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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Dois pesos, duas medidas

Pela manhã, ao me deparar com notícia sobre o processo contra mais uma vereadora na Câmara de Maringá me acendeu uma luzinha. Na Câmara são 5 vereadoras e 18 vereadores. Uma delas foi cassada, uma está com processo para cassação e agora uma terceira está sendo indiciada. Não vou discutir a posição ideológica das três nem os possíveis erros que possam ter cometido. Também, sou a favor de que quem erra, precisa pagar, seja homem ou mulher. O que me chama a atenção é a diferença no tratamento quando a situação envolve os homens e as mulheres que atuam, também, na política. Nos corredores da política, nas ruas e nas redes digitais, as mulheres são massacradas enquanto os homens são tratados como “meninos levados que cometeram um errinho”.

A luzinha que acendeu me fez pensar que as três vereadoras têm em comum, a construção de suas trajetórias políticas sem terem familiares consolidados na política ou padrinhos políticos poderosos. Ou seja, elas construíram seus espaços na política e foram eleitas por suas trajetórias. Concordemos ou não com as posições delas, reconhecemos o mérito de suas histórias.  

Por sua vez, a história maringaense conta com muitos casos de vereadores homens que foram indiciados e foram absolvidos, inclusive por crimes de superfaturamento, violência contra a mulher, violência contra animais, dentre outros.

A luzinha acesa nos faz pensar que a violência política de gênero contra as mulheres é uma realidade gritante na vida das mulheres eleitas e das mulheres que atuam como lideranças em movimentos sociais. Xingamentos, ameaças de morte, tentativas de difamar e desqualificar são corriqueiras, a despeito da lei homologada em 2021 que trata a violência política de gênero como crime passível de penas de reclusão.

Inclusive, além de homens, muitas mulheres, também, foram mortas pelo incomodo que suas posições políticas (notadamente de esquerda, direitos humanos e ambientais) causaram nos poderosos dos territórios que habitavam, tais como Irmã Doroty (missionária e ambientalista), Margarida Alves (sindicalista rural), Dorcelina Folador (Prefeita de Mundo Novo-MS), Marielle Franco (Vereadora Rio de Janeiro), dentre outras.

Mas, voltando para a Maringá de 2026, vale relembrar o Movimento Mais Mulheres no Poder  (MMNP) criado em 2020, tendo a vereadora Ana Lucia como uma das idealizadoras, cujo objetivo era eleger mulheres, pois a legislatura anterior era composta somente por homens. Quem tiver interesse em conhecer o MMNP: (Tait, Tania. Elas querem o poder. Iperfil, Maringá, 2022).

O objetivo do movimento foi parcialmente atingido e 5 mulheres foram eleitas. O desejo era 50% de mulheres eleitas correspondente ao número da população feminina. Isso não ocorreu e, nem todas as eleitas, infelizmente, defendem os direitos das mulheres, conforme o desejo do MMNP. Mesmo assim, o MMNP comemorou a eleição de 5 mulheres.

Entretanto, é preciso refletir dois pontos importantes: 1. Como as mulheres eleitas são tratadas; 2. O fato das mulheres eleitas se unirem no discurso contra as mulheres, inclusive sendo misóginas.

No primeiro caso, vê-se de forma nítida, a celeridade nos processos contra as mulheres somado aos inúmeros ataques e ameaças vindo de colegas, de adversários políticos e público, em geral.

No segundo caso, a meu ver, falta formação política e conhecimento da história visto que as feministas tiveram um papel fundamental na ocupação dos espaços de poder. Feministas que são, muitas vezes, xingadas, pelas próprias mulheres que conseguiram ser eleitas, ou seja, ocupam o espaço de poder defendido pelas feministas, mas atacam as que lutaram para a possibilidade de serem eleitas. Contraditório, mas nem tanto, pois essas mulheres que se dizem antifeministas, vivem numa sociedade machista e patriarcal e seguem as normas ditadas pelos homens.

Enfim, muito assunto pra um texto apenas, mas o que vale refletir é a motivação absurda para que as mulheres que atuam na política sejam xingadas, atacadas e ameaçadas, tem seus processos em tramitação rápida e ficam isoladas politicamente, mesmo diante de seus pares. A situação para as mulheres, portanto, é muito distinta pela qual passam os homens vistos como meros “meninos levados”.

Obviamente que o rigor da tramitação, as defesas e a conclusão dos processos devem ser  da mesma forma,  para todos e todas, independente de gênero, posição ideológica ou qualquer outra motivação.

O que não se admite mais é que a misoginia e  o machismo influenciem as decisões e a forma de tratamento dado às mulheres!

Imagem extraída da Internet


 

 

 

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

20 anos da Lei Maria da Penha: conquistas e desafios

Para celebrar os 20 anos da Lei Maria da Penha, a ong Maria do Ingá Direitos da Mulher realizou debate, na noite de 26/08, para tratar sobre as conquistas e desafios com a implantação da Lei 11.340/2006, chamada Lei Maria da Penha, promulgada pelo então presidente Lula, em 07/08/2006. A Lei resultou da notificação da Organização dos Estados Americanos sobre o caso Maria da Penha e da reivindicação dos movimentos de mulheres diante da escalada da violência contra a mulher no Brasil.

O debate trouxe a visão de três palestrantes que atuam na área de direitos das mulheres e no combate à violência contra a mulher: a Psicopedagoga Aline de Souza (Instituto de Mulheres Negras Enedina Alves Marques), a Advogada Claudete Gomes da Silva (Ong Maria do Ingá e Comissão Violência de Gênero OAB)  e eu, Tania Tait, professora doutora (Presidente em exercício do Fórum Maringaense de Mulheres e diretora da Ong Maria do Ingá).

Cada uma das apresentadoras bem como o público presente no auditório do Sismmar, onde foi realizado o evento,  trouxeram elementos relevantes para o debate e proposições para o aperfeiçoamento das ações de combate à violência contra a mulher, na prática e no cotidiano das pessoas que atuam nesse combate.

Para a advogada Claudete Gomes, a situação se torna complexa na medida em que a ação de proteção à mulher em situação de violência carece de envolvimento de todos (as) profissionais das varas de justiça tanto da família como da violência doméstica, desde a atuação dos juízes até dos oficiais de justiça para notificação do agressor. Detecta-se, em muitos casos, a morosidade da justiça em proteger a mulher.

Aline de Souza, por sua vez, relata a experiência das mulheres negras e periféricas que sofrem tanto por falta de acesso ao atendimento e acolhimento como por racismo e preconceito diante de sua condição de vulnerabilidade social. Muitas sequer conseguem acessar os serviços de denúncia e apoio e desistem, perpetuando o ciclo da violência. Não é por acaso que a maioria das mulheres que são mortas ou sofrem agressor seja mulheres negras e pobres.

Em minha exposição, salientei a importância da Lei Maria da Penha e apresentei as conquistas decorrentes da existência da lei desde a tipificação da violência como o envolvimento e responsabilidade do Estado no combate à violência até a recente legislação que inclui na lei, os assédios e agressões por parte de pessoas que não fazem parte do convívio da mulher, no âmbito familiar ou afetivo. Inclusive, torna-se latente que o disque 180, 190 e 153 não existiram se a Lei não fosse promulgada.

Lembramos que no mesmo ano de promulgação da Lei Maria da Penha, em 2006, houve o reconhecimento internacional da violência contra a mulher como uma violação dos direitos humanos, o que torna todas as iniciativas de proteção às mulheres e meninas fundamentais.

Por fim, todas as debatedoras salientaram a importância da lei Maria da Penha e os problemas que ainda precisam ser sanados para que as mulheres me situação de violência sejam acolhidas e possam ter uma vida sem violência. A Lei 11.340/2006 foi sendo aprimorada ao longo das duas décadas e é inegável a sua contribuição para o atendimento às mulheres em situação de violência.

De forma resumida, esses foram os nossos enfoques, os quais contaram com participação do público presente.

Para deixar registrados os desafios detectados que se transformam em ações a serem realizadas pelo setor público, pelas entidades que atuam na defesa dos direitos das mulheres e pela sociedade em geral, tomo a liberdade de apresentar alguns deles. São eles:

  • ·        Realizar a educação para a não violência desde os primeiros anos escolares;
  • ·        Promover a conscientização e responsabilidade da sociedade para a não violência;
  • ·        Fortalecer e aperfeiçoar a rede de atendimento e acolhimento;
  • ·        Responsabilizar as plataformas de Internet sobre misoginia  para combater o ódio às mulheres;
  • ·       Realizar atendimento específico para mulheres negras, indígenas, imigrantes, lésbicas, trans, com  deficiência e em situação de vulnerabilidade social como moradoras de rua;
  • ·       Realizar cadastramento das mulheres para possibilitar as estatísticas de atendimento por raça, cor, etnia, gênero, sexualidade etc.
  • ·        Tornar o judiciário mais ágil para o cumprimento das leis e processos;
  • ·      Qualificar todos  os profissionais envolvidos no atendimento às mulheres em situação de violência (juízes; oficiais de justiça; escrivães, policiais, delegados (as), promotores, médicos (as), enfermeiros (as) etc);
  • ·  Preparar os setores de atendimento e acolhimento dos CRAMM (Centro de Referência de Atendimento às Mulheres) e CRAS (Assistência Social);
  • ·    Necessidade de integração entre as varas de família e de violência doméstica, também, para a proteção às crianças e adolescentes;
  • ·    Necessidade de maior divulgação dos serviços da rede de apoio às mulheres em situação de violência;
  • ·         Levar o atendimento às mulheres das periferias, dos municípios de menor porte e da Zona rural;
  • ·     Divulgar os tipos de violência, com destaque para a identificação da violência psicológica ou emocional, considerada, por profissionais da área, como a porta de entrada para as demais violências.

Enfim, pode ser observado que as ações indicadas a partir dos desafios tratados no debate nos mostram, de forma nítida, o que ainda precisa ser feito em todos os âmbitos desde o setor público até o envolvimento da sociedade.

O que precisa ser feito é fortalecer e reconhecer o valor e a aplicação da Lei Maria da Penha para a garantia de uma vida sem violência para as mulheres.

O que não se pode fazer é silenciar diante da violência e ignorar ou subnotificar as agressões.

O que não se pode fazer é fechar os olhos e ouvidos e fazer de conta que não se está ouvindo o pedido de socorro das mulheres e meninas nem vendo as agressões.

Imagem extraída da Internet



sábado, 1 de agosto de 2026

Por que Agosto Lilás?

No dia 07 de agosto de 2006 foi promulgada pelo então Presidente Lula, a Lei 11.340 que “cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8º do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra a Mulher, da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher e de outros tratados internacionais ratificados pela República Federativa do Brasil; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar.”

A lei 11.340, chamada Lei Maria da Penha,  é bem específica no tocante à afirmação de que toda mulher,  independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social.

Além das afirmações constitucionais, a Lei trouxe duas grandes novidades para o cenário nacional: a tipificação dos tipos de violência e a obrigatoriedade da responsabilidade do Estado. Ao tipificar a violência, a população passa a compreender que existem outros tipos de agressões que não a física, assim entra em cena a punição pra a violência sexual, moral, patrimonial e emocional (ou psicológica).

A responsabilidade do setor público, por sua vez, não se restringiu à Delegacias da Mulher que foram mecanismos importantes nos anos 1980, mas que possuíam limitações de infraestrutura, acolhimento e judicialização dos casos. Dessa forma, a partir da Lei Maria da Penha, criaram-se as Varas da violência doméstica, as Defensorias, as Procuradorias da Mulher e os organizamos de atendimento às mulheres nos municípios passaram a ter centros de atendimentos às mulheres em situação de violência. Também, as universidades passaram a contar com núcleos de atendimento jurídico e psicológico para as mulheres. Em alguns locais, os serviços são integrados em uma rede de amparo. Em nível federal foi lançado o Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio.

Então se existem todos esses instrumentos de apoio e acolhimento, se existe lei com punição aos agressores, se as leis Maria da Penha e do Feminicídio estão mais rigorosas, o que falta para que esse mal instalado em nosso país, deixe de trazer tanto sofrimento para as famílias, em especial para as mulheres e crianças?

Aí entra o porquê do mês de conscientização pelo fim da violência contra a mulher. A escolha do mês é por ser o mês da promulgação da Lei Maria da Penha e a cor Lilás tem a ver com as cores usadas pelo movimento feminista, pela combinação do vermelho e azul. Sobre uso das cores, indico 
O uso das cores na política

Portanto, as cores e o mês são símbolos das lutas das mulheres por uma vida sem violência e da necessidade de conscientização pelo fim da violência contra a mulher. Necessidade esta que se torna imprescindível na medida em que as estatísticas apresentam dados assustadores de agressões físicas e psicológicas, estupros e feminicídios.


Símbolo da campanha da ong Maria do Ingá Direitos da Mulher

A conscientização precisa ser realizada em todos os espaços, nos locais de trabalho, nas escolas, nas áreas de lazer, no uso das redes digitais, para todas as faixas etárias e, principalmente para nossos meninas e meninas para que cresçam em uma sociedade de não violência, na qual o “não “ seja aceito, que o fim de relacionamento amoroso não signifique o fim da vida de uma mulher e que o respeito aconteça sempre.

Precisamos garantir que as mulheres e meninas tenham direito a uma vida sem violência de qualquer tipo.

 

 

 

 

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Direitos das mulheres, o fim da escala 6x1 e a aprovação da lei contra a misoginia

Dois grandes projetos estão mobilizando o Brasil: a PEC (Projeto de Emenda Constitucional) pelo fim da escala 6x1 e a Lei de Combate à Misoginia (Lei 896/2023).

A urgência dos dois projetos se dá na medida em que sua aprovação contribuirá para melhorar o conjunto da classe trabalhadora e, em especial, a rotina das mulheres, em vários aspectos, garantindo o direito à uma vida digna.

No mundo do trabalho, a escala 6x1, que significa trabalhar seis dias e descansar um dia, comprovadamente, penaliza, também, as mulheres trabalhadoras, pois no dia que seria a folga do trabalho, as mulheres realizam as atividades domésticas de cuidado, limpeza e manutenção da casa.

Como uma grande parcela das famílias brasileiras é chefiada por mulheres e, muito poucas contam com o compartilhamento das tarefas com maridos ou companheiros, ter direito a dois dias de descanso irá contribuir para o real descanso delas e para sua saúde física e mental. Portanto, o fim da escala 6x1 precisa ser destravado no Senado e seguir adiante, urgente.

Por sua vez, o PL 896/2023,  que criminaliza a misoginia, já foi aprovado por unanimidade no Senado e aguarda a aprovação na Câmara Federal.

A misoginia não é apenas uma opinião, ela é um discurso de ódio às mulheres, que faz com que a violência aumente. Agressões físicas e verbais, discriminação,  incentivo ao ódio, infelizmente, têm-se tornado cenário comum para as mulheres em todos os locais.

Com a aproximação do período eleitoral é fundamental a aprovação do PL 896 para enfrentar a violência política de gênero e possíveis ataques às candidatas e as eleitas. Também, se faz necessário a regulamentação das plataformas de internet para que sejam responsabilizadas e deixem de lucrar com a propagação de discursos de ódio. Inclusive, a aprovação do PL 896/2023 contribuirá para o fortalecimento do Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio que envolve o legislativo, executivo e judiciário no combate à violência contra a mulher.

Portanto, tanto o Senado como a Câmara Federal têm a incumbência de atender a população em seus anseios, antes do recesso e das eleições gerais de outubro. Ambos estão sendo cobrados pela população. Vamos cobrar firmemente e, quem sabe, desta vez, tanto um como o outro fique do lado da classe trabalhadora e das mulheres com a aprovação das duas leis.

Afinal, o fim da escala 6x1 e a criminalização da misoginia significam dois grandes passos na direção do fortalecimento dos direitos das mulheres para uma vida livre e sem violência, no mundo do trabalho, na vida pública e nos relacionamentos.



 

quinta-feira, 9 de julho de 2026

A emoção e a segurança pública

Anos atrás, ouvi uma mãe de uma menina de 10 anos de idade dizer: “vou votar no fulano que defende armamento da população porque não vou permitir que um criminoso abuse da minha menina e estrague a vida dela”.

A fala dela me chocou no período pois, aparentemente, era uma senhora calma, trabalhadora, religiosa, ou seja, uma pessoa comum como a maioria de nós. Ela nem estava refletindo sobre o fato de não ter preparo para usar uma arma de fogo, nem recursos financeiros para aquisição de uma arma e cadastramento como CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador).

Para ela, o importante era proteger a filha. Também, ela não era uma pessoa alheia à política e, mesmo conhecendo as propostas eleitorais, não houve argumento que a fizesse mudar de ideia, ela visualizava, simplesmente, a proteção à filha.

Obviamente, a preocupação dela, como a de todas as famílias é legítima, ainda mais diante dos dados assustadores de violência contra crianças e adolescentes.

É aí que a emoção embaça a visão e o pensamento. A grande maioria dos casos de agressões contra crianças e adolescentes ocorrem dentro das famílias ou no contato com conhecidos.

No entanto, a propaganda armamentista e o discurso distorcido sobre segurança pública chegam às famílias tocando no seu íntimo e na necessidade de proteção. Esse tipo de propaganda para colocar armas, sem preparo adequado, nas mãos de cidadãos e cidadãs na linha do “olho por olho, dente por dente”, ocasionando mortes por motivos absurdos como brigas de trânsito ou com  a gravidade dos feminícídios, dentre outros crimes. Situações previstas pelos profissionais da segurança pública quando se fala em armamento, quando para eles, as mulheres são as maiorias vítimas de homens com armas de fogo. Também, está mais do que comprovado que armar a população não resolve a criminalidade, pois, de forma facilitada, apenas coloca mais armas no mundo do crime.

Entretanto, a percepção da senhora em proteger sua filha não está errada pois, de acordo com a definição no site https://www.jusbrasil.com.br/artigos/o-que-e-seguranca-publica/586735267, a segurança pública pode ser definida como um conjunto de dispositivos e de medidas de precaução que asseguram a população de estar livre do perigo, de danos e riscos eventuais à vida e ao patrimônio. É também um conjunto de processos políticos e jurídicos destinados a garantir a ordem pública na convivência pacífica dos seres humanos na sociedade.

Mas, os que falam em armar e prender os criminosos, não apresentam que a segurança pública, além das medidas de repressão e vigilância necessita de “um sistema integrado e otimizado envolvendo instrumento de coação, justiça, defesa dos direitos, saúde e social. O processo de segurança pública se inicia pela prevenção e finda na reparação do dano, no tratamento das causas e na reinclusão na sociedade do autor do ilícito”.

Num país de dimensões continentais e dividido em regiões por organizações criminosas, os desafios são imensos e necessitam da colaboração e integração entre governos, justiça e polícia.

Diante do gigantismo dos desafios, o discurso armamentista soa fácil e chega aos ouvidos da população de forma instantânea e emotiva, sem avaliar a complexidade do sistema que deveria, além da integração entre os poderes envolvidos, qualificar, valorizar e preparar os quadros de profissionais que combatem o crime, dentre outros aspectos que completam a própria definição de segurança pública.

Muitos passos foram dados como o fortalecimento das polícias e da investigação científica, no entanto, a propaganda demagógica de segurança pública jogando com o emocional das pessoas continua sendo utilizada por políticos e religiosos inescrupulosos que usam do discurso fácil diante de seu eleitorado para se garantirem no poder.

Está aí mais um grande desafio que envolve toda a sociedade: como garantir que as medidas tomadas para a segurança  pública tenham efetividade e contribuam para que aquela senhora que deseja proteger sua filha, se sinta realmente protegida, sem desejar ter uma arma de fogo debaixo de seu travesseiro.

Imagem: extraída da Internet


 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Voto tem consequência e não é pouca!

Imagem extraída de Internet, 02/06/2026


Logo cedo, fomos bombardeados com notícias que acendem um alerta pois afetam diretamente nossas vidas.

São elas: EUA consideram taxar produtos brasileiros em 25%, o Senado aprova restringir acesso a acolhimento e aborto legal para casos de estupros em crianças e adolescentes, Senado não quer reduzir a jornada de trabalho 6x1 e, em Maringá, prefeitura que fazer consulta pública para militarizar escolas municipais.

A primeira notícia tem a ver com a família de políticos, os bolsonaros, envolvida no escândalo BolsoMaster, no qual milhões foram desviados, os bolsonaros ligados à extrema-direita, da qual o presidente dos EUA faz parte, envidam esforços para que os produtos brasileiros sejam taxados, inclusive colocando o PIX na mira do Trump, presidente dos EUA. São traidores da Pátria e usam de várias artimanhas pra se manterem na mídia e longe das suspeitas de falcatruas e crimes. O senador da família precisa explicar ainda sua relação com a Vorcaro, do Banco Master e para onde foram os milhões que pediu a ele e para qual fim foram destinados.

A segunda e a terceira notícias têm a ver com as pautas do Senado, uma delas já aprovada e a outra em tramitação. A aprovada é a PDL (Projeto de Lei) que dificulta o acesso a acolhimento e aborto legal em caso de estupro de vulnerável. Em um país, no qual foram registrados mais de 83 mil casos de estupro e estupro de vulnerável em 2025 e já contabilizou 13.462 ocorrências de estupro de vulnerável até março deste ano, segundo levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública), restringir o acesso e retirar a resolução da Conanda - Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente torna-se absurdo e criminoso. Afirmações constantes por parte do movimento social de que  “Criança não é mãe! Estuprador! Não é pai” não sensibilizou senadores e senadoras que, colocam, sua ideologia e posição religiosa acima da proteção e à uma vida com dignidade para as vítimas de violência sexual.

A terceira situação, ainda em tramitação é a redução da escala 6 x 1. Aprovada por maioria na Câmara dos Deputados, a pauta entra em discussão no Senado. No entanto, senadores, virando as costas para o interesse da classe trabalhadora, querem propor uma escola 7 x 0, a ser negociada entre patrão e empregado, como se   "livre negociação" fosse favorecer o trabalhador e a trabalhadora. Sabemos que isso não é verdade. Não vou me estender aqui pois escrevi sobre a necessidade de redução da jornada 6 x 1 (https://www.taniatait.com.br/2026/04/a-necessaria-reducao-da-jornada-de.html)

E localmente, chega a notícia de que a Prefeitura de Maringá vai fazer uma consulta pública sobre a militarização das escolas municipais. Comprovadamente equivocada, a implantação das escolas militares ou cívico-militares no Estado do Paraná, tem sido palco de denúncias de agressões e desvios. Portanto, a Prefeitura vai na contramão e que colocar essa modalidade para crianças. A gestão municipal Barros, pelo visto, não pensa em resolver os problemas existentes, aprimorar o método pedagógico e nem melhorar a qualidade de vida de trabalhadoras e trabalhadores da educação.  Destaca-se que o modelo foi questionado no STF e é inconstitucional.

Esses são apenas alguns exemplos que confirmam que voto tem consequência e não é apenas no preço do pãozinho que comemos todo dia, vai muito além e pode nos colocar, inclusive, em meio à guerras.

Claro que ainda temos políticos sérios e preocupados com o Brasil e com a população, mas existe uma maioria da qual o Congresso é formado que coloca a vida das pessoas em segundo plano, pautados por suas posições ideológicas, religiosas e financeiras. Infelizmente, no final, tudo se resume a obter lucros para si, como a Polícia Federal já provou com suas investigações sobre certos políticos.

E, como no final do filme Tropa de Elite 2, o buraco é mais embaixo e um político ligado à criminosos cariocas é eleito presidente da comissão de ética. O filme é uma obra de ficção, Será?

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segunda-feira, 25 de maio de 2026

50 anos do Departamento de Informática da UEM com festa

No dia 23/05, reuniram-se, num jantar, professores, professoras, funcionários e funcionárias,  estudantes e egressos que compartilharam os 50 anos do Departamento de Informática (DIN) da UEM.

Particularmente, me senti muito feliz com a comemoração e o reencontro com pessoas com as quais compartilhei minha carreira acadêmica e amizades. 

Agora na aposentadoria, recebemos homenagem na festa, com uma linda placa comemorativa pelos 50 anos do DIN. 

Parabéns à equipe organizadora, comandada pela Professora Josiane Pinheiro, com tanta maestria.

Parabéns à todos e à todas que construíram o DIN ao longo das 5 décadas.