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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Por que Mulheres com Lula?

O Presidente Lula sempre esteve ao lado da luta das mulheres na promoção da igualdade, no combate à violência contra a mulher e no direito à saúde, educação, trabalho digno e moradia.

Sua trajetória política foi marcada por atuação firme desde sua presença na elaboração da Constituição Federal de 1988 que iguala mulheres e homens em direitos e obrigações até nas ações de seus três governos, quando presidente da república.

Em 2003, no seu primeiro governo, Lula criou o Ministério das Mulheres com o objetivo de formular, coordenar e executar políticas e diretrizes de garantia dos direitos das mulheres. Na sequência, foi lançado o pacto nacional de combate à violência contra a mulher.

A promulgação da Lei Maria da Penha, também, se deu no governo Lula que atendeu o anseio das mulheres e respeitou a orientação da Organização dos Estados Americanos acionada por Maria da Penha que havia sofrido tentativas de morte pelo marido. A Lei,   importantíssima, tirou a violência do âmbito doméstico e passou para a responsabilidade do Estado.

Programas como Minha Casa Minha Vida, a luta pelo fim da escala de trabalho 6 x 1, ações para permanência na escola, incentivo às mulheres na ciência, cuidados no uso da Internet pelas crianças, dentre outras, marcaram os governos Lula e Dilma. Para das um exemplo concreto, de cada 100 casas do programa Minha Casa Minha Vida, 85 estão no nome das mulheres.

Toda essa trajetória culminou com o lançamento, agora, em 2026, do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, para o qual o Presidente Lula chamou para si a responsabilidade de atuar contra o feminicídio que se tornou um dos grandes desafios para a Lei e para a sociedade. A integração proposta pelo Plano ao reunir os poderes executivo, legislativo e judiciário, nas esferas federal, estadual e municipal, coloca um novo olhar na rede de atendimento e acolhimento, com a garantia de segurança e de vida para as mulheres,

É inegável o apoio que Lula sempre destinou à garantia dos direitos das mulheres e à uma vida com dignidade, com o apoio na formulação das leis de proteção e com as ações que melhoram a vida das mulheres. A defesa do fim da escala 6 x 1 confirmou o reconhecimento do Presidente Lula sobre o trabalho das mulheres, o cuidado com a casa e os filhos  e filhas e a necessidade de descanso e lazer.

Somos a maioria da população brasileira, 53% do eleitorado e não podemos retroceder a um passado que cortou verbas no combate à violência contra a mulher e queria nos impor um modo de vida que não condiz com a realidade, depreciando nossa atuação profissional, incentivando desigualdade salarial e colocando gravidez como empecilho para sermos contratadas.

Sabemos que “não somos uma fraquejada” como disse um ex-presidente, hoje, presidiário.

Com Lula, sabemos que podemos garantir nossos direitos e obter melhorias naquilo que precisarmos, que seremos ouvidas e respeitadas. Por tudo isso e muito mais, votamos Lula 13!!!



 

 

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

De Perpétua ao uso impróprio de "Deus, Pátria e Família"

Toda vez que ouço falar em conservadorismo, pautado na política pela famosa frase: Deus, Pátria e Família, me recordo de alguns momentos na minha juventude: da novela Tieta do Agreste e de pais de amigos que proibiam as filhas de sair, pois eles tinham duas famílias e não queriam que elas descobrissem.

Na novela Tieta do Agreste, existia a personagem Perpétua, interpretada, de maneira impecável,  pela atriz Joana Fomm. Perpétua era a famosa cajazeira, conservadora, fofoqueira, cuidadora da vida alheia, ratazana de Igreja, sempre de luto, frustrada e falsa cristã. Foi ela quem denunciou a personagem principal, Tieta, sua irmã que fora expulsa de casa pelo pai. No final, descobre-se que o grande segredo da Perpétua era guardar numa caixa, embalsamado, o pênis do marido falecido. Uma ironia para quem se vestia de preto, sempre de luto e apresentava como a guardiã da moral na pequena cidade.

O outro caso, do pai rigoroso que não permitia passeios das filhas porque o mundo ia macular suas meninas, era na realidade, um homem que possuía outra família e se escondia na imagem de bom pai e bom marido.

Não vamos discutir se é certo ou errado,  Perpétua guardar o pênis embalsamado do marido ou o marido ser polígamo é problema deles e da lei (se for o caso), o que se destaca é a hipocrisia da moral que tanto um como outro querem impor à sociedade, como se ela e ele fossem santificados.

A lição que guardei dessas duas histórias é que quando mais conservadora uma pessoa  grita ser, mais significa que alguma coisa está errada e escondida.

Obviamente, que isso nos leva a verificar a imagem do candidato à presidente da República (filho de ex-presidente preso) o qual que está em segundo lugar nas pesquisas. Ele, novamente, usa a famosa “Deus, Pátria e Família”, no entanto, além de seu desejo de colocar o Brasil como colônia dos EUA e tantas outras falcatruas, a defesa da família caiu por terra. Notícias recentes apresentaram imagens e textos do candidato traindo sua esposa com prostitutas em orgias, o que, também,  derruba a família no tripé “Deus, Pátria e Família” apresentado como mote de campanha. Nenhuma novidade para quem acompanha sua trajetória, o comportamento e a forma como a família dele e ele tratam as mulheres.

Enfim, a máscara caiu. Errar todo mundo erra, mas se esconder atrás de uma falsa moralidade, de nada adianta, pois a verdade, um dia, prevalece. Perpétua que o diga.


Foto da atriz Joana Fomm como Perpétua. Foto extraída da Internet.


 

 

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Dois pesos, duas medidas

Pela manhã, ao me deparar com notícia sobre o processo contra mais uma vereadora na Câmara de Maringá me acendeu uma luzinha. Na Câmara são 5 vereadoras e 18 vereadores. Uma delas foi cassada, uma está com processo para cassação e agora uma terceira está sendo indiciada. Não vou discutir a posição ideológica das três nem os possíveis erros que possam ter cometido. Também, sou a favor de que quem erra, precisa pagar, seja homem ou mulher. O que me chama a atenção é a diferença no tratamento quando a situação envolve os homens e as mulheres que atuam, também, na política. Nos corredores da política, nas ruas e nas redes digitais, as mulheres são massacradas enquanto os homens são tratados como “meninos levados que cometeram um errinho”.

A luzinha que acendeu me fez pensar que as três vereadoras têm em comum, a construção de suas trajetórias políticas sem terem familiares consolidados na política ou padrinhos políticos poderosos. Ou seja, elas construíram seus espaços na política e foram eleitas por suas trajetórias. Concordemos ou não com as posições delas, reconhecemos o mérito de suas histórias.  

Por sua vez, a história maringaense conta com muitos casos de vereadores homens que foram indiciados e foram absolvidos, inclusive por crimes de superfaturamento, violência contra a mulher, violência contra animais, dentre outros.

A luzinha acesa nos faz pensar que a violência política de gênero contra as mulheres é uma realidade gritante na vida das mulheres eleitas e das mulheres que atuam como lideranças em movimentos sociais. Xingamentos, ameaças de morte, tentativas de difamar e desqualificar são corriqueiras, a despeito da lei homologada em 2021 que trata a violência política de gênero como crime passível de penas de reclusão.

Inclusive, além de homens, muitas mulheres, também, foram mortas pelo incomodo que suas posições políticas (notadamente de esquerda, direitos humanos e ambientais) causaram nos poderosos dos territórios que habitavam, tais como Irmã Doroty (missionária e ambientalista), Margarida Alves (sindicalista rural), Dorcelina Folador (Prefeita de Mundo Novo-MS), Marielle Franco (Vereadora Rio de Janeiro), dentre outras.

Mas, voltando para a Maringá de 2026, vale relembrar o Movimento Mais Mulheres no Poder  (MMNP) criado em 2020, tendo a vereadora Ana Lucia como uma das idealizadoras, cujo objetivo era eleger mulheres, pois a legislatura anterior era composta somente por homens. Quem tiver interesse em conhecer o MMNP: (Tait, Tania. Elas querem o poder. Iperfil, Maringá, 2022).

O objetivo do movimento foi parcialmente atingido e 5 mulheres foram eleitas. O desejo era 50% de mulheres eleitas correspondente ao número da população feminina. Isso não ocorreu e, nem todas as eleitas, infelizmente, defendem os direitos das mulheres, conforme o desejo do MMNP. Mesmo assim, o MMNP comemorou a eleição de 5 mulheres.

Entretanto, é preciso refletir dois pontos importantes: 1. Como as mulheres eleitas são tratadas; 2. O fato das mulheres eleitas se unirem no discurso contra as mulheres, inclusive sendo misóginas.

No primeiro caso, vê-se de forma nítida, a celeridade nos processos contra as mulheres somado aos inúmeros ataques e ameaças vindo de colegas, de adversários políticos e público, em geral.

No segundo caso, a meu ver, falta formação política e conhecimento da história visto que as feministas tiveram um papel fundamental na ocupação dos espaços de poder. Feministas que são, muitas vezes, xingadas, pelas próprias mulheres que conseguiram ser eleitas, ou seja, ocupam o espaço de poder defendido pelas feministas, mas atacam as que lutaram para a possibilidade de serem eleitas. Contraditório, mas nem tanto, pois essas mulheres que se dizem antifeministas, vivem numa sociedade machista e patriarcal e seguem as normas ditadas pelos homens.

Enfim, muito assunto pra um texto apenas, mas o que vale refletir é a motivação absurda para que as mulheres que atuam na política sejam xingadas, atacadas e ameaçadas, tem seus processos em tramitação rápida e ficam isoladas politicamente, mesmo diante de seus pares. A situação para as mulheres, portanto, é muito distinta pela qual passam os homens vistos como meros “meninos levados”.

Obviamente que o rigor da tramitação, as defesas e a conclusão dos processos devem ser  da mesma forma,  para todos e todas, independente de gênero, posição ideológica ou qualquer outra motivação.

O que não se admite mais é que a misoginia e  o machismo influenciem as decisões e a forma de tratamento dado às mulheres!

Imagem extraída da Internet


 

 

 

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

20 anos da Lei Maria da Penha: conquistas e desafios

Para celebrar os 20 anos da Lei Maria da Penha, a ong Maria do Ingá Direitos da Mulher realizou debate, na noite de 26/08, para tratar sobre as conquistas e desafios com a implantação da Lei 11.340/2006, chamada Lei Maria da Penha, promulgada pelo então presidente Lula, em 07/08/2006. A Lei resultou da notificação da Organização dos Estados Americanos sobre o caso Maria da Penha e da reivindicação dos movimentos de mulheres diante da escalada da violência contra a mulher no Brasil.

O debate trouxe a visão de três palestrantes que atuam na área de direitos das mulheres e no combate à violência contra a mulher: a Psicopedagoga Aline de Souza (Instituto de Mulheres Negras Enedina Alves Marques), a Advogada Claudete Gomes da Silva (Ong Maria do Ingá e Comissão Violência de Gênero OAB)  e eu, Tania Tait, professora doutora (Presidente em exercício do Fórum Maringaense de Mulheres e diretora da Ong Maria do Ingá).

Cada uma das apresentadoras bem como o público presente no auditório do Sismmar, onde foi realizado o evento,  trouxeram elementos relevantes para o debate e proposições para o aperfeiçoamento das ações de combate à violência contra a mulher, na prática e no cotidiano das pessoas que atuam nesse combate.

Para a advogada Claudete Gomes, a situação se torna complexa na medida em que a ação de proteção à mulher em situação de violência carece de envolvimento de todos (as) profissionais das varas de justiça tanto da família como da violência doméstica, desde a atuação dos juízes até dos oficiais de justiça para notificação do agressor. Detecta-se, em muitos casos, a morosidade da justiça em proteger a mulher.

Aline de Souza, por sua vez, relata a experiência das mulheres negras e periféricas que sofrem tanto por falta de acesso ao atendimento e acolhimento como por racismo e preconceito diante de sua condição de vulnerabilidade social. Muitas sequer conseguem acessar os serviços de denúncia e apoio e desistem, perpetuando o ciclo da violência. Não é por acaso que a maioria das mulheres que são mortas ou sofrem agressor seja mulheres negras e pobres.

Em minha exposição, salientei a importância da Lei Maria da Penha e apresentei as conquistas decorrentes da existência da lei desde a tipificação da violência como o envolvimento e responsabilidade do Estado no combate à violência até a recente legislação que inclui na lei, os assédios e agressões por parte de pessoas que não fazem parte do convívio da mulher, no âmbito familiar ou afetivo. Inclusive, torna-se latente que o disque 180, 190 e 153 não existiram se a Lei não fosse promulgada.

Lembramos que no mesmo ano de promulgação da Lei Maria da Penha, em 2006, houve o reconhecimento internacional da violência contra a mulher como uma violação dos direitos humanos, o que torna todas as iniciativas de proteção às mulheres e meninas fundamentais.

Por fim, todas as debatedoras salientaram a importância da lei Maria da Penha e os problemas que ainda precisam ser sanados para que as mulheres me situação de violência sejam acolhidas e possam ter uma vida sem violência. A Lei 11.340/2006 foi sendo aprimorada ao longo das duas décadas e é inegável a sua contribuição para o atendimento às mulheres em situação de violência.

De forma resumida, esses foram os nossos enfoques, os quais contaram com participação do público presente.

Para deixar registrados os desafios detectados que se transformam em ações a serem realizadas pelo setor público, pelas entidades que atuam na defesa dos direitos das mulheres e pela sociedade em geral, tomo a liberdade de apresentar alguns deles. São eles:

  • ·        Realizar a educação para a não violência desde os primeiros anos escolares;
  • ·        Promover a conscientização e responsabilidade da sociedade para a não violência;
  • ·        Fortalecer e aperfeiçoar a rede de atendimento e acolhimento;
  • ·        Responsabilizar as plataformas de Internet sobre misoginia  para combater o ódio às mulheres;
  • ·       Realizar atendimento específico para mulheres negras, indígenas, imigrantes, lésbicas, trans, com  deficiência e em situação de vulnerabilidade social como moradoras de rua;
  • ·       Realizar cadastramento das mulheres para possibilitar as estatísticas de atendimento por raça, cor, etnia, gênero, sexualidade etc.
  • ·        Tornar o judiciário mais ágil para o cumprimento das leis e processos;
  • ·      Qualificar todos  os profissionais envolvidos no atendimento às mulheres em situação de violência (juízes; oficiais de justiça; escrivães, policiais, delegados (as), promotores, médicos (as), enfermeiros (as) etc);
  • ·  Preparar os setores de atendimento e acolhimento dos CRAMM (Centro de Referência de Atendimento às Mulheres) e CRAS (Assistência Social);
  • ·    Necessidade de integração entre as varas de família e de violência doméstica, também, para a proteção às crianças e adolescentes;
  • ·    Necessidade de maior divulgação dos serviços da rede de apoio às mulheres em situação de violência;
  • ·         Levar o atendimento às mulheres das periferias, dos municípios de menor porte e da Zona rural;
  • ·     Divulgar os tipos de violência, com destaque para a identificação da violência psicológica ou emocional, considerada, por profissionais da área, como a porta de entrada para as demais violências.

Enfim, pode ser observado que as ações indicadas a partir dos desafios tratados no debate nos mostram, de forma nítida, o que ainda precisa ser feito em todos os âmbitos desde o setor público até o envolvimento da sociedade.

O que precisa ser feito é fortalecer e reconhecer o valor e a aplicação da Lei Maria da Penha para a garantia de uma vida sem violência para as mulheres.

O que não se pode fazer é silenciar diante da violência e ignorar ou subnotificar as agressões.

O que não se pode fazer é fechar os olhos e ouvidos e fazer de conta que não se está ouvindo o pedido de socorro das mulheres e meninas nem vendo as agressões.

Imagem extraída da Internet



sábado, 1 de agosto de 2026

Por que Agosto Lilás?

No dia 07 de agosto de 2006 foi promulgada pelo então Presidente Lula, a Lei 11.340 que “cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8º do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra a Mulher, da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher e de outros tratados internacionais ratificados pela República Federativa do Brasil; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar.”

A lei 11.340, chamada Lei Maria da Penha,  é bem específica no tocante à afirmação de que toda mulher,  independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social.

Além das afirmações constitucionais, a Lei trouxe duas grandes novidades para o cenário nacional: a tipificação dos tipos de violência e a obrigatoriedade da responsabilidade do Estado. Ao tipificar a violência, a população passa a compreender que existem outros tipos de agressões que não a física, assim entra em cena a punição pra a violência sexual, moral, patrimonial e emocional (ou psicológica).

A responsabilidade do setor público, por sua vez, não se restringiu à Delegacias da Mulher que foram mecanismos importantes nos anos 1980, mas que possuíam limitações de infraestrutura, acolhimento e judicialização dos casos. Dessa forma, a partir da Lei Maria da Penha, criaram-se as Varas da violência doméstica, as Defensorias, as Procuradorias da Mulher e os organizamos de atendimento às mulheres nos municípios passaram a ter centros de atendimentos às mulheres em situação de violência. Também, as universidades passaram a contar com núcleos de atendimento jurídico e psicológico para as mulheres. Em alguns locais, os serviços são integrados em uma rede de amparo. Em nível federal foi lançado o Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio.

Então se existem todos esses instrumentos de apoio e acolhimento, se existe lei com punição aos agressores, se as leis Maria da Penha e do Feminicídio estão mais rigorosas, o que falta para que esse mal instalado em nosso país, deixe de trazer tanto sofrimento para as famílias, em especial para as mulheres e crianças?

Aí entra o porquê do mês de conscientização pelo fim da violência contra a mulher. A escolha do mês é por ser o mês da promulgação da Lei Maria da Penha e a cor Lilás tem a ver com as cores usadas pelo movimento feminista, pela combinação do vermelho e azul. Sobre uso das cores, indico 
O uso das cores na política

Portanto, as cores e o mês são símbolos das lutas das mulheres por uma vida sem violência e da necessidade de conscientização pelo fim da violência contra a mulher. Necessidade esta que se torna imprescindível na medida em que as estatísticas apresentam dados assustadores de agressões físicas e psicológicas, estupros e feminicídios.


Símbolo da campanha da ong Maria do Ingá Direitos da Mulher

A conscientização precisa ser realizada em todos os espaços, nos locais de trabalho, nas escolas, nas áreas de lazer, no uso das redes digitais, para todas as faixas etárias e, principalmente para nossos meninas e meninas para que cresçam em uma sociedade de não violência, na qual o “não “ seja aceito, que o fim de relacionamento amoroso não signifique o fim da vida de uma mulher e que o respeito aconteça sempre.

Precisamos garantir que as mulheres e meninas tenham direito a uma vida sem violência de qualquer tipo.

 

 

 

 

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Direitos das mulheres, o fim da escala 6x1 e a aprovação da lei contra a misoginia

Dois grandes projetos estão mobilizando o Brasil: a PEC (Projeto de Emenda Constitucional) pelo fim da escala 6x1 e a Lei de Combate à Misoginia (Lei 896/2023).

A urgência dos dois projetos se dá na medida em que sua aprovação contribuirá para melhorar o conjunto da classe trabalhadora e, em especial, a rotina das mulheres, em vários aspectos, garantindo o direito à uma vida digna.

No mundo do trabalho, a escala 6x1, que significa trabalhar seis dias e descansar um dia, comprovadamente, penaliza, também, as mulheres trabalhadoras, pois no dia que seria a folga do trabalho, as mulheres realizam as atividades domésticas de cuidado, limpeza e manutenção da casa.

Como uma grande parcela das famílias brasileiras é chefiada por mulheres e, muito poucas contam com o compartilhamento das tarefas com maridos ou companheiros, ter direito a dois dias de descanso irá contribuir para o real descanso delas e para sua saúde física e mental. Portanto, o fim da escala 6x1 precisa ser destravado no Senado e seguir adiante, urgente.

Por sua vez, o PL 896/2023,  que criminaliza a misoginia, já foi aprovado por unanimidade no Senado e aguarda a aprovação na Câmara Federal.

A misoginia não é apenas uma opinião, ela é um discurso de ódio às mulheres, que faz com que a violência aumente. Agressões físicas e verbais, discriminação,  incentivo ao ódio, infelizmente, têm-se tornado cenário comum para as mulheres em todos os locais.

Com a aproximação do período eleitoral é fundamental a aprovação do PL 896 para enfrentar a violência política de gênero e possíveis ataques às candidatas e as eleitas. Também, se faz necessário a regulamentação das plataformas de internet para que sejam responsabilizadas e deixem de lucrar com a propagação de discursos de ódio. Inclusive, a aprovação do PL 896/2023 contribuirá para o fortalecimento do Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio que envolve o legislativo, executivo e judiciário no combate à violência contra a mulher.

Portanto, tanto o Senado como a Câmara Federal têm a incumbência de atender a população em seus anseios, antes do recesso e das eleições gerais de outubro. Ambos estão sendo cobrados pela população. Vamos cobrar firmemente e, quem sabe, desta vez, tanto um como o outro fique do lado da classe trabalhadora e das mulheres com a aprovação das duas leis.

Afinal, o fim da escala 6x1 e a criminalização da misoginia significam dois grandes passos na direção do fortalecimento dos direitos das mulheres para uma vida livre e sem violência, no mundo do trabalho, na vida pública e nos relacionamentos.



 

quinta-feira, 9 de julho de 2026

A emoção e a segurança pública

Anos atrás, ouvi uma mãe de uma menina de 10 anos de idade dizer: “vou votar no fulano que defende armamento da população porque não vou permitir que um criminoso abuse da minha menina e estrague a vida dela”.

A fala dela me chocou no período pois, aparentemente, era uma senhora calma, trabalhadora, religiosa, ou seja, uma pessoa comum como a maioria de nós. Ela nem estava refletindo sobre o fato de não ter preparo para usar uma arma de fogo, nem recursos financeiros para aquisição de uma arma e cadastramento como CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador).

Para ela, o importante era proteger a filha. Também, ela não era uma pessoa alheia à política e, mesmo conhecendo as propostas eleitorais, não houve argumento que a fizesse mudar de ideia, ela visualizava, simplesmente, a proteção à filha.

Obviamente, a preocupação dela, como a de todas as famílias é legítima, ainda mais diante dos dados assustadores de violência contra crianças e adolescentes.

É aí que a emoção embaça a visão e o pensamento. A grande maioria dos casos de agressões contra crianças e adolescentes ocorrem dentro das famílias ou no contato com conhecidos.

No entanto, a propaganda armamentista e o discurso distorcido sobre segurança pública chegam às famílias tocando no seu íntimo e na necessidade de proteção. Esse tipo de propaganda para colocar armas, sem preparo adequado, nas mãos de cidadãos e cidadãs na linha do “olho por olho, dente por dente”, ocasionando mortes por motivos absurdos como brigas de trânsito ou com  a gravidade dos feminícídios, dentre outros crimes. Situações previstas pelos profissionais da segurança pública quando se fala em armamento, quando para eles, as mulheres são as maiorias vítimas de homens com armas de fogo. Também, está mais do que comprovado que armar a população não resolve a criminalidade, pois, de forma facilitada, apenas coloca mais armas no mundo do crime.

Entretanto, a percepção da senhora em proteger sua filha não está errada pois, de acordo com a definição no site https://www.jusbrasil.com.br/artigos/o-que-e-seguranca-publica/586735267, a segurança pública pode ser definida como um conjunto de dispositivos e de medidas de precaução que asseguram a população de estar livre do perigo, de danos e riscos eventuais à vida e ao patrimônio. É também um conjunto de processos políticos e jurídicos destinados a garantir a ordem pública na convivência pacífica dos seres humanos na sociedade.

Mas, os que falam em armar e prender os criminosos, não apresentam que a segurança pública, além das medidas de repressão e vigilância necessita de “um sistema integrado e otimizado envolvendo instrumento de coação, justiça, defesa dos direitos, saúde e social. O processo de segurança pública se inicia pela prevenção e finda na reparação do dano, no tratamento das causas e na reinclusão na sociedade do autor do ilícito”.

Num país de dimensões continentais e dividido em regiões por organizações criminosas, os desafios são imensos e necessitam da colaboração e integração entre governos, justiça e polícia.

Diante do gigantismo dos desafios, o discurso armamentista soa fácil e chega aos ouvidos da população de forma instantânea e emotiva, sem avaliar a complexidade do sistema que deveria, além da integração entre os poderes envolvidos, qualificar, valorizar e preparar os quadros de profissionais que combatem o crime, dentre outros aspectos que completam a própria definição de segurança pública.

Muitos passos foram dados como o fortalecimento das polícias e da investigação científica, no entanto, a propaganda demagógica de segurança pública jogando com o emocional das pessoas continua sendo utilizada por políticos e religiosos inescrupulosos que usam do discurso fácil diante de seu eleitorado para se garantirem no poder.

Está aí mais um grande desafio que envolve toda a sociedade: como garantir que as medidas tomadas para a segurança  pública tenham efetividade e contribuam para que aquela senhora que deseja proteger sua filha, se sinta realmente protegida, sem desejar ter uma arma de fogo debaixo de seu travesseiro.

Imagem: extraída da Internet


 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Voto tem consequência e não é pouca!

Imagem extraída de Internet, 02/06/2026


Logo cedo, fomos bombardeados com notícias que acendem um alerta pois afetam diretamente nossas vidas.

São elas: EUA consideram taxar produtos brasileiros em 25%, o Senado aprova restringir acesso a acolhimento e aborto legal para casos de estupros em crianças e adolescentes, Senado não quer reduzir a jornada de trabalho 6x1 e, em Maringá, prefeitura que fazer consulta pública para militarizar escolas municipais.

A primeira notícia tem a ver com a família de políticos, os bolsonaros, envolvida no escândalo BolsoMaster, no qual milhões foram desviados, os bolsonaros ligados à extrema-direita, da qual o presidente dos EUA faz parte, envidam esforços para que os produtos brasileiros sejam taxados, inclusive colocando o PIX na mira do Trump, presidente dos EUA. São traidores da Pátria e usam de várias artimanhas pra se manterem na mídia e longe das suspeitas de falcatruas e crimes. O senador da família precisa explicar ainda sua relação com a Vorcaro, do Banco Master e para onde foram os milhões que pediu a ele e para qual fim foram destinados.

A segunda e a terceira notícias têm a ver com as pautas do Senado, uma delas já aprovada e a outra em tramitação. A aprovada é a PDL (Projeto de Lei) que dificulta o acesso a acolhimento e aborto legal em caso de estupro de vulnerável. Em um país, no qual foram registrados mais de 83 mil casos de estupro e estupro de vulnerável em 2025 e já contabilizou 13.462 ocorrências de estupro de vulnerável até março deste ano, segundo levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública), restringir o acesso e retirar a resolução da Conanda - Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente torna-se absurdo e criminoso. Afirmações constantes por parte do movimento social de que  “Criança não é mãe! Estuprador! Não é pai” não sensibilizou senadores e senadoras que, colocam, sua ideologia e posição religiosa acima da proteção e à uma vida com dignidade para as vítimas de violência sexual.

A terceira situação, ainda em tramitação é a redução da escala 6 x 1. Aprovada por maioria na Câmara dos Deputados, a pauta entra em discussão no Senado. No entanto, senadores, virando as costas para o interesse da classe trabalhadora, querem propor uma escola 7 x 0, a ser negociada entre patrão e empregado, como se   "livre negociação" fosse favorecer o trabalhador e a trabalhadora. Sabemos que isso não é verdade. Não vou me estender aqui pois escrevi sobre a necessidade de redução da jornada 6 x 1 (https://www.taniatait.com.br/2026/04/a-necessaria-reducao-da-jornada-de.html)

E localmente, chega a notícia de que a Prefeitura de Maringá vai fazer uma consulta pública sobre a militarização das escolas municipais. Comprovadamente equivocada, a implantação das escolas militares ou cívico-militares no Estado do Paraná, tem sido palco de denúncias de agressões e desvios. Portanto, a Prefeitura vai na contramão e que colocar essa modalidade para crianças. A gestão municipal Barros, pelo visto, não pensa em resolver os problemas existentes, aprimorar o método pedagógico e nem melhorar a qualidade de vida de trabalhadoras e trabalhadores da educação.  Destaca-se que o modelo foi questionado no STF e é inconstitucional.

Esses são apenas alguns exemplos que confirmam que voto tem consequência e não é apenas no preço do pãozinho que comemos todo dia, vai muito além e pode nos colocar, inclusive, em meio à guerras.

Claro que ainda temos políticos sérios e preocupados com o Brasil e com a população, mas existe uma maioria da qual o Congresso é formado que coloca a vida das pessoas em segundo plano, pautados por suas posições ideológicas, religiosas e financeiras. Infelizmente, no final, tudo se resume a obter lucros para si, como a Polícia Federal já provou com suas investigações sobre certos políticos.

E, como no final do filme Tropa de Elite 2, o buraco é mais embaixo e um político ligado à criminosos cariocas é eleito presidente da comissão de ética. O filme é uma obra de ficção, Será?

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segunda-feira, 25 de maio de 2026

50 anos do Departamento de Informática da UEM com festa

No dia 23/05, reuniram-se, num jantar, professores, professoras, funcionários e funcionárias,  estudantes e egressos que compartilharam os 50 anos do Departamento de Informática (DIN) da UEM.

Particularmente, me senti muito feliz com a comemoração e o reencontro com pessoas com as quais compartilhei minha carreira acadêmica e amizades. 

Agora na aposentadoria, recebemos homenagem na festa, com uma linda placa comemorativa pelos 50 anos do DIN. 

Parabéns à equipe organizadora, comandada pela Professora Josiane Pinheiro, com tanta maestria.

Parabéns à todos e à todas que construíram o DIN ao longo das 5 décadas.













Departamento de Informática da UEM completa 50 anos


Em 2026, o Departamento de Informática (DIN) da Universidade Estadual de Maringá celebra 50 anos de história — uma trajetória construída por pessoas que, ao longo das décadas, dedicaram seu talento, conhecimento e compromisso ao ensino, à pesquisa, à inovação e ao desenvolvimento da sociedade.

Essa trajetória consolidou o DIN como um polo de geração e disseminação de conhecimento na área de Tecnologia da Informação. O departamento foi criado em maio de 1976, conforme Resolução 001/76-REITORIA, como uma sub-unidade do Centro de Tecnologia, logo após a implantação do curso de Tecnólogo em Processamento de Dados (PD), que teve início em 1975. Na época o curso fazia parte de um programa nacional de formação de um profissional que pudesse contribuir para o crescimento de uma área que estava necessitando de mão-de-obra especializada.

Pioneiro na região reconhecida como agrícola, o curso de PD, logo chamou a atenção e o interesse dos estudantes, os quais formados se dirigiam para Curitiba ou São Paulo.

Com o crescimento das oportunidades na região, o DIN optou pela criação do curso de Ciência da Computação, um curso de bacharelado, mais abrangente do que o curso de tecnólogo, em período integral, implantado em 1988.

Em novembro de 1991, foi criado o PET-Informática que consolidou-se como uma das iniciativas mais importantes para a formação acadêmica e humana dos estudantes do DIN. Ao longo de sua trajetória, o PET tem promovido a integração entre ensino, pesquisa e extensão, estimulando a excelência acadêmica, o trabalho colaborativo, a inovação e o compromisso social. Mais do que um espaço de formação complementar, o PET-Informática tornou-se parte da própria história do departamento, contribuindo para a formação de profissionais e docentes que hoje atuam em diferentes áreas da Computação.

Em 1997, o DIN criou o curso de Bacharelado em Informática, no período noturno, em substituição ao curso de Tecnólogo em Processamento de Dados que foi paulatinamente extinto. Os cursos passaram por revisões curriculares em 2009, 2017 e 2023.

Além dos cursos de Ciência da Computação e de Informática, o DIN também é responsável pela ênfase de Software do curso de Engenharia de Produção, além de disciplinas na área de computação de vários outros cursos de graduação da UEM.

Também em 2002, com o objetivo de contribuir para a formação de recursos humanos e atuar na pesquisa em Informática, foi criado o Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação (PCC), com a oferta do mestrado. Por mais de uma década o DIN ainda ofertou turmas da Especialização em Desenvolvimento de Sistemas para Web e atualmente oferece disciplinas em alguns outros cursos de especialização.  

De 2004 a 2009 o DIN hospedou o curso de Engenharia de Produção até que o departamento se estruturasse.

Em 2009, o DIN passou a contar com um novo edifício, no bloco C-56, que reúne um total de mais de 3.400 metros quadrados de área construída.

Em 2021, foi aprovado o curso de Doutorado em Ciência da Computação, que ofertou a primeira turma em 2022.

Em 2026, o curso de Bacharelado em Informática se tornou Bacharelado em Engenharia de Software, alinhando o curso à demanda da sociedade e às diretrizes curriculares da Sociedade Brasileira de Computação.

Visando oportunizar aos alunos se preparem para atuar no meio corporativo, o Departamento apoiou a criação da Softcom, uma empresa júnior de softwares, suporte e capacitação em Ciência da Computação e Informática, supervisionada por um docente do DIN. Em 2025, por iniciativa dos alunos, surgiu uma nova empresa júnior, chamada Main, alinhada às demandas do mercado e em franca expansão.

Completando o leque de ferramentas institucionais oferecidas pelo DIN visando a contribuir na formação dos estudantes, está em vigor o Programa de Tecnologia da Informação e Comunicação (PROTIC), que tem como objetivo desenvolver e apoiar as iniciativas de pesquisa, ensino, extensão e inovação de servidores e acadêmicos dos cursos afetos ao Departamento.

No DIN, também, em sinergia com a Sociedade Brasileira de Computação por meio do Programa Meninas Digitais, em 2017 foi criado o projeto Conectadas, que visa incentivar a entrada e permanência das meninas na área de computação.

Em sintonia com o desenvolvimento regional, o DIN atuou e participou ativamente na criação do Arranjo Produtivo Local de Software, cuja iniciativa contribuiu para que a região se tornasse um polo de desenvolvimento de software.

Assim, o DIN cumpre sua finalidade de

  • formar cidadãos éticos, críticos e reflexivos nas áreas de computação e informática;

  • promover, de forma indissociável, o ensino, a pesquisa e a extensão nas áreas da computação e informática; e

  • prestar serviços à comunidade. 

Nesse período, o DIN formou milhares de profissionais — tecnólogos, bacharéis, especialistas, mestres e doutores — que hoje atuam de forma significativa na academia e na indústria de software, contribuindo para o avanço tecnológico em diferentes contextos e regiões.

Mais do que celebrar uma data, queremos celebrar as pessoas que fizeram e fazem parte dessa história. Nossos parabéns e agradecimentos a cada um e a cada uma que contribuiu e contribui para que o DIN seja uma referência importante na área de TI, nas atividades de ensino, pesquisa, extensão e inovação.

Texto: Profa. Tania Tait
Maio de 2026 - postado em https://www.uem.br/din

A Canafístula e o Cedro: o triste fim de uma história

Escrevi o texto A Canafístula e o Cedro em 2007, quando a prefeitura de Maringá, na primeira gestão Silvio Barros, derrubou a canafístula centenária, mesmo diante da reação popular, inclusive com jornalista se agarrando a árvore.

No texto, publicado no blog Factorama, eu descrevia a amizade entre as duas árvores, a preocupação da Canafístula com o Cedro que ficou mantido no lugar com desvio da avenida (Gestão José Cláudio) e depois, a preocupação do Cedro com a Canafístula. 

Agora, em 2026, quase 20 anos depois, na terceira gestão do mesmo prefeito, foi a vez do Cedro ser tombado, com alegação de estar condenado por cupins. 

 
Reportagem em: Blog do Rigon, de 23/05/2026
https://angelorigon.com.br/2026/05/23/cedro-removido/


No momento em que li a reportagem sobre o cedro, me veio à mente o diálogo que criei, em 2007, entre as duas árvores, mediadas pelos pássaros que iam e vinham com as notícias.
O que diriam os passáros hoje? Pra quem contariam as notícias? 

Segue o texto, conforme foi publicado, em 2007.

========================================================================A Canafístula e o Cedro

terça-feira, dezembro 18, 2007 5:06:00 PM Publicado no Factorama     Escrito por: Tania Tait


A Canafístula e o Cedro eram amigos há décadas. A comunicação entre eles era feita pelos mensageiros passarinhos. Os amigos viram a cidade crescer, avenidas serem criadas, asfalto chegando e prédios surgindo. Pessoas indo e vindo.
Aí no início dos anos 2000, o Cedro foi palco de uma discussão ampla na cidade. O motivo: ele estava bem no meio de uma avenida que seria continuada, pois começava lá do outro lado da cidade e agora chegava até ali. Ele teria que ser retirado do local.
A amiga Canafístula acompanhava as novidades pelas mensagens dos pássaros. E vinha gente de todo tipo defendendo o Cedro. A administração municipal da época resolveu levar a discussão para o Conselho do Meio Ambiente, o qual deu o parecer final: o Cedro fica.
Hoje, o Cedro está lá e os engenheiros criaram uma avenida com curva para que ele permanecesse no local. Respeitou-se o meio ambiente, respeitou-se a comunidade e respeitou-se o Cedro.
A Canafístula ficou feliz com o resultado e os dois amigos continuaram trocando impressões sobre o clima, o movimento da cidade, o aumento de pessoas e de carros.
Um dia, a Canafístula contou ao Cedro que estavam mexendo na avenida que ficava perto dela para rebaixar a linha férrea. O Cedro, meio cismado por causa da sua própria história, perguntou se não teria problema pra ela. A Canafístula então respondeu: imagina, se naquela época não conseguiram derrubar você, por que agora vão conseguir? E olha que tudo indica que sou mais velha que você, portanto, vão me respeitar mais ainda.
E se despediram tranqüilos, por meio dos pássaros. No entanto, os pássaros e o Cedro ficaram cismados com a nova obra. O Cedro, então, pediu aos pássaros que ficassem vigiando, pois não estava com uma boa sensação a respeito do assunto.
Muitos pássaros já haviam contado ao cedro sobre árvores derrubadas na cidade pela administração municipal atual com o objetivo de deixar fachadas de empresas mais visíveis e outros motivos estranhos. Também, os pássaros moradores ao redor da rodoviária velha haviam comentado sobre a forma como o patrimônio da cidade estava sendo tratado. Os pássaros contavam, ainda, como foi a inauguração de uma nova avenida no centro da cidade, sem sequer uma árvore plantada. Fato que gerou polêmica, manifestações e que, depois, a prefeitura resolveu que podia plantar árvores ali.
Resultado de tantas reflexões é que o Cedro não conseguiu parar de pensar na amiga Canafístula, sempre tão confiante nas pessoas. Claro, tinha motivos para essa confiança, pois ela sempre fora bem tratada.
Mas aí o pior aconteceu, resolveram cortar a Canafístula. Teve até uma mobilização do pessoal do meio ambiente e um jornalista que subiu na árvore e disse que não desceria até que chegasse uma ordem oficial para o corte. Os pássaros foram correndo sossegar o Cedro, que estava apavorado, com as notícias que chegavam. Tem gente protegendo a amiga Canafístula, fique tranqüilo, ela não vai ser cortada.
Mais tarde os pássaros voltaram, cabisbaixos, voando sem vontade e o Cedro logo entendeu que não teria mais notícias da amiga Canafístula. Ela e todos que a amavam foram enganados.
A administração municipal atual não agiu como a outra administração que integrou o Cedro à avenida. A administração atual não conversou com o Conselho de Meio Ambiente, não conversou com a população e não buscou uma alternativa para que a Canafístula continuasse ali integrada à obra. Enfim, derrubou-se uma árvore centenária como se fosse algo comum, no cotidiano de sua atuação. Desrespeitou-se o meio ambiente e a história de uma família pioneira.
E lá está o amigo Cedro no meio da Av. Gurucaia, entristecido pela perda da amiga e torcendo muito para que as outras árvores da cidade consigam sobreviver a essa administração municipal. Ele, o Cedro, sabe que sua amiga cumpriu bem seu papel na natureza e deixou uma marca de dignidade e respeito nas pessoas, nos pássaros e nas outras árvores que conviveram com ela.
A esperança do Cedro é que essa marca possa chegar até as pessoas que detêm o poder e que elas entendam que fazem parte da natureza e que todos os seus atos desencadeiam outros atos que ferem o mundo em que vivemos.

* Professora do Departamento de Informática da UEM, Coordenadora da Associação Maria do Ingá – Direitos da Mulher. Maringá, 12/12/2007.

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quarta-feira, 29 de abril de 2026

A necessária redução da jornada de trabalho

No começo da minha vida profissional, após formada pela UEM, na área de informática, trabalhei como programadora de computador e analista de sistemas em uma grande rede de supermercado (que não existe mais). O horário de trabalho era de 8 horas por dia e aos sábados. Entravamos às 8h e saímos às 18, com  1h de almoço e aos sábados, das 8 às 12. Havia compensação durante a semana para não trabalhar aos sábados o dia todo. Já no estágio, em Londrina, vivenciei a jornada de trabalho e o pouco tempo que as pessoas possuíam pra cuidar de suas casas, crianças etc. A mesma situação ocorria em uma grande cooperativa agrícola da região, na qual fui analista de sistemas e programadora.

A partir dessas experiências, me chamava muito a atenção o tempo que as pessoas passavam no trabalho em comparação com o tempo mínimo que passavam com suas famílias ou outras atividades. Havia o comentário de que era trabalho remunerado em regime de escravidão, pois as pessoas não tinham tempo pra elas, apenas para o trabalho. Quem não trabalhava aos sábados era por compensação em horas a mais  de segunda a sexta-feira.

Estamos falando de experiências particulares nos anos 1980 e, naquela época alguns países começavam a experimentar jornadas diárias menores do que as jornadas de 8h, com resultados considerados relevantes em termos de produtividade e contribuição de funcionários e funcionárias.

Acabar com a escala 6 x 1 (trabalhar seis dias e descansar um dia), obviamente, não abala o sistema capitalista, pois foi comprovado por algumas experiências que essa redução de jornada, tendo 5 dias trabalhados e dois dias de descanso (5x2) impacta positivamente na lucratividade das empresas e não afunda o país como alguns contrários afirmam.

Para as mulheres trabalhadoras, por sua vez, a redução da jornada contribui para uma melhora considerável de qualidade de vida, pois, em sua maioria, elas chegam, em seus finais de semana ou dia de descanso,  com a escala da faxina de suas casas, da lavagem de roupas etc, ou seja, transformam seu dia de descanso em mais um dia de trabalho, o que significa, na prática, uma escala de 7x0, sete dias trabalhados e nenhum dia de descanso.

Muitas mudanças, também,  ocorreram no mundo do trabalho desde a última  reforma trabalhista de 2017, que levou as pessoas a situações como pjtização, terceirização, uberização, trabalho informal, trabalho on line e tantas outras, nas quais as pessoas acreditam que são donas de seu próprio trabalho, não dependem da CLT, mas no entanto, seguem desprotegidas agora e no futuro e, continuam trabalhando sem tempo para si e suas famílias.

Por fim, acredito que seja importante e necessária a aprovação de uma jornada de trabalho menor para que as pessoas tenham mais tempo para viver com dignidade e possibilidade de estar mais dias com sua família ou realizar atividades de esporte, cultura ou lazer ou outras que as interessem.


Imagem extraída da Internet


segunda-feira, 20 de abril de 2026

A classe trabalhadora sai em desvantagem na corrida eleitoral

Dados divulgados, recentemente, apontam que dos 594 parlamentares que compõem o Congresso Nacional, 273 são empresários e 160 são fazendeiros, totalizando 72% das cadeiras ocupadas por representantes desses setores. (https://lermais.com.br/congresso-dominado-empresarios-e-fazendeiros-ocupam-72-das-cadeiras-2/) Outro dado demonstra que, também, menos de 20% das cadeiras no Congresso são ocupadas por  mulheres.

Essa concentração de lideranças ligadas ao empresariado e fazendeiros, homens brancos, conservadores e ricos, em sua maioria, torna-se um desafio para as pautas necessárias para o conjunto da população, tais como as políticas públicas de moradia, educação e saúde e condições de trabalho, combate à violência contra a mulher, contra o racismo e contra homofobia e, também, na defesa do meio ambiente. Muitas dessas políticas públicas deixam nítida a postura desse grupo dos deputados na Câmara, notadamente com votos contra os interesses da maioria da população. Não se trata, portanto, apenas de uma posição ideológica, pois muitos destes deputados consideram que as políticas públicas, mesmo de interesse nacional, vão contra seus interesses econômicos e financeiros particulares.

Essa situação da concentração de eleitos/as da classe empresarial é reproduzida, também, nas câmaras municipais e assembleis legislativas estaduais. No executivo (prefeituras, estados e governo federal), a situação não é diferente, temos poucas prefeitas e governadoras e tivemos apenas uma mulher na Presidência da República.

Além de se candidatarem pra defender suas mordomias, classe social etc e viver às custas do Estado que tanto atacam, os empresários e fazendeiros eleitos defendem o sistema como está ou apresentam projetos pra penalizar a classe trabalhadora, aqui incluídos a classe média assalariada e profissionais liberais ou autônomos, os quais não se enxergam como trabalhadores/as. Um exemplo é a redução de jornada de trabalho para 5x2 (cinco dias trabalhados para dois dias de descanso), a qual gera polêmica com alegações equivocadas de quebra econômica, incentivo à vagabundagem de trabalhadores se a nova escala de trabalho for aprovada ou, ainda, absurdos como bolsa patrão para compensar a suposta perda econômica.

Pela legislação eleitoral, todos e todas, maiores de idade, podem se candidatar, independente de sexo, religião, raça, etnia ou posição ideológica. (https://www.jusbrasil.com.br/artigos/quais-os-requisitos-necessarios-para-se-concorrer-a-uma-eleicao-no-brasil/1150140742) No entanto, pra fazer campanha, mesmo existindo fundo eleitoral, a pessoa candidata precisa de tempo e dinheiro. Exatamente nessa necessidade de tempo e dinheiro que as diferenças começam na largada eleitoral, inclusive na chamada “pré-campanha” que na prática, é campanha eleitoral.

Quando alguém da classe trabalhadora se candidata, se não for demitido por ser de outra posição ideológica diferente do patrão/patroa, não terá licença e só poderá fazer campanha no período que sobra e nos finais de semana. Ao contrário, o empresário ou empresária (ou fazendeiro ou financiados por eles) que se candidata poderá fazer campanha quando e como quiser.

Então, na corrida eleitoral, trabalhadores e trabalhadoras saem em desvantagem e com muitos obstáculos à frente, desde a largada, pois além de buscar votos, precisam cumprir suas obrigações no mundo do trabalho para sobreviver. Destaca-se que  as mulheres saem em mais desvantagem do que os homens, pois lidam com a dupla jornada de trabalho e ao incluir a política, se sobrecarregam ainda mais, além do preconceito e da violência política que sofrem.

Esse desequilíbrio de representação na política reforça distorções existentes na sociedade para as ações de igualdade e se torna um desafio para a democracia pois, ao mesmo tempo que as pessoas podem se candidatar e serem eleitas, a maior parcela da população tem mais dificuldade e menos visibilidade para ser eleita para um cargo legislativo ou executivo.

Isso precisa mudar!

Imagem extraída da Internet