, mesmo comungando
das ideias dos partidos de esquerda. Dessa forma, várias feministas adotaram a
cor lilás, como uma nova síntese entre as cores azul e rosa.
Uma
narrativa história coloca que o lilás foi utilizado pelas sufragistas inglesas,
antes, em 1908, junto com outras duas cores, como símbolo de sua luta. Estas
lutadoras pelo direito de voto escolheram o lilás, o verde e o branco. O lilás
se inspirava na cor da nobreza inglesa, o branco simbolizava a pureza da luta
feminina e o verde a esperança da vitória.
Na
atualidade, o movimento feminista adota a cor lilás como símbolo de luta,
resistência, contra o machismo, contra o patriarcado, por direitos iguais e
pelo fim da violência contra a mulher. Algumas correntes ideológicas do
movimento feminista, combinam o uso do
vermelho e lilás, pela associação da luta pelos direitos da classe
trabalhadoras e pela igualdade das mulheres. Quem não se lembra do constante
ataque ao movimento feminista com a valorização da cor rosa para meninas,
relacionado ao papel de recatada e do lar para as mulheres e da cor azul para
meninos, notadamente divulgada por partidos de direita e de extrema-direta?
Na
política em geral, essas duas cores são vistas de duas formas. A direita quer
apaga-las e a esquerda e o movimento feminista continuam reforçando seu uso simbólico
como luta pelos direitos.
No
Brasil, essa simbologia aparece nas manifestações públicas, nos prédios
públicos, nas roupas, nos folhetos, enfim, em todo material usado por cada corrente
ideológica. Partidos de extrema-direita
tentaram até sequestrar a bandeira do Brasil, nas cores verde e amarela, mas a
bandeira é de todo o povo brasileiro, então não tem mais colado esse sequestro.
Até
agora, nenhum governo federal, seja de direita ou esquerda ou centro, após a
abertura democrática, propôs mudar a bandeira do Brasil, mesmo o verde e
amarelo tendo sido usado com banho de sangue no governo da ditadura militar ou
incentivo ao ódio aos contrários, por governos recentes.
Nas
cidades, o uso político das cores não é diferente. Especificamente em Maringá,
no início dos anos 2000, vimos um governo democrático popular usar as cores da
bandeira do município (vermelho, amarelo e branco) na pintura de escolas e
outros prédios públicos. O governo seguinte, considerado como de direita ou
centro, mudou todas as cores para o verde, depois outro prefeito mudou para
azul. A pintura na Secretária da Mulher de Maringá é um exemplo claro da
mudança ideológica, com novas cores, à mercê de cada governante. Ela já foi
pintada de lílás e roxo em governos anteriores, agora, está na cor rosa. Não é
por acaso, é método de apagamento de uma cor, o lilás. que incomoda por ser vinculado
ao movimento feminista.
Obviamente,
muitos prefeitos usam, também, nos prédios públicos, as cores de seus partidos
políticos, mesmo criticando o prefeito que usou as cores da bandeira do
município por ter a cor vermelha.
Essa
narrativa do uso das cores pode parecer bobagem, mas não é. Ao salientar ou
apagar as cores, a mensagem chega até a população que passa a menosprezar uma
cor em detrimento da outra e, perfeitamente, relacionar com determinadas
ideologias.
Por
fim, muitos esquecem que as cores tem significado e impactam nas decisões.
Muitos esquecem que as cores carregam uma história, seja de qual ideologia for.
Portanto, as cores são importantes sim!!!
Fonte da iamgem: Internet






