Para compartilhar idéias!







quinta-feira, 5 de março de 2026

O uso das cores na política

Em nossas vidas, as cores sempre possuíram um significado relevante, seja nas vestimentas, seja na identificação das emoções, alegrias ou tristezas. Além desse lado, as cores, também são utilizadas para identificar os movimentos sociais e políticos. Assim, tem-se as cores utilizadas pelo movimento negro, lgbtqia+, identificação de autismo, meio ambiente, mulheres, indígenas, partidos políticos,  dentre vários usos.

Aqui, vamos tratar sobre duas cores específicas: o vermelho e o lilás. A primeira, a cor vermelha, ligada aos partidos políticos e movimento sindical e, também,  presente em muitas bandeiras oficiais de países. A segunda, a cor lilás usada pelo movimento feminista e pelo movimento organizado de mulheres, em geral.

O simbolismo das duas cores se tornou tão forte que cada corrente ideológica busca apagar ou depreciar a cor do outro.

Vejamos o vermelho. Historicamente, associado a rupturas de governos monárquicos, como na França e nos EUA (cuja bandeira tem as cores vermelho, branco e azul), o vermelho passa, com o decorrer do tempo, a ser vinculado ao comunismo, ao socialismo e às lutas sindicais dos trabalhadores e trabalhadoras.

Em heráldica – a ciência que estuda os brasões – o vermelho simboliza resistência e coragem; o branco remete à pureza e à inocência; e o azul representa vigilância, perseverança e justiça. (https://www.todamateria.com.br/)

Além de terem representado, anteriormente, o vínculo entre o povo e a monarquia, na França, as mesmas cores passaram a representar o lema da Revolução Francesa: “liberdade, igualdade, fraternidade”, na derrubada da monarquia.

Uma outra interpretação indica que o azul representa o poder legislativo; o branco, o executivo; e o vermelho, o povo.

Enfim, as bandeiras dos EUA e da França continuam usando as mesmas cores, inclusive o vermelho. Simbolicamente, o vermelho representava o símbolo da igualdade e a luta contra as aristocracias inglesa e francesa, respectivamente.

Por fim, a cor vermelha foi adotada pelos partidos comunistas e socialistas, como símbolo de solidariedade, a união dos trabalhadores e a busca por um mundo melhor. E, na atualidade, a cor vermelha está presente, mundo afora, nas manifestações da classe trabalhadora e no movimento sindical, nas lutas por democracia, direitos políticos, dentre outros.

Com relação à cor lilás, após décadas ouvindo que o movimento feminista atrapalha a luta de classes, as feministas se desvincularam do vermelho, mesmo comungando das ideias dos partidos de esquerda. Dessa forma, várias feministas adotaram a cor lilás, como uma nova síntese entre as cores azul e rosa. 

Uma narrativa história coloca que o lilás foi utilizado pelas sufragistas inglesas, antes, em 1908, junto com outras duas cores, como símbolo de sua luta. Estas lutadoras pelo direito de voto escolheram o lilás, o verde e o branco. O lilás se inspirava na cor da nobreza inglesa, o branco simbolizava a pureza da luta feminina e o verde a esperança da vitória.

Na atualidade, o movimento feminista adota a cor lilás como símbolo de luta, resistência, contra o machismo, contra o patriarcado, por direitos iguais e pelo fim da violência contra a mulher. Algumas correntes ideológicas do movimento feminista, combinam o uso do  vermelho e lilás, pela associação da luta pelos direitos da classe trabalhadora e pela igualdade das mulheres. Quem não se lembra do constante ataque ao movimento feminista com a valorização da cor rosa para meninas, relacionado ao papel de recatada e do lar para as mulheres e da cor azul para meninos, notadamente divulgada por partidos de direita e de extrema-direta?

Na política em geral, essas duas cores são vistas de duas formas. A direita quer apaga-las e a esquerda e o movimento feminista continuam reforçando seu uso simbólico como luta pelos direitos.

No Brasil, essa simbologia aparece nas manifestações públicas, nos prédios públicos, nas roupas, nos folhetos, enfim, em todo material usado por cada corrente ideológica.  Partidos de extrema-direita tentaram até sequestrar a bandeira do Brasil, nas cores verde e amarela, mas a bandeira é de todo o povo brasileiro, então não tem mais colado esse sequestro.

Até agora, nenhum governo federal, seja de direita ou esquerda ou centro, após a abertura democrática, propôs mudar a bandeira do Brasil, mesmo o verde e amarelo tendo sido usado com banho de sangue no governo da ditadura militar ou incentivo ao ódio aos contrários, por governos recentes.

Nas cidades, o uso político das cores não é diferente. Especificamente em Maringá, no início dos anos 2000, vimos um governo democrático popular usar as cores da bandeira do município (vermelho, amarelo e branco) na pintura de escolas e outros prédios públicos. O governo seguinte, considerado como de direita ou centro, mudou todas as cores para o verde, depois outro prefeito mudou para azul. A pintura na Secretaria da Mulher de Maringá é um exemplo claro da mudança ideológica, com novas cores, à mercê de cada governante. Ela já foi pintada de lilás e roxo em governos anteriores, agora, está na cor rosa. Não é por acaso, é método de apagamento de uma cor, o lilás, que incomoda por ser vinculado ao movimento feminista.

Obviamente, muitos prefeitos usam, também, nos prédios públicos, as cores de seus partidos políticos, mesmo criticando o prefeito que usou as cores da bandeira do município por ter a cor vermelha.

Essa narrativa do uso das cores pode parecer bobagem, mas não é. Ao salientar ou apagar as cores, a mensagem chega até a população que passa a menosprezar uma cor em detrimento da outra e, perfeitamente, relacionar com determinadas ideologias.

Por fim, muitos esquecem que as cores tem significado e impactam nas decisões. Muitos esquecem que as cores carregam uma história, seja de qual ideologia for. Portanto, as cores são importantes sim!!!



                                           Fonte da iamgem: Internet